Itinerários Sonoros – Europa Oriental

José Soares, regente
Mark John Mulley, trombone

|    Concertos para a Juventude

CHOPIN/Glazunov
SMETANA
RIMSKY-KORSAKOV/Thurston
TCHAIKOVSKY
SUPPÉ
Polonaise nº 1 em Lá maior, op. 40, "Militar"
A noiva vendida: Abertura
Concerto para trombone
Eugene Onegin: Valsa
Cavalaria Ligeira: Abertura

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, tendo sido seu Regente Assistente desde as duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio, edição 2021 (Tokyo International Music Competition for Conducting). José Soares recebeu também o prêmio do público na mesma competição. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou Regência Orquestral com o maestro Cláudio Cruz, em um programa regular de masterclasses em parceria com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Participou como bolsista nas edições de 2016 e 2017 do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, sendo orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich. Recebeu, nesta última, o Prêmio de Regência, tendo sido convidado a atuar como regente assistente da Osesp em parte da temporada 2018, participando de um Concerto Matinal a convite de Marin Alsop. Foi aluno do Laboratório de Regência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Em julho desse mesmo ano, teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin, como parte do programa de Regência do Festival de Música de Parnü, Estônia. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Mark John Mulley nasceu na Inglaterra, onde iniciou seus estudos ainda criança, com formação no London College of Music e pós-graduação no Royal College of Music. Estudou com os trombonistas Anthony Parsons da BBC Symphony Orchestra, Tom Winthorpe da Royal Opera House Orchestra, Peter Bassano e Arthur Wilson da Philharmonia Orchestra. Participou de masterclasses com Ian Bousfield, Ralph Sauer e Christian Lindberg. Lecionou Música no Richmond Adult College e na Brunel University, na Inglaterra, e Trombone na Orquestra Real Sinfônica, em Oman. Na Coldstream Guards Band, foi Principal Trombone. Integrou a Orquestra Sinfônica da BBC, a Philharmonia Orchestra, Wren Orchestra, Hanover Orchestra e a London Festival Orchestra. Com a Orquestra das Nações, gravou a Oitava Sinfonia de Bruckner. No jazz, tocou nos festivais Ealing Jazz, Soho Jazz e West End Show. Com o grupo Rio Bossa Jazz tocou jazz, blues e bossa nova. Desde 2008, Mark é Principal Trombone na Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Programa de Concerto

Polonaise nº 1 em Lá maior, op. 40, "Militar" | CHOPIN/Glazunov

De Fryderyk Franciszek a Frédéric François, Chopin fez de Paris seu lar, mas nunca se esqueceu de sua Polônia, onde viveu até os 20 anos – em 1830, começando por Viena, embarcou em uma turnê pela Europa, mas, no ano seguinte, veio a tomada de Varsóvia pelos russos, e ele se viu como um expatriado. Chopin abraçou sua herança polonesa através da música. Era um perito nas formas de dança, principalmente a mazurca e a polonaise, ambas uma expressão de seu orgulho nacionalista, a primeira mais melancólica, a segunda mais extrovertida. Escrita em 1838, a Polonaise Militar para piano solo é gloriosa, de espírito nobre. Sobre ela, o pianista polonês Jan Kleczynski disse: “Cada nota, cada acento, brilha vívida e poderosamente”. Em 1893, Alexander Glazunov orquestrou cinco peças do polonês, inclusive a Polonaise em Lá maior, e as reuniu em Chopiniana, op. 46.

No Leste Europeu, a escola tcheca de música sempre se manteve fecunda. Seu fundador, Bedrich Smetana, é símbolo de independência cultural e, com A noiva vendida, fundou a ópera no país. Composta entre 1863 e 1866, ano também de sua estreia em Praga, A noiva vendida trouxe ao “Ocidente” a consciência das peculiaridades e especificidades da música tcheca, nem tanto pela inclusão de citações de temas populares ou de danças tradicionais, mas pelo uso desse je ne sais quoi que, nas escolas nacionais, muitas vezes se confundem com exotismos. No brilho da abertura da ópera isso se afirma, não apenas em algumas harmonias, mas numa rítmica característica e em uma atmosfera festiva que mascara habilmente as danças tradicionais.

O mais prolífico compositor russo de sua época, Rimsky-Korsakov escreveu quinze óperas, quatro sinfonias, três concertos e diversos outros trabalhos, entre os quais se destacam a abertura A Grande Páscoa Russa e a suíte Sheherazade. De 1878, o seu Concerto para trombone reflete a nitidez de seu estilo que combina expressão e um rigor formal, possível reflexo de sua carreira musical e educação militar na Marinha de seu país. A peça se inicia com trios de sopros abrindo para o ousado tema de abertura do trombone em fanfarra. O segundo movimento, um Andante cantabile é quase uma canção sem palavras conduzida pelos sopros. Uma marcha conduzida entre o trombone e o grupo encerra o Concerto. Sua estreia se deu em 1878 com a Banda Naval de Kronstadt, na Rússia, com regência de Rimsky-Korsakov.

Uma moça do campo se apaixona por um jovem da cidade grande. Ela declara seu amor, mas é humilhada por ele. Anos depois se reencontram, Tatyana agora é casada e parte da aristocracia. Onegin percebe que a ama e confessa seus sentimentos em uma carta. Tatyana lhe diz que, embora ainda sinta o mesmo amor que um dia sentiu, agora é casada. E assim eles se separam para sempre. Eugene Oneguin de Pushkin é um dos textos ficcionais mais amados de toda a literatura russa e, em 1877, arrebata também a Tchaikovsky: “Eu estou apaixonado pela imagem de Tatyana. Estou sob o feitiço da poesia de Pushkin, e compelido a compor a música por causa dessa atração irresistível”, escreveu a seu irmão Modest. A Valsa abre o segundo ato, no baile oferecido por Madame Larina, mãe de Tatyana.

O austríaco Franz von Suppé compôs várias operetas, mas elas são raramente encenadas nos teatros líricos nos dias de hoje. O mesmo não pode ser dito de suas aberturas, que continuam sendo tocadas por orquestras ao redor do mundo e podem ser ouvidas também em incontáveis desenhos animados, filmes e propagandas. A introdução de Cavalaria Ligeira é sem dúvida a mais popular delas (espere pelos dois minutos e meio da obra para entender o porquê). Em 1866, época da estreia dessa opereta, Suppé vivia em Viena e a Áustria estava prestes a se unir à Hungria e se tornar parte do Império Austro-Húngaro. Os vienenses estavam fascinados pelo “exotismo” da terra vizinha e alguns compositores começaram então a introduzir sons de lá em suas músicas. Suppé também se rendeu à moda e colocou em sua Cavalaria Ligeira fanfarras cheias de heroísmo, assim como melodias húngaras que nos imediatamente nos encantam.

15 Maio 2022
domingo, 11h00

Sala Minas Gerais, com transmissão ao vivo pelo YouTube