Itinerários Sonoros – França

José Soares, regente

|    Concertos para a Juventude

BIZET
LULLY
MASSENET
FAURÉ
BIZET
RAVEL
L’Arlésienne: Suíte nº 2: Farandole
O burguês fidalgo: Abertura
Thais: Meditação
Pavana, op. 50
Carmem: Suítes nº 1 e nº 2 (Excertos)
Bolero

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, tendo sido seu Regente Assistente desde as duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio (Tokyo International Music Competition for Conducting 2021), recebendo também o prêmio do público. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou com o maestro Claudio Cruz e teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin. Foi orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Pelo Prêmio de Regência recebido no festival, atuou como regente assistente da Osesp na temporada 2018. José Soares foi aluno do Laboratório de Regência da Filarmônica e convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Programa de Concerto

O burguês fidalgo é, originalmente, uma comédia teatral de Molière, entremeada com música e dança. Foi apresentada, pela primeira vez, com música de Jean-Baptiste Lully, em 1670, para a corte de Luís XIV, no Castelo de Chambord. A peça conta a história de Monsieur Jourdan, burguês rico que deseja, a todo custo, tornar-se aristocrata. Para tal, empenha-se, arduamente, em aprender as maneiras dos nobres. Com sonhos cada vez maiores de ascensão social, deseja casar sua filha com um nobre, ignorando sua paixão por Cléonte, rapaz da classe média. Cléonte, disfarçado, apresenta-se como filho do sultão da Turquia e ganha o consentimento de Jourdan. A peça termina com uma cerimônia burlesca à moda turca.

No dia 3 de março de 1875, quem estava no Théâtre National de l’Opéra-Comique de Paris, dificilmente imaginaria que aquela ópera que haviam acabado de ouvir se tornaria a mais encenada em todo o mundo. Estamos falando sobre a Carmen de Georges Bizet. O compositor nunca viveu para ver o sucesso estrondoso de sua obra-prima – morreu aos 36 anos, três meses após a première. A música que na estreia foi descrita como bizarra e incoerente, é abundante em grandes melodias, traz uma caracterização arguta dos personagens e tem a força do realismo em sua essência. A heroína do título, uma cigana que trabalha em um fábrica de cigarros em Sevilla, é um somatório de beleza, sedução, liberdade e do espírito espanhol.

Quando Ravel criou o Bolero, jamais imaginou que seu nome ficaria para sempre ligado a essa obra. Nas suas palavras, tratava-se de “dezessete minutos de orquestra sem música”. Ao ser indagado por Honegger a respeito de suas grandes composições, Ravel disse, com um leve toque de ironia: “em toda a minha vida eu compus apenas uma obra-prima, o Bolero. Mas, infelizmente, ele é vazio de música”. Criado por encomenda da bailarina Ida Rubinstein, Ravel decidiu aproveitar na obra um tema que o perseguia há tempos: uma melodia com caráter insistente que ele utilizaria repetidamente, sem desenvolvimento, variando gradualmente o colorido orquestral. Para completar o primeiro tema, compôs um segundo. Muito mais que uma melodia individualizada, o segundo tema funciona como uma espécie de contratema, ou seja, uma melodia que se comporta como um complemento da melodia principal. O Bolero foi estreado no dia 22 de novembro de 1928, no Teatro Nacional da Ópera, em Paris, com o corpo de bailarinos de Rubinstein e coreografia de Bronislava Nijinska. O escândalo que a obra causou em suas diversas apresentações estimulou o compositor a tentar executá-la sem o balé. A versão de concerto foi estreada por Ravel em janeiro de 1930. Hoje uma das partituras mais executadas do repertório internacional, o Bolero pode parecer o resultado de uma composição bem calculada para causar impacto e ser bem sucedida nas salas de concerto. Mas foi com extrema dificuldade que a obra ganhou as graças do público.

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