Gioachino Rossini: Aberturas

Fabio Mechetti, regente
Eduardo Monteiro, piano

|    Allegro 2021

|    Vivace 2021

BRAHMS
ROSSINI
ROSSINI
ROSSINI
Concerto para piano nº 1 em ré menor, op. 15
O barbeiro de Sevilha: Abertura
Uma italiana na Algéria: Abertura
Guilherme Tell: Abertura

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

O carioca Eduardo Monteiro é considerado um dos expoentes do piano no Brasil. Estudou na França, Itália e nos Estados Unidos. Conquistou o 1º lugar no III Concurso Internacional de Colônia (1989), além do prêmio Melhor Intérprete de Beethoven e o 3º lugar nos Concursos Internacionais de Dublin (Irlanda - 1991) e Santander (Espanha - 1992). Foi solista das filarmônicas de São Petersburgo, Moscou, Munique e Bremen. Também se apresentou com a Sinfônica de Novosibirsky, Nacional da Irlanda, Orquestra de Câmara de Viena, da RTV Espanhola, Osesp, OSB, entre outras. Dentre os maestros com os quais já atuou, destacam-se Yuri Temirkanov, Mariss Jansons, Dimitri Kitayenko, Philippe Entremont, Arnold Katz, Sergiu Comisiona, Emil Tabakov, Kirk Trevor, John Neschling, Roberto Minczuk, Isaac Karabitchevsky e Roberto Tibiriçá. Desde 2002 é Professor de Piano do Departamento de Música da ECA-USP. Em 2007, lançou álbum de música brasileira pela Meridian Records no Wigmore Hall de Londres. Em 2008, passou a integrar a Câmera Consultiva de Música do Conselho Estadual de Cultura de São Paulo. Em 2009, tornou-se Livre Docência da USP.

Programa de Concerto

Concerto para piano nº 1 em ré menor, op. 15 | BRAHMS

“No momento, faço uma cópia definitiva do primeiro movimento do Concerto. Estou também pintando um terno retrato teu, que será o Adagio”. Assim Brahms se dirige a Clara Schumann, em uma carta de 1856. A obra a que ele se refere é exatamente o Concerto para piano em ré menor, que foi estreado em janeiro de 1859 tendo o compositor como solista. O opus 15 não é uma obra para que o solista exiba seus dotes particulares. A dificuldade de determinadas passagens (que exigem real bravura do solista) não tem em absoluto esse propósito, mas representa o caminho encontrado pelo compositor para o desenvolvimento de suas ideias musicais. Mais do que a concepção sinfônica da obra, é possível notar uma alternativa inovadora (e ainda hoje atual) para um procedimento que constituiu uma das expressões mais importantes no seio do Classicismo, e que o Romantismo tratou de expandir: integrando o piano à textura orquestral, Brahms antecipou-se ao seu tempo.

“Não consigo parar de pensar em O barbeiro de Sevilha. Por sua abundância de ideias musicais originais, pela verve cômica e declamação precisa, esta é a opera buffa mais bonita que existe”, escreveu Giuseppe Verdi sobre a obra-prima de Gioacchino Rossini. Com uma partitura genial do início ao fim, O barbeiro de Sevilha estreou em Roma no ano de 1816, quando o compositor tinha apenas 24 anos. A abertura original, inspirada por temas espanhóis sugeridos por um dos cantores, foi perdida. Para substituí-la, Rossini retomou (mas construindo uma orquestração mais elaborada) uma de suas composições anteriores, a abertura de Elisabetta, regina d'Inghilterra, que, por sua vez, era também uma derivação de Aureliano in Palmira, outra de suas óperas menos conhecidas. A história de Fígaro rodou o mundo e pode ser ouvida em diversas versões.

Rossini despede-se definitivamente da antiga ópera italiana com Uma italiana na Algéria, ópera bufa com ambientação oriental, composta em 1813 (como O rapto do serralho, composta por Mozart em 1781). A Abertura mostra uma cintilante orquestração, de brilho e habilidade ímpares, na qual os instrumentos de madeira extravasam seus recursos para dar cor e variedade às irresistíveis melodias. Inicia-se com um breve Andante – as cordas em pizzicato e terna melodia no oboé, ao qual se juntam os clarinetes. O ritmo se precipita e os impetuosos primeiros violinos apresentam o Allegro seguinte. Uma nova melodia estabelece um diálogo do oboé com a flauta, antes que um vigoroso crescendo termine a primeira seção. Na segunda parte, o tema principal (confiado à flauta, ao oboé e ao clarinete) torna-se mais dramático com suas modulações. O segundo tema apresenta uma pergunta da flauta e do fagote à qual o oboé responde. E a música se precipita, novamente, em mais um crescendo tipicamente rossiniano.

Uma das páginas mais tocadas de Rossini, a Abertura de sua última ópera continua a servir de trilha para desenhos animados e momentos apoteóticos de apresentações de bandas sinfônicas. Desde sua estreia na Ópera da rua Le Peletier, em Paris, em 3 de agosto de 1929, Guilherme Tell somou cem apresentações só nos primeiros quatro anos. Em quatro movimentos bem distintos, sua Abertura se assemelha a uma sinfonia em miniatura e, por isso, constitui um poema sinfônico. Embora capture as sensações da obra completa, a Abertura retoma nenhum motivo da ópera. Com Guilherme Tell servindo de despedida do mundo operístico, Rossini sai de cena no auge de sua glória.