Graves acordes para a mão esquerda

Fabio Mechetti, regente
Cristian Budu, piano

|    Allegro

|    Vivace

FERNANDEZ
RAVEL
PROKOFIEV
Sinfonia nº 1
Concerto para a mão esquerda em Ré maior
Concerto para piano nº 1 em Ré bemol maior, op. 10

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Cristian Budu é considerado um dos expoentes de sua geração. Dotado de musicalidade genuína e calorosa força de comunicação, sua personalidade artística e sensível toque ao piano vêm sendo internacionalmente reconhecidos. Desde os nove anos de idade, foi laureado com o primeiro lugar em diversas competições nacionais, como o Concurso Nelson Freire 2010 e o Programa Prelúdio da TV Cultura 2007. Em 2013, tornou-se o primeiro brasileiro a vencer o Concurso Internacional de Piano Clara Haskil, na Suíça, considerado um dos mais importantes da atualidade. Essa conquista de Budu tem sido considerada pela crítica nacional como a mais importante premiação a um pianista brasileiro nos últimos vinte e cinco anos. Cristian desenvolve uma carreira intensa como solista e camerista, apresentando-se na América do Sul, Europa, Estados Unidos e Israel. Tocou com a Orchestre de la Suisse Romande, as sinfônicas de Lucerna, da Rádio de Stuttgart, Brasileira, e as filarmônicas de Minas Gerais, de Mendoza, de Montevidéu, bem como a Petrobras Sinfônica.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 1 | FERNANDEZ

1945 foi um importante ano para Lorenzo Fernandez. Além do sucesso comercial do Batuque, nos dez anos anteriores, o regente e compositor também havia realizado sua primeira turnê pela América Latina e tinha sido convidado pelo prefeito de Bogotá para musicar o Hino à raça, de Guillermo Valencia. O Batuque também foi executado em um concerto no Rio de Janeiro pela orquestra da National Broadcasting Corporation, dos EUA, sob regência de Arturo Toscanini. Por fim, Fernandez dividiu o júri de um concurso de composição no Chile com Aaron Copland e Honorio Siccardi. Em junho de 1945, seu Primeiro Concerto, para violino e orquestra, foi executado por Oscar Borgerth sob regência de Erich Kleiber. Logo depois, ficaria pronta também sua Primeira Sinfonia, estreada em 1948 pela Orquestra Sinfônica Brasileira sob regência de Eleazar de Carvalho.

No Concerto para a mão esquerda em Ré maior, os vestígios da Primeira Grande Guerra irrompem como um brado de superação. A obra foi encomendada pelo pianista austríaco Paul Wittgenstein, cujo braço direito fora amputado durante a Guerra. Entretanto, malgrado as circunstâncias que envolvem sua concepção, o Concerto não deixa escapar, diante das vicissitudes, o menor sinal de limitação. Não há concessões, é uma obra densa e virtuosística: diante de um numeroso efetivo instrumental, o piano ora dialoga, ora deixa que outras vozes cantem, ou ainda se contrapõe, com vigor, às investidas do tutti orquestral. Além disso, em duas cadências, o piano, a sós, comenta e expande a expressividade de temas que circulam pela partitura – com vigor e dramaticidade, na cadência após a seção introdutória e, quase ao final do concerto, com delicadeza e intimismo. O Ravel compositor do Bolero, ou de La Valse, pode levar a esquecer o Ravel compositor de um importante catálogo de obras pianísticas. No Concerto para a mão esquerda, ambos nos oferecem, com essa pedra de toque do repertório para piano e orquestra, a experiência de um interesse continuamente renovado.

O Concerto para piano nº 1 foi escrito em 1911 e estreou no ano seguinte na cidade de Moscou. Em 1914, Sergei Prokofiev ganhou o Prêmio Rubinstein executando novamente este concerto. Embora alguns juízes desaprovassem a música, eles ficaram extasiados com a técnica do jovem pianista. A revista Muzyka Miaskovsky defendeu o compositor, enquanto A Voz de Moscou publicou que era inadmissível definir como música uma partitura tão dura, enérgica, rítmica e grosseira. Para confundir ainda mais os pobres ouvidos conservadores, Prokofiev inventivamente embaralhou os componentes da estrutura formal do concerto e fez com que a obra parecesse ter sido concebida de trás para frente. Ela começa com o tutti orquestral dobrado pelo piano num hino grandiloquente típico dos finais arrebatadores dos famosos concertos de Grieg, Rachmaninov e Tchaikovsky. Poulenc, amigo do compositor, definiu a vigorosa introdução como “uma espécie de canto jubiloso atlético” que, aliás, reaparece para encerrar o movimento e, oportunamente, também o concerto. Em seguida, vislumbramos a figura do enfant terrible num solo virtuosístico semelhante a uma cadenza finale que irrompe com a linha melódica inicial, mas que servirá de material temático para o último movimento. Só então surge o tema de notas repetidas, martelado e galopante, apresentado também em solo de piano. O tema das notas repetidas participa do desfile de ideias musicais que irão estruturar o primeiro movimento, reaparecendo no último e contribuindo para dar ao concerto a característica de obra cíclica, interligada e sem interrupções. Segundo Prokofiev, este concerto é a sua “primeira obra mais ou menos madura pelo fato de se tratar de uma nova ideia de som e de uma modificação da forma”. A forma foi vagamente definida por ele como um resultado abstrato, uma “consequência de episódios isolados com estreita relação entre si”. Paradoxos à parte, sendo novidade ou não, a obra é fruto tanto do seu horror à imitação quanto da herança deixada por compositores como Liszt e Mussorgsky.

7 mai 2020
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
compre seu ingresso

O programa deste concerto foi impresso em papel doado pela Resma Papeis.

|    mais informações sobre ingressos

8 mai 2020
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
compre seu ingresso

O programa deste concerto foi impresso em papel doado pela Resma Papeis.

|    mais informações sobre ingressos
Quero ser lembrado deste concerto.
adicione à agenda 07/05/2020 8:30 PM America/Sao_Paulo Graves acordes para a mão esquerda false DD/MM/YYYY
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sáb
26 27 28 29 30 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6