Harpa, sopros e Brahms

José Soares, regente
Cássia Lima, flauta
Alexandre Barros, oboé
Marcus Julius Lander, clarinete
Adolfo Cabrerizo, fagote
Clémence Boinot, harpa

|    Presto

|    Veloce

REGER
HINDEMITH
BRAHMS
Suíte em estilo antigo, op. 93
Concerto para madeiras, harpa e orquestra
Sinfonia nº 2 em Ré maior, op. 73

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, tendo sido seu Regente Assistente desde as duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio (Tokyo International Music Competition for Conducting 2021), recebendo também o prêmio do público. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou com o maestro Claudio Cruz e teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin. Foi orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Pelo Prêmio de Regência recebido no festival, atuou como regente assistente da Osesp na temporada 2018. José Soares foi aluno do Laboratório de Regência da Filarmônica e convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Cássia Lima é Bacharel em Flauta pela Unesp e concluiu seu mestrado e Artist Diploma na Mannes College of Music, Nova York. Foi aluna de João Dias Carrasqueira, Grace Busch, Jean-Nöel Saghaard, Marcos Kiehl e Keith Underwood. Participou dos principais festivais de música do país e venceu concursos importantes, como o II Concurso Nacional Jovens Flautistas, o Jovens Solistas da Orquestra Experimental de Repertório, a Mannes Concerto Competition e o Gregory Award. Tem ampla atuação com música de câmara, integrando o Quinteto de Sopros da Filarmônica e diversos outros grupos em Belo Horizonte. Bolsista do Tanglewood Music Center, atuou como camerista e Primeira Flauta sob regência de James Levine, Kurt Masur, Seiji Ozawa e Rafael Frühbeck de Burgos. Na Minnesota Orchestra foi regida por Charles Dutoit. Foi Primeira Flauta e solista da Osesp, integrando-se à Filarmônica em 2009 como Flauta Principal. Gravou o CD Memória da Música Brasileira com o pianista Miguel Rosselini. Desde 2019, participa do Festival Artes Vertentes, em Tiradentes (MG).

Alexandre Barros iniciou seus estudos com o pai, Joaquim Inácio Barros, e foi aluno de Afrânio Lacerda, Gustavo Napoli, Carlos Ernest Dias e Arcádio Minczuk. Com o Quinteto de Sopros da UFMG venceu o V Concurso de Música da Câmara da universidade. Com o Trio Jovem de Palhetas foi menção honrosa nos concursos Jovens Solistas da Faculdade Santa Marcelina e da Osesp. Recebeu ainda o Prêmio Eleazar de Carvalho. Foi solista das sinfônicas de Minas Gerais, da UFMG, da UFOP, Orquestra Sesiminas, Filarmônica Nova, Sinfônica de Ribeirão Preto, Osesp e Filarmônica de Minas Gerais. Integrou a Osesp e foi Primeiro Oboé da Sinfônica de Ribeirão Preto. Alexandre é Oboé Principal na Filarmônica desde 2008.

Marcus Julius Lander é Bacharel em Clarinete pela Unesp, na turma de Sérgio Burgani. Também foi aluno de Luis Afonso “Montanha” na USP e de Jonathan Cohler no Conservatório de Boston. Atuou como spalla na Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo e chefe de naipe nas orquestras Jovem de Guarulhos, do Instituto Baccarelli e da Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Integrou ainda a Orquestra Acadêmica da Cidade de São Paulo e o Quarteto Paulista de Clarinetas. Nos últimos anos, Marcus Julius foi artista residente em festivais e congressos na China, Peru e Tailândia. Também atuou como jurado e professor em competições de clarinete nacionais e internacionais. Desde 2009, é Clarinete Principal na Filarmônica.

Adolfo Cabrerizo iniciou os seus estudos musicais em Granada (Espanha), sua cidade natal, como pupilo de Joaquín Osca. Em 2007, tornou-se o aluno mais jovem de sopros da Escola Superior de Música Reina Sofia, ocupando a Cadeira de Fagote de Klaus Thunemann. No mesmo ano, foi admitido no Instituto Internacional de Música de Câmara em Madri, onde foi aluno de Hansjörg Schellenberger e Radovan Vlatkovic, sendo convidado por quatro anos consecutivos para o Festival de Santander. Como integrante da Orquestra Jovem da Escola Reina Sofia, apresentou-se em inúmeras ocasiões sob a batuta de maestros de renome, como Zubin Mehta. Adolfo concluiu o mestrado em Performance Musical pela Universidade de Música e Artes Cênicas de Munique e pela Academia Norueguesa de Música, orientado por Dag Jensen. Já atuou com as orquestras da Ópera e Balé Nacional da Noruega, as filarmônicas da Malásia e de Nuremberg, a Sinfônica de Madri e a Orquestra de Rádio da Suécia, entre outras. Em 2020, iniciou um segundo mestrado com o professor Sergio Azzolini na Basileia (Suíça). Adolfo é o Fagote Principal da Filarmônica desde 2022.

Clémence Boinot apaixonou-se pela harpa aos cinco anos e iniciou os estudos do instrumento sob orientação de Isabelle Lagors em sua cidade natal, Cergy-Pontoise, na França. Aos vinte anos, ingressou na Haute École de Musique de Genebra e, orientada por Florence Sitruk, concluiu o bacharelado em 2013. Possui mestrado em Pedagogia e em Performance Solo. Paralelamente aos estudos, realizou música de câmara e foi membro-fundadora do grupo Ensemble Caravelle, premiado na categoria Music and Stage Art pelas Universidades de Alta Especialização do Oeste da Suíça. Clémence apresentou-se em muitas salas de concerto, desde novos espaços, como Sala Santa Cecilia em Roma, Opera di Firenze, Philharmonie de Paris e Sala Minas Gerais; salas tradicionais como Theatro Municipal do Rio, Victoria Hall de Genebra e Abadia de Romainmôtier; e em espaços atípicos transformados, como um estábulo, uma usina e um abrigo antiaéreo. Ingressou na Filarmônica em 2017, como Harpista Principal. Em 2020, teve a possibilidade de retomar suas atividades como professora, parte fundamental da sua prática musical, participando da Academia Virtual Filarmônica, e, em 2021, como mentora da Academia Filarmônica.

Programa de Concerto

Suíte em estilo antigo, op. 93 | REGER

As obras de Max Reger se destacam pela fusão de formas e influências barrocas com uma linguagem harmônica mais cromática. Apesar de sempre ter se afirmado como católico, o compositor alemão buscou inspiração em gêneros mais ligados ao protestantismo, desenvolvendo um estilo próprio que era, ao mesmo tempo, contemporâneo e reverente ao passado – algo que, muitas vezes, lhe custou a compreensão dos críticos da época. Finalizada em 1906, a Suíte em estilo antigo demonstra com clareza a influência de Bach na música de Reger. O primeiro movimento lembra fortemente o Concerto de Brandemburgo nº 3 e o terceiro trata-se de uma fuga, uma das formas bachianas por excelência. Entretanto, apesar do título, a suíte não é simplesmente uma homenagem literal ou um pastiche das tendências de outrora, e contém muitos elementos modernos, como era característico de Reger. Composta originalmente para violino e piano, a obra foi adaptada para orquestra pelo próprio compositor em 1916, poucas semanas antes de sua morte prematura, aos 43 anos.

Quando Paul Hindemith era ainda um jovem compositor, o crítico Paul Bekker afirmou: “Hindemith não compõe simplesmente. Ele faz música”. E não foi o único. A produtividade e inventividade do artista alemão poderiam levar alguém a pensar que a composição – o ofício de organizar notas numa relação significativa – fora suplantada por algum processo automatizado. No entanto, não se trata de algo automático ou mecânico, mas sim da pura constatação de fluência e domínio sobre o material trabalhado – algo que o iguala, em certa maneira, a Bach, Haendel, Haydn e Mozart. Todo o repertório composicional de Hindemith, por mais sério e complexo, sempre reafirma a alegria do processo de compor. O Concerto para madeiras e harpa é um dos mais ricos exemplos dessa característica. Lançado em 15 de maio de 1949 em Nova York, pelas mãos da CBS Symphony Orchestra e sob a direção de Thor Johnson, a peça acompanha a tendência de valorizar os instrumentos de sopro observada nas composições do autor no pós-Segunda Guerra. Orquestrada para trompas, trompetes, trombones e cordas, a partitura também demanda cinco instrumentos solistas: flauta, oboé, clarinete em si bemol, fagote e harpa. É, em essência, um concerto destinado à diversão, porém em largas proporções, o que o posiciona em algum lugar entre a música de câmara e a orquestral.

O jovem Brahms estudou com profundidade Bach, Lassus e Palestrina, ampliando o colorido harmônico e a presença do contraponto em sua obra. A mistura entre aspectos formais herdados da tradição clássica, particularmente de Beethoven, a canção popular alemã e a polifonia desses mestres antigos apresenta-se em sua música com cores e nuances originais. A Sinfonia nº 2 em Ré maior, escrita no verão de 1877, talvez seja a mais lírica e luminosa das quatro obras do gênero criadas pelo compositor. Seu tom primaveril contrasta com o caráter sombrio da Primeira. Na Segunda, a harmonia é cheia de matizes e reflete a mistura de luz e sombra resultante de um cromatismo sutil mesclado com elementos diatônicos. Visto como conservador por seus contemporâneos, justamente por suas influências em termos de composição, Brahms passou a ser revalorizado no início do século XX, especialmente por sua liberdade rítmica e ousadia harmônica.

23 nov 2023
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

24 nov 2023
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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