Identidades sonoras

Natália Larangeira, regente convidada

|    Concertos para a Juventude

BEETHOVEN
SMETANA
BRAHMS
RIMSKY-KORSAKOV
J. STRAUSS JR.
RAVEL
ELGAR
Egmont: Abertura
O Moldávia
Dança Húngara nº 5
Capricho Espanhol, op. 34: Alborada, Variazioni e Alborada
Contos dos bosques de Viena, op. 325
Pavana para uma infanta defunta
Variações Enigma, op. 36: Finale

Natália Larangeira, regente convidada

Graduada em Regência, Natália Larangeira já dirigiu as óperas Comedy on the bridge, de Bohuslav Martinu e L´occasione fa il ladro, de Rossini, além de Sonho de uma noite de verão, de Mendelssohn, a Primeira Sinfonia de Schumann, e a Quarta de Beethoven. Atualmente é regente adjunta da Associação Coral da Cidade de São Paulo e recebe orientação de Osvaldo Ferreira e Abel Rocha. Atualmente recebe orientação do maestro Cláudio Cruz e participa do movimento Mulheres Regentes liderado pela Maestrina Lígia Amadio. Atua como regente titular e diretora artística da Camerata Filarmônica de Indaiatuba, e regente assistente da Orquestra Sinfônica de Santo André.

Programa de Concerto

Egmont: Abertura | BEETHOVEN

A peça Egmont, de J. W. Goethe, tem como tema central a liberação política no século XVI, quando o conde Egmont lidera o povo flamengo em sua revolta contra a tirania espanhola sobre a região de Flandres. Terminou de ser escrita em 1787, quando Beethoven contava então com dezesseis anos. Foi durante esse seu período de adolescência que o jovem gênio teve contato com o trabalho de Goethe e outros autores alemães associados ao movimento literário Sturm und Drang, que valorizava os sentimentos e a originalidade em oposição ao formalismo cultuado anteriormente. A leitura de Goethe e Schiller, principalmente, canalizou aspirações artísticas de Beethoven para os ideais inflamados de liberação pessoal e revolução social. A força comunicativa dessas peças provocava intensa reação do público, e elas certamente tornaram-se modelos estéticos fundamentais para o jovem compositor, que visava ampliar o conteúdo emocional de suas obras. A música de Egmont, porém, só seria escrita anos mais tarde, para uma reapresentação vienense da peça, em maio de 1810. Compõe-se de nove números, incluindo duas canções para a heroína Clärchen. Raramente é executada integralmente; a Abertura, em compensação, tornou-se célebre e permanece obrigatória no repertório das grandes orquestras.

Smetana deixou um legado tão significativo que fez da escola tcheca continuamente fecunda, ao contrário de outras correntes nacionais (como a húngara), que sofreram um eclipse, até se renovarem pelos ares do século XX. De sua música sinfônica, sua obra-prima é sem dúvida o ciclo de seis poemas sinfônicos intitulado MaVlast (Minha Pátria), dentre os quais destaca-se o segundo: Vltava, mais conhecido pelo seu nome em alemão: Die Moldau (O Moldávia). Em O Moldávia, o próprio rio de mesmo nome é o mote do compositor, que o pinta desde suas nascentes, passando por suas corredeiras até o seu desaguar no rio Elba. A obra é, sem dúvida, uma das obras mais conhecidas e executadas de Smetana. Com razão! Ele é uma bela amostra das origens dessa Escola Nacional que ainda hoje mantém frescor e fecundidade.

Originalmente escritas para piano a quatro mãos, as Danças Húngaras estão entre as obras mais conhecidas de Johannes Brahms. Seu interesse pela música cigana cresceu durante uma turnê com o violinista húngaro Eduard Reményi, em 1853. Brahms era conhecido entre os amigos por seu senso de humor e é bem possível que as Danças sejam o melhor exemplo deste lado divertido da personalidade do compositor. São 21 ao todo, publicadas em dois grupos, entre 1868 e 1880. Delas, Brahms também lançou as dez primeiras em versão para piano solo e orquestrou apenas três.

Rimsky-Korsakov buscou na antologia Ecos de España, colección de cantos y bailes populares as melodias que utilizou em seu Capricho. Não é de se surpreender que Korsakov, russo de corpo e alma, tenha se inspirado na terra de Cervantes, já que seu mestre, Mikhail Glinka, havia feito esse mesmo movimento ao criar sua Noite de verão em Madri ou a Jota aragonesa (o curioso é que, ao contrário de seu professor, o pupilo jamais havia pisado na Espanha). A obra completa traz cinco seções: Alborada, Variazioni, novamente Alborada, : Alborada, Scena e canto gitano, e por fim, Fandango asturiano. A composição estreou em 17 de dezembro de 1887, no quinto concerto da série Concertos Sinfônicos Russos, sob a regência do compositor. O concerto foi um sucesso e o Capricho Espanhol se manteria como uma das peças favoritas das salas de concerto mundo afora.

Uma valsa em forma de poema sinfônico. Escrita numa fase em que Johan Strauss Jr. estava tão à vontade que já sentia liberdade para experimentar. A obra Contos dos bosques de Viena foi incluída no programa da primeira edição do Concerto de Ano Novo da capital austríaca, em 1939, que só teve composições de Johann Strauss Jr. Realizado anualmente pela Orquestra Filarmônica de Viena na Sala Dourada do Musikverein da capital austríaca, o espetáculo é atualmente transmitido para aproximadamente cinquenta milhões de pessoas. Dotado de tamanha força expressiva, o opus 325 se tornou uma das mais célebres valsas do compositor.

Nascido na borda dos Pirineus Franceses, a poucos quilômetros da fronteira espanhola, Maurice Ravel nunca deixou de atravessar estes limites geográficos por meio de sua música. Mesmo tendo se mudado para Paris ainda bebê, a fascinação do compositor pela Espanha permaneceu ao longo de toda a vida, uma vez que sua mãe, Marie, havia nascido no país Basco e crescido em Madri. Concebida inicialmente para o piano enquanto ainda era aluno do Conservatório de Paris, Pavana para uma infanta defunta foi o primeiro sucesso popular de Ravel. Ganhou, segundo Roland-Manuel, “a estima dos salões e admiração das jovens que não tocavam piano muito bem”. Considerada uma melhoria em relação à original, a versão para orquestra só ficou pronta mais de uma década depois. Ainda que Pavana seja dedicado à princesa de Polignac, não se trata de uma elegia. “Meu único pensamento foi pelo prazer da aliteração”, uma vez que, na língua espanhola, infanta é um título de nobreza. Pavana, por sua vez, é uma dança característica da região da Pádua, na Itália.

Elgar compôs sua primeira grande obra aos quarenta e dois anos de idade: as Variações Enigma. Uma noite, ao dedilhar o piano descompromissadamente, sua esposa o interrompeu, pedindo que repetisse a música que acabara de tocar. Elgar logo percebeu que havia criado uma bela melodia, e começou a brincar ao piano, alterando o tema da maneira como seus amigos o teriam feito, se fossem músicos. Nasciam ali as Variações para Orquestra, obra que consiste de um tema e quatorze variações, cada uma representando as características íntimas de um amigo do compositor – como a buzina da bicicleta de Baxter Townshend e as oscilações de humor do amigo Penrose Arnold. Terminadas em fevereiro de 1899, as Variações para Orquestra foram estreadas em junho desse ano. Elgar revisou a obra em 12 de julho, estendendo o final a fim de criar uma forma mais simétrica. A nova peça recebeu o título de Variações Enigma graças a uma carta de Elgar, logo após a estreia, dizendo que havia um segundo tema, misterioso, que perpassava todas as variações, não perceptível a ninguém. “O enigma”, disse o compositor, “eu não explicarei”. Esse tema, escondido nas profundezas do tecido musical, deu início a inúmeras especulações. Até hoje, o enigma não foi solucionado.

29 set 2019
domingo, 11h00

Sala Minas Gerais
concerto gratuito

Retirada antecipada*: a partir do dia 24 de setembro, às 12h, apenas na bilheteria da Sala Minas Gerais.
Retirada no dia da apresentação*: 300 ingressos serão distribuídos na manhã do concerto, a partir das 9h, na bilheteria da Sala Minas Gerais.
* Limitada a 4 ingressos por pessoa.

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