Música e Religiosidade

Fabio Mechetti, regente
Ana Lucia Benedetti, mezzo-soprano
Enzo Freitas, sopranino
Concentus Musicum de Belo Horizonte, coro
Iara Fricke Matte, regente do coro

|    Fora de Série

MILHAUD
MIGNONE
BERNSTEIN
VILLA-LOBOS
A criação do mundo, op. 81
Festa das Igrejas
Salmos de Chichester
Magnificat-Aleluia

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Natural de São Paulo, Ana Lucia estudou piano no Conservatório de Música Ars et Scientia e é bacharel em Canto pela Faculdade Mozarteum, na classe de Francisco Campos Neto. Estudou também com Hildalea Gaidzakian, Marcos Thadeu, Regina Elena Mesquita, Gabriel Rhein-Schirato e Eliane Coelho. Desde 2010, obtém orientação vocal de Isabel Maresca. Foi 1º lugar no IX Concurso de Canto Maria Callas, Melhor Voz Feminina no IV Concurso de Canto Carlos Gomes, 3º lugar no IX Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão e finalista do VI Concurso de Interpretação da Canção de Câmara Brasileira. Ana Lucia cantou a Sinfonia nº 2 de Mahler, a Sinfonia nº 9 de Beethoven, A danação de Fausto de Berlioz, o Requiem de Verdi, o Magnificat-Aleluia de Villa-Lobos, sob regência dos maestros Roberto Minczuk, Silvio Viegas, John Neschling e Roberto Tibiriçá, entre outros. Destacou-se como Jacinthe e Ursule em Le Domino Noir de Auber; como Dorothea Frescopane em Le convenienze ed inconvenienze teatrali de Donizetti; como Juno em Orfeu no inferno de Offenbach; e como Lola em Cavalleria Rusticana de Mascagni.

Nascido em Nova Lima, MG, em 2008, desde cedo Enzo Freitas demonstrou grande acuidade auditiva e habilidade musical, desenvolvendo interesse por vários estilos musicais e instrumentos. Aos seis anos iniciou seus estudos de música e em três meses já subia ao palco apresentando-se na bateria. Estuda canto lírico desde 2017, com o professor Marcos Nascimento, e participou de duas edições do Festival Internacional de Corais (FIC) como solista de corais infantis. Além de bateria e canto, também estuda piano e guitarra. Tocando o tambor japonês Taiko, Enzo integra o grupo Raiki Daiko, de Belo Horizonte, o que tem lhe permitido um interessante aprendizado na cultura e tradições nipônicas, além de experimentar novas técnicas e sonoridades. Com o grupo, já alcançou o nível inicial de proficiência e participou do Campeonato Brasileiro de Taiko. Convidado pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, fará sua estreia como solista de orquestra.

O Concentus Musicum de Belo Horizonte estreou em 2016 junto à Orquestra Filarmônica de Minas Gerais na apresentação do Requiem de Mozart, dando início a uma frutífera parceria. Idealizado pela regente Iara Fricke Matte, é um grupo vocal e/ou instrumental misto formado por profissionais altamente qualificados unidos pelo objetivo de contribuir para a difusão da música erudita em uma perspectiva historicamente embasada. Dedica-se à interpretação de obras dos períodos Barroco, Clássico e do Renascimento, bem como de um seleto repertório contemporâneo. O foco do seu trabalho de interpretação está na compreensão do discurso musical e sua relação com o texto poético, a sonoridade, a articulação e rítmica das palavras e também com o contexto histórico das obras. Alguns de seus projetos incluem o Concerto Família Bach e o Concerto Lux Aeterna, este último com obras de compositores modernos e contemporâneos para coro e órgão de tubos.

Regente coral e orquestral, Iara Fricke Matte dedica-se ao estudo e apresentação de obras dos períodos Barroco, Renascimento e Contemporâneo, com ênfase na performance historicamente embasada e na sua afinidade com a música de J. S. Bach. Professora de Regência na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é pós-doutora em Regência pela University of Southern California; doutora e mestre em Regência Coral pelas universidades de Indiana e de Minnesota, Estados Unidos, com especialização em Música Antiga e História da Música. Como regente titular e diretora artística do Ars Nova – Coral da UFMG, realizou concertos no Brasil e no exterior. Dirige a Série Fermata, da UFMG. Em 2016, idealizou o Concentus Musicum de Belo Horizonte. Em 2019, assumiu a regência e direção artística da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFMG e idealizou o Núcleo Estável do Concentus Musicum de Belo Horizonte, grupo vocal com 12 cantores selecionados.

Programa de Concerto

A criação do mundo, op. 81 | MILHAUD

Inspirado pela Antologia Negra de Blaise Cendrars, Darius Milhaud escreveu um interessante balé em um ato. O opus 81 do compositor francês foi poeticamente resumido por Leonard Bernstein da seguinte forma: “A criação do mundo surge não como um flerte, mas como um caso de amor real com o jazz”. Milhaud acreditou encontrar nessa linguagem, até então um idioma ainda novo na música erudita, os elementos estilísticos apropriados para criar um balé africano. Composta em 1923, inscreve-se na moda europeia da época, fascinada pelas origens remotas da humanidade, em um ambiente dominado pelas forças incontroláveis da natureza. A obra descreve a criação do mundo, vista pelo olhar de um aborígine. Dividida em cinco partes, ela parte do caos antes da criação do mundo e vai gradualmente aumentando a intensidade, passando pelo surgimento das plantas, insetos, aves, quadrúpedes. Em seguida, o auge é apresentado com a criação do homem e da mulher, e o subsequente desejo simbolizado aqui pelo clarinete. Representada pelo beijo, a conclusão da peça é iniciada pelo oboé, suavemente dando espaço para a flauta, até a despedida com o saxofone.

Em sua autobiografia intitulada A Parte do Anjo, Francisco Mignone reflete sobre o espírito da orquestração respighiana que pode ser encontrado em Festa das Igrejas. "Tenho uma tendência (tendência, não), uma facilidade muito grande para imitar outros autores. Deverei recusar isso? Absolutamente não. Ninguém é inteiramente pessoal. O que devo é organizar essa faculdade de maneira a me aproveitar do alheio, transformando esse alheio em aquisição minha". Escrita a partir de um poema enviado a Mignone por Mário de Andrade, a obra fora lançada somente 12 anos após a vinda ao Brasil do compositor Ottorino Respighi. Na ocasião, o italiano executou os poemas sinfônicos Fontes de Roma e Pinheiros de Roma. Empolgado com a apresentação, Mário de Andrade convenceu Mignone a escrever “coisas como o Respighi”, conta. Conhecida como uma das mais expressivas peças dentro da carreira de Mignone, Festa das Igrejas alcançou expressivo reconhecimento devido, entre outros fatos, à gravação feita pela Orquestra Sinfônica da NBC em Nova York sob a batuta de Aturo Toscanini.

Ao longo de sua carreira, uma das principais dificuldades de Bernstein foi balancear o trabalho à frente da Filarmônica de Nova York com os frutos de seu status de celebridade mundo afora. Consequentemente, sobrava pouquíssimo tempo para se dedicar a novas composições. Foi só depois de tirar um ano sabático, em 1965, que Bernstein conseguiu tempo para criar. É neste contexto que surgem os Salmos de Chichester. Feito sob encomenda “para o reverendo Walter Husy, decano da Catedral de Chichester, Sussex, para o Festival de 1965”, cada um dos três movimentos inclui um salmo completo – e a partitura está toda em hebraico. Assim como boa parte das composições feitas durante o sabático, ela está firmemente calcada na tonalidade, como o próprio Lenny explicou em entrevista: “passei quase o ano todo escrevendo músicas dodecafônicas e coisas ainda mais experimentais. Eu estava feliz com os novos sons, mas, depois de seis meses de trabalho, eu joguei tudo fora. Simplesmente não era a minha música, não era honesto. O resultado final foi Salmos de Chichester, a mais acessível de todas, a mais ‘Si bemol maior’ que eu já consegui escrever”.

Os últimos 15 anos da vida de Heitor Villa-Lobos (1817 – 1959) representam o momento de maturidade na carreira do nosso maior compositor. Muitas de suas partituras mais emblemáticas foram feitas nesse período. Entre elas estão as Bachianas Brasileiras nº 9, as sinfonias nº 8, 9 e 10. Feita nessa época, exatamente no ano de 1958, Magnificat-Aleluia foi encomenda da Associação Italiana de Santa Cecília. A obra foi concebida como parte de um suplemento musical que seria oferecido ao papa Pio XII. Villa-Lobos a escreveu tendo como base a passagem bíblica que relata o canto de alegria de Maria ao receber a notícia de que conceberia e geraria o filho de Deus. A orquestra acompanha a solista e o coro adiciona tons melódicos à estrutura da composição. O órgão, peça chave da partitura, é usado como acompanhamento à orquestração.

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5 out 2019
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais INGRESSOS ESGOTADOS