Música Vocal

Fabio Mechetti, regente
Gabriella Pace, soprano
Leonardo Neiva, barítono
Coral Lírico de Minas Gerais, coro
Lara Tanaka, regente do coro

|    Fora de Série

CHAUSSON
RAVEL
FAURÉ
Poema do amor e do mar, op. 19
Três poemas de Stéphane Mallarmé
Requiem, op. 48

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Vencedora do Prêmio Carlos Gomes 2010 pela participação na ópera A Menina das Nuvens, Gabriella Pace já cantou sob a regência de maestros como Lorin Maazel, Isaac Karabtchevsky, John Neschling, Roberto Minczuk, Rodolfo Fischer, Luiz Fernando Malheiros, Fabio Mechetti, Sílvio Viegas e Abel Rocha. Foi Ilia em Idomeneo, Eurídice em Orfeo ed Euridice, Giulietta em I Capuleti e i Montecchi, Susanna em As Bodas de Fígaro, Ceci em Il Guarany e Pamina em A Flauta Mágica, dentre muitas outras. Desde 2005 faz parte do trio Duetos e Canções, ao lado do pianista Gilberto Tinetti e da mezzo-soprano Adriana Clis, apresentando-se em recitais de música de câmara por todo o país. Gabriella iniciou os estudos com o pai, Héctor Pace, e foi aluna de Leilah Farah e Pier Miranda Ferraro.

Nascido em Brasília, o conceituado barítono Leonardo Neiva é conhecido por sua desenvoltura cênica e versatilidade vocal. Foi revelado aos 23 anos ao ser Fígaro em O barbeiro de Sevilha, de Rossini, e, desde então, é convidado para apresentar-se em teatros do Brasil e do exterior. Leonardo foi muito elogiado pela crítica especializada ao representar o papel de Ford em Falstaff, de Verdi, junto à Osesp na Sala São Paulo. Outros papéis de destaque são Kurwenal em Tristão e Isolda de Wagner no Festival Amazonas de Ópera, e Zurga da ópera Les Pêcheurs de Perles de Bizet no Teatro Municipal de Santiago, no Chile. Integrou o elenco de Carmina Burana de Carl Orff no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, e de Rienzi de Wagner no Théâtre du Capitole, na cidade francesa de Toulouse. Apresentou-se também em recitais e concertos na Itália, Espanha, Portugal, Colômbia e EUA. Gravou em 2010 o álbum Clamores, com canções de música contemporânea do compositor Jorge Antunes.

O Coral Lírico de Minas Gerais é um dos raros grupos corais que possui programação artística permanente e interpreta repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. Participa da política de difusão do canto lírico promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado (FCS), a partir da realização dos projetos Concertos no Parque, Lírico Sacro, Sarau ao Meio-dia e Lírico em Concerto, além de concertos em cidades do interior de Minas e capitais brasileiras, com entrada gratuita ou preços populares. Participa também das temporadas de óperas realizadas pela FCS. Já estiveram à frente do Coral os maestros Luiz Aguiar, Marcos Thadeu, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Ângela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Sílvio Viegas, Charles Roussin, Afrânio Lacerda, Márcio Miranda Pontes, Lincoln Andrade e Lara Tanaka. Criado em 1979, o Coral Lírico de Minas Gerais tornou-se Patrimônio do Estado em 2018 e comemorou quarenta anos em 2019.

Estudou piano no Conservatório Mineiro de Música e Regência na Escola de Música da UFMG. Foi aluna de Sérgio Magnani, Roberto Tibiriçá, Cláudio Ribeiro, Per Brevig, Mogens Dahl e Nelson Niremberg. Em 2000, regeu As bodas de Fígaro, de Mozart, com a Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFMG. Ministrou aulas de Regência no 33º Festival de Inverno da UFMG e, em 2001, dirigiu a oficina de coral infantil no Festival Nacional de Música de Câmara na Paraíba. Lara Tanaka atua como cravista continuísta em diversos grupos de música antiga e com as orquestras da Musicoop, da Universidade Federal de Ouro Preto e a Sinfônica de Minas Gerais. Atuou como regente titular do Coral Infantojuvenil Palácio das Artes de 2001 a 2015. Atualmente é a regente titular do Coral Lírico de Minas Gerais.

Programa de Concerto

Poema do amor e do mar, op. 19 | CHAUSSON

Membro de uma abastada família parisiense, Ernest Chausson teve contato com as artes desde a infância. Durante a juventude, seu interesse por literatura e poesia – além, obviamente, da música – não o impediram de trilhar o caminho determinado pelos pais. Só depois de completar os estudos em Direito, ingressou no Conservatório de Paris, onde foi aluno de César Franck. É notável a influência do compositor e professor na obra e no percurso de Chausson. No entanto, sua marca foi ofuscada após visitas a Bayreuth, Alemanha, em 1882 e 1883, onde Chausson teve contato com as óperas de Wagner. A partir daí, tornou-se o mais wagneriano dos compositores franceses. De volta das peregrinações alemãs, o compositor começou uma de suas mais ambiciosas obras. Criada a partir dos textos de Maurice Bouchor, a versão musicada do Poema do amor e do mar foi gestada entre 1882 e 1890, com uma revisão em 1893. Na estreia, Chausson acompanhou ao piano o tenor Désiré Demest, em apresentação em 21 de fevereiro de 1893, em Bruxelas. Em 8 de abril do mesmo ano, a versão orquestral teve sua primeira apresentação com a Orchestre de la Société Nationale de Musique, sob a direção de Gabriel Marie.

Em março de 2013, Ravel foi à pequena vila de Clarens, em Montreux, Suíça, para preparar com Stravinsky uma edição de Khovantchina, ópera de Mussorgsky. A empreitada operística e Três Poemas da Lírica Japonesa, um dos trabalhos apresentados por Stravinsky a Ravel, deram ao compositor francês a ideia de tentar algo próprio, para voz e conjunto de câmara. Ainda em Clarens, Ravel escolheu três poemas do simbolista Stéphane Mallarmé para musicar. O primeiro deles, Suspiro foi completado ainda na Suíça. “Considero Mallarmé não só o maior poeta francês, como também o único, pois (...) exorcizou essa língua, como mágico que era. Libertou os pensamentos alados e os devaneios inconscientes de sua prisão”, dizia Ravel. Os Três poemas de Stéphane Mallarmé foram completados e apresentados pela primeira vez ainda no mesmo ano.

Essa serena missa de mortos em todo destoa de trabalhos anteriores, como os de Berlioz, Verdi e Mozart. A primeira execução pública do Requiem de Gabriel Fauré, em 16 de janeiro de 1888 na Igreja da Madeleine, em Paris, teve uma fria recepção. Em evidente ruptura com a tradição musical dos Requiem românticos, o compositor optou por se concentrar na ideia da paz e do repouso eterno. Feita em memória do pai do compositor, a partitura apresenta uma paradoxal e delicada mistura de inocência e sabedoria, que gerou estranheza entre os críticos. “Tem sido dito que o meu Requiem não expressa medo pela morte e alguém o chamou de canção de ninar fúnebre. Mas é assim que eu vejo a morte, uma entrega feliz, uma aspiração à felicidade celestial, mais do que uma experiência dolorosa”, o compositor afirmou muitos anos depois, em 1902. No entanto, a surpreendente leveza na música se deve a muitas escolhas composicionais que aprimoram a visão de Fauré sobre vida e morte: os violinos, normalmente divididos em duas seções, aqui aparecem em uma; já as violas e os violoncelos são divididos em primeira e segunda seção. Não há agitação e carga dramática. A extraordinária sutileza de Pie Jesu e In Paradisum transformaram esses dois movimentos em algumas das mais belas melodias do compositor.

5 set 2020
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
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