O enigma de uma sinfonia

Fabio Mechetti, regente
Danielle Akta, violoncelo

|    Allegro

|    Vivace

LEVY
FAURÉ
SAINT-SAËNS
BEETHOVEN
Werther – Abertura Dramática
Elegia, op. 24
Concerto para violoncelo nº 1 em lá menor, op. 33
Sinfonia nº 8 em Fá maior, op. 93

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Eleita pelo jornal nova-iorquino Daily Gazette como uma das dez artistas da música clássica de 2016, a violoncelista Danielle Akta atualmente estuda na Academia Barenboim-Said, em Berlim, sob orientação de Frans Helmerson. Nascida em 2002 em Israel, em uma família de músicos, recebeu em 2016 o prêmio Oleg Yankovsky na categoria Jovem Artista. Já se apresentou com a Filarmônica de Israel, da Rússia, da Cidade do Cabo e também com a Sinfônica de Cannes e de Jerusalém. Atuou como solista em palcos como Lincoln Center e Carnegie Hall, ambos em Nova York, Barbican, em Londres, e Tchaikovsky Concert Hall, em Moscou.

Programa de Concerto

Werther – Abertura Dramática | LEVY

Filho de um clarinetista e comerciante, Alexandre Levy teve contato com a música desde cedo, o que contribuiu para significativa produção musical mesmo com uma morte precoce, aos 28 anos. Em São Paulo, ajudou a fundar o Clube Haydn e o Clube Mendelssohn. No fim do século XIX, os ambientes sociais estavam inquietos diante da iminência do Abolicionismo e da República. Nesse contexto, embarcou para viagem pela Itália e pela França em 1897. Compôs, no ano seguinte, diversas obras orquestrais de fôlego. Entre eles está Werther, inspirado no personagem título de Os sofrimentos do jovem Werther, obra de Goethe que marca o início do Romantismo alemão. Maria Alice Volpe explica que, no repertório de Levy, Werther é seu maior exemplo no quesito “obras que exploram a nova morfologia romântica de grande extensão, o poema sinfônico”.

Gabriel Fauré foi um dos poucos compositores do fim do Romantismo que não se rendeu ao monumental. Seu estilo era constituído por "delicadeza e profundidade, mas também de força calculada", como observou o autor Jean-Michel Nectoux. Escrita originalmente para violoncelo e piano em 1880, a Elegia, op. 24 é um clássico exemplo de como sua música pode ser simultaneamente íntima e direta, sem se render ao simplismo ou à reticência. Somente quinze anos depois, em 1895, e a pedido do maestro Edouard Colonne, a peça foi orquestrada. Nesta versão, o violoncelo é acompanhado de pares de flautas, oboés, clarinetes e fagotes, quatro trompas e orquestra de cordas. A estreia de Elegia foi conduzida por Pablo Casals, com a Sociedade Nacional de Música, em Paris, em 26 de abril de 1901.

Saint-Saëns começou a estudar piano aos três anos e, aos onze, apresentou-se na Sala Pleyel, em Paris. Em sua longa carreira (tinha 81 anos quando realizou sua última turnê aos Estados Unidos) conheceu os principais compositores franceses, de Berlioz a Debussy. Foi aluno de Gounod e professor de Fauré. Inquestionável é seu papel histórico na renascença da música instrumental francesa. Entre os concertos, o primeiro dedicado ao violoncelo, op. 33, impõe-se pelo equilíbrio formal e o uso idiomático do instrumento solista. O violoncelo é explorado em todo seu potencial, com maestria e propriedade, sobretudo pela valorização da riqueza de seu registro grave médio. Quanto à forma, a grande particularidade da obra consiste no encadeamento de seus três movimentos em um só, para, juntos, se estruturarem como um allegro de sonata: o Allegro non troppo (correspondente à exposição e ao desenvolvimento) apresenta dois temas que se desenvolvem de maneira bastante expressiva. O Allegretto con moto (formalmente, um intermezzo) adota o ritmo de minueto e tem um caráter introspectivo, muito apropriado ao instrumento solista. O Molto allegro (reexposição/recapitulação) acrescenta novo material temático e conclui a obra com elegância e beleza.

Embora os primeiros esboços da Sinfonia nº 8 datem de 1811, foi apenas a partir de maio do ano seguinte que Beethoven pôde realmente se dedicar à obra. No final de setembro a composição já estava pronta e em outubro Beethoven confeccionava a partitura definitiva. A estreia se daria dois anos mais tarde, em 27 de fevereiro de 1814, em um concerto em Viena regido pelo próprio compositor. Sob vários aspectos, a Oitava nos remete às sinfonias de Haydn, especialmente à Sinfonia nº 101 (“O relógio”): por suas dimensões, no colorido e, principalmente, pelo tratamento temático.

19 mar 2020
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

20 mar 2020
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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