O sopro lírico da trompa – filho

José Soares, regente
Eric Terwilliger, trompa

NEPOMUCENO
R. STRAUSS
MENDELSSOHN
Suíte Antiga, op. 11
Concerto para trompa nº 2 em Mi bemol maior
Sinfonia nº 3 em lá menor, op. 56, "Escocesa"

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou Regência Orquestral com o maestro Cláudio Cruz, em um programa regular de masterclasses em parceria com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Participou como bolsista nas edições de 2016 e 2017 do Festival Internacional de Inverno Campos do Jordão, sendo orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich. Recebeu, nesta última, o Prêmio de Regência, tendo sido convidado a atuar como regente assistente da Osesp em parte da temporada 2018, participando de um Concerto Matinal a convite de Marin Alsop. Foi aluno do Laboratório de Regência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Em julho deste mesmo ano, teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin, como parte do programa de Regência do Festival de Música de Parnü, Estônia. Atualmente cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Aos seis anos, o pequeno Eric Terwilliger já tocava trompete, piano e violão. Aos 15 anos, trocou o trompete pela trompa e, desde então, passou a estudar trompa com Philip Farkas e Ethel Merker na Universidade Jacobs de Música, em Indiana (EUA). Sua carreira na música orquestral começa definitivamente em setembro de 1975, com a posição de trompista principal na Staatstheater Kassel, na Alemanha. De 1976 a 2007, assumiu o mesmo posto na Filarmônica de Munique. Desde então, aceitou o convite para se tornar o chefe de naipe da Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara. Desde 1986, Terwilliger também atua como trompista principal convidado da Filarmônica de Berlim. Ao longo de suas mais de quatro décadas de carreira, tocou em diversos palcos na América, Ásia, Europa e Nova Zelândia sob a batuta de Sir Simon Rattle, Mariss Jansons, Ricardo Muti, Claudio Abbado, Sergiu Celibidache e Lorin Maazel. Também atua como professor de trompa na Universidade de Música e Artes Cênicas de Munique desde 2007.

Programa de Concerto

Suíte Antiga, op. 11 | NEPOMUCENO

Em 1890, o cearense Alberto Nepomuceno ficou em terceiro lugar no concurso para a escolha do Hino à Proclamação da República. O prêmio em dinheiro possibilitou que o compositor finalmente realizasse o desejo de fixar-se em Berlim para estudar na Escola Superior de Música (entre 1890 e 1892) e no Conservatório Stern (entre 1892 e 1894). Para as provas finais do conservatório, em maio de 1894, Nepomuceno regeu a Orquestra Filarmônica de Berlim, executando duas obras de sua autoria: Scherzo e Suíte Antiga. Chave na formação da linguagem de Nepomuceno, a Suíte Antiga revela influências de Brahms e da Suíte Holberg, de Edvard Grieg. Divisor de águas na carreira do compositor, o concerto incitou sua ambição de uma carreira internacional de compositor e regente. Um dos compositores mais influentes da geração entre Carlos Gomes e Villa-Lobos, Nepomuceno ajudou a criar no Brasil algumas das primeiras orquestras dedicadas ao repertório sinfônico.

Quinze anos separam os dois concertos para trompa de Richard Strauss. O primeiro fora produzido para seu pai, Franz Strauss, o trompista mais respeitado de seu tempo. O segundo, ainda que tenha sido um exercício nostálgico e um olhar para o seu passado musical já com cinquenta anos de experiência, apresenta sutilezas de harmonia e timbre que ele não teria conseguido na juventude. A intenção de R. Strauss era de não mais compor. Ele já tinha confessado a Stefan Zweig, em uma carta de 1933, que já não se sentia mais capaz de produzir obras à altura de seus maiores trabalhos. Para piorar, a interferência do governo nazista nos assuntos musicais, atrelada às dificuldades sem sentido do mundo da ópera, como censuras e a imposição de condições absurdas, reforçou ainda mais o desejo do compositor por aposentadoria. No entanto, em 1941, logo após a conclusão de Capriccio, sua décima quinta ópera, o compositor iniciou a escrita do Concerto para trompa nº 2. Para conseguir compor e não ter de lidar com interferências no trabalho, R. Strauss migrou da ópera para a música absoluta. A partitura foi terminada em meados de 1942, e a estreia ocorreu no ano seguinte, no Festival de Salzburgo, com solo de Gottfried von Freiberg e condução de Karl Böhm.

Quando Felix Mendelssohn contava vinte anos de idade, seu pai, rico banqueiro de Berlim, decidiu patrocinar-lhe uma viagem de três anos pela Europa, para que o filho tentasse uma carreira no exterior. Entre 1829 e 1832, Felix visitou o Reino Unido, Bavária, Áustria, Suíça, Itália e França. Em 30 de julho de 1829, em Edimburgo, Mendelssohn encontrou a inspiração para a sua Sinfonia Escocesa: “hoje visitamos o castelo de Holyrood, onde a Rainha Maria viveu e amou. A capela ao lado está sem teto e repleta de mato e erva. Foi neste altar, hoje em ruínas, que ela foi coroada Rainha da Escócia. Acredito ter encontrado, hoje, o início de minha Sinfonia Escocesa”. Durante o inverno de 1830/1831, em Roma, Mendelssohn começou a compor sua Sinfonia nº 3. Mas logo teve de deixá-la de lado, pois sua atmosfera não condizia com o clima ensolarado da Itália: “não consigo recuperar o cenário enevoado da Escócia”. Apenas dez anos depois ele retomaria a composição da Terceira, terminando-a em Berlim, em janeiro de 1842. A primeira apresentação aconteceu em março, em Leipzig, sob a regência do autor. Em 13 de junho Mendelssohn regeu sua Sinfonia nº 3 em um concerto com a Philharmonic Society, em Londres. O enorme sucesso o encorajou a dedicá-la à Rainha Vitória, que tanto admirava sua música.

Quero ser lembrado deste concerto.
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