O violoncelo, a saudade e Dvorák – filho

Fabio Mechetti, regente
Asier Polo, violoncelo

SANTORO
ROUSSEL
DVORÁK
Brasiliana
Baco e Ariadne, op. 43: Suíte nº 2
Concerto para violoncelo em si menor, op. 104

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Asier Polo nasceu em Bilbao, na comunidade autônoma do País Basco, Espanha, onde desde cedo começou a se destacar entre os violoncelistas mais importantes de sua geração. Aperfeiçoou-se com Elisa Pascu, María Kliegel e Ivan Monighetti. Polo tem sido capaz de combinar a música moderna com o grande repertório tradicional, contemplando desde as Suítes de Bach, passando por concertos clássicos e românticos, até a música contemporânea. É detentor de vários prêmios, como o Ojo Crítico pela Radio Nacional da Espanha (2002) e o Prêmio Fundação CEOE de Interpretação Musical (2004). O músico gravou para selos importantes, como Claves, RTVE, Marco Polo e Naxos, executando peças de compositores como Usandizaga, Villa-Rojo, Escudero e Rodrigo. Atualmente, é professor no Centro Superior de Música del País Vasco. Asier Polo se apresenta com o violoncelo Francesco Rugieri (Cremona, 1689).

Programa de Concerto

Brasiliana | SANTORO

Nascido em Manaus em 1919, Claudio Santoro transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a juventude, estudou música e formou-se violinista. No Rio, foi professor e integrou a Orquestra Sinfônica Brasileira. Em 1940, teve sua primeira obra editada e seus estudos com H. J. Koellreutter levaram-no ao atonalismo e à técnica dodecafônica, assim como ao movimento Música Viva, de que foi um dos membros mais atuantes. Foi a Paris em 1947 e estudou com Nadia Boulanger (composição) e Eugène Bigot (regência), a partir do qual começou a receber reconhecimento internacional. Dentre os prêmios recebidos fora do Brasil, em 1948 foi agraciado pela Fundação Lili Boulanger, cujo júri era composto por Stravinsky, Koussevitsky e Nadia Boulanger. No mesmo ano, participou do “Congresso de Compositores Progressistas” de Praga. Desde então, convicções político-ideológicas levaram-no a aderir à orientação estética do nacionalismo. Na década de 1950, Santoro recebeu o Prêmio Internacional da Paz, em Viena, e desenvolveu na Europa intensa atividade como regente, além de compor muito para cinema e criar a Orquestra de Câmara da Rádio MEC. No início dos anos 1960, abandonou a orientação nacionalista e voltou à composição atonal. A Brasiliana pertence à fase nacionalista do autor. Composta em 1954 enquanto vivia em São Paulo, a peça segue o modelo barroco dos três movimentos Allegro/Adagio/Allegro. Sua estreia ocorreu em 1958, com a Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sob regência do próprio compositor.

A música entrou tardiamente na vida de Albert Roussel, perto dos trinta anos. Foi somente depois de se aposentar da marinha francesa após oito anos de serviço que o compositor começou seus estudos na Schola Cantorum. Sete anos mais novo que Debussy, seis anos mais velho que Ravel, Roussel foi, por muitos anos, um discípulo de Debussy, além de carregar também uma certa inclinação a Wagner. Entretanto, sua fascinação pela Índia e pelo Extremo Oriente o ajudaram a encontrar seu próprio caminho. Em uma análise sobre o trabalho de Igor Stravinsky, é possível perceber as reflexões de Roussel a respeito de seu próprio trabalho: “Debussy deu à música obras primas incomparáveis, mas o seu tempo passou, e seus imitadores têm pouco a contribuir para a música do nosso tempo, como os imitadores de Wagner. Inquestionavelmente, foi Stravinsky quem nos mostrou o caminho para o futuro”. O opus 43 de Roussel é um clássico exemplo de seu estilo, em que, ambas, as habilidades teatrais e sinfônicas alcançam igual competência. A obra estreou em 22 de maio de 1931 na Ópera de Paris, coreografada por Serge Lifar. Idêntica ao segundo ato do balé, a Suíte nº 2 começa com o acordar de Ariadne.

Filho de um humilde artesão da aldeia de Nelahozeves, na Boêmia, Antonín Dvorák tornou-se doutor honoris causa pela Universidade de Cambridge, foi professor nos conservatórios de Praga e Nova York (1892 – 1895) e apresentou-se na Rússia, por indicação de Tchaikovsky. Sua vasta produção inclui nove sinfonias, óperas, peças para piano e para diversas formações camerísticas, grandes peças corais, além de três concertos — para piano, violino e violoncelo. O Concerto para violoncelo em si menor, op. 104 foi composto por encomenda do famoso violoncelista Hannus Wihan, durante o inverno de 1894-1895. É a última obra americana de Dvorák. Retornando logo depois à Tchecoslováquia, o compositor ficou muito abalado pela notícia da morte de sua cunhada, que fora seu primeiro amor e por quem tinha profunda afeição. Para homenageá-la, fez algumas alterações em sua partitura, acrescentando uma citação de um de seus Cantos, op. 82, justamente a canção predileta de Joséphine Kounicova. Nessa versão final, tão convincente, Dvorák aboliu a cadência que Hannus Wihan compusera para o concerto. A estreia ocorreu em Londres, em 19 de março de 1896, com o violoncelista Leo Stern (mais tarde, o próprio Wihan tornou-se um célebre intérprete da obra).

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