Os três grandes balés

Fabio Mechetti, regente

|    Allegro 2021

|    Vivace 2021

STRAVINSKY
STRAVINSKY
STRAVINSKY
O pássaro de fogo: Suíte (versão 1919)
Petrushka (versão 1947)
A Sagração da Primavera

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Programa de Concerto

O pássaro de fogo: Suíte (versão 1919) | STRAVINSKY

Em 1910, aos 28 anos de idade, Igor Stravinsky escreveu a obra que o tornaria instantaneamente famoso em toda a Europa: o balé O pássaro de fogo. Os Balés Russos, liderados por Sergei Diaghilev, tinham feito seu début em Paris no ano de 1909. Para a temporada de 1910, Diaghilev propôs ao jovem Stravinsky escrever um balé baseado na fábula russa do Pássaro de Fogo. A estreia ocorreu em 25 de junho, na Opéra de Paris, sob a direção do grande Gabriel Pierné e coreografia de Mikhail Fokin. Stravinsky, no entanto, julgou que a dança não fazia justiça à música. Desejoso de mostrar ao mundo a universalidade de sua obra, criou, em 1911, uma suíte orquestral praticamente idêntica à partitura original. Mas, percebendo que, ao transformar um balé em uma obra de concerto, mais modificações deveriam ser feitas, ele recria a partitura e, em 1919, estreia aquela que seria a mais conhecida versão de concerto de O pássaro de fogo. Em 1945 ainda compôs uma terceira versão para concerto, dessa vez bastante fiel à partitura original do balé, a fim de assegurar seus direitos autorais, já que as leis americanas não reconheciam os tratados europeus. Embora fortemente influenciada pelas obras de Rimsky-Korsakov e pela tradição folclórica russa, O pássaro de fogo prima por uma originalidade sem precedentes na história. Música extremamente imaginativa, com atmosferas inusitadas, ritmos complexos, melodias sugestivas e efeitos orquestrais espetaculares.

Em Petrushka, desde os compassos iniciais, Stravinsky conduz o ouvinte através de um cenário multicolorido, no qual a diversidade de atmosferas e de timbres, a vivacidade da invenção rítmica e a riqueza de contrastes convidam à imersão em um mundo singular. A história do fantoche, que se emociona, cria alma e não passa imune aos acasos da “existência”, ecoa em cada um de nós, por sua humanidade, conduzida pela magia da invenção musical stravinskiana. Petrushka é um dos três ballets da chamada “fase russa” de Stravinsky. Estreada em 1911, ladeada por duas outras obras marcantes – O Pássaro de Fogo (1910) e A Sagração da Primavera (1913) –, ocupa lugar importante na multifacetada produção do compositor. É quase mesmo uma preparação oportuna e bem-vinda para o cometimento da Sagração, um meio caminho no qual traços significativos da personalidade do compositor já se impunham.

A Sagração da Primavera é uma obra atemporal. O argumento que lhe dá origem é um mergulho na noite dos tempos, e sua realização musical parece ter, ao lado de uma evidente modernidade, algo de uma força atávica. Segundo o compositor, a ideia da obra lhe ocorreu a partir da visão de uma jovem, circundada por sábios, em uma dança ritual que culminaria em sua morte – oferenda para tornar propício o deus da primavera. O passo seguinte foi dado quando Stravinsky e seu amigo Nikolai Roerich – pintor e intelectual interessado na antiguidade eslava – idealizaram o cenário de danças e de ritos encantatórios que serviria de fio condutor para a obra. Desta, costuma-se lembrar do argumento ou das audácias musicais mais diversas – harmonias, texturas, invenções orquestrais, rítmica –, mas nem sempre se dá ênfase ao contexto em que veio a público pela primeira vez. Após a tumultuada estreia, em 29 de maio de 1913, no Théâtre des Champs-Elysées, Stravinsky relatou: “estávamos excitados, zangados, desgostosos e… felizes”. Muito embora as obras anteriores – O pássaro de fogo e Petrushka –, encomendadas pela companhia dos Balés Russos, já apresentassem facetas particulares da linguagem stravinskyana – a paleta orquestral do primeiro e, do segundo, uma evidente vivacidade rítmica –, é com a Sagração que ocorre, de modo peculiar, a eclosão de uma rítmica arrebatadora e de um tratamento motívico particular, ao qual se subordinam breves fragmentos melódicos.

16 dez 2021
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

17 dez 2021
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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