Piano a quatro mãos – filho

Fabio Mechetti, regente
Celina Szrvinsk e Miguel Rosselini, duo de piano

SMETANA
MENDELSSOHN
BRAHMS/Schoenberg
O campo de Wallenstein, op. 14
Concerto para dois pianos em Mi maior
Quarteto em sol menor, op. 25

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia, Itália e Dinamarca. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School. Em 2022, fará sua estreia com a Filarmônica do Teatro Colón, em Buenos Aires, e a Sinfônica da Colômbia, em Bogotá.

Formado em 1984, o duo pianístico Celina Szrvinsk e Miguel Rosselini é reconhecido como um dos mais destacados do país, com apresentações nas principais séries e salas de concerto do Brasil. No exterior, apresentou-se na Alemanha, Suíça, Itália, Canadá, Rússia e Japão. Como solistas, Celina e Miguel atuaram com as orquestras Sinfônica Estadual de São Paulo, Sinfônica de Minas Gerais, Filarmônica de Minas Gerais, Filarmônica de Câmara da Polônia, Filarmônica de Baden-Baden, Bach-Orchester Herzogtum-Lauenburg, dentre outras. Na Alemanha, gravaram, em 1998, álbum com obras de compositores brasileiros e alemães. Um segundo CD, gravado em 2005, foi citado, pelas revistas Diapason e Continente, entre as melhores gravações brasileiras do ano. Desde 1985, são docentes da Escola de Música da UFMG, sendo muitos de seus alunos destacados musicistas e professores. Os dois têm sido convidados a participar de importantes festivais de música e como jurados de concursos de piano no Brasil e no exterior. Paralelamente às atividades artísticas e de ensino, Celina e Miguel desenvolvem ainda intenso trabalho como produtores, sendo responsáveis pelo Festival de Maio e pelas séries Concertos Didáticos e Concertos Teatro Bradesco.

Programa de Concerto

O campo de Wallenstein, op. 14 | SMETANA

Os poemas sinfônicos de Bedrich Smetana formam o núcleo de sua produção orquestral. Ele começou a compor os dois primeiros, Richard III e O campo de Wallenstein, em Gotenburgo, Suécia, no apagar de 1858, após visitar Liszt em Weimar (Alemanha) no ano anterior. Escrita a partir da primeira parte da trilogia do dramaturgo alemão Friedrich Schiller, a partitura de seu opus 14 ficou pronta em janeiro de 1859. Em 16 de outubro de 1858, o pianista alemão Josef Proksch havia escrito para Smetana: “Você fez uma escolha feliz ao colocar as mãos n’O campo de Wallenstein de Schiller para escrever uma música introdutória. O poema é capaz de ser ‘sinfonizado’, pois contém material rico e variado. Se esta afortunada escolha terminar bem para você, esse trabalho certamente marcará uma época”. O poema sinfônico foi apresentado pela primeira vez em 5 de janeiro de 1862, em um concerto dedicado ao trabalho do compositor no Palácio de Zofin, em Praga (República Tcheca).

Felix Mendelssohn foi uma criança prodígio e um adulto brilhante. Nascido em uma família abastada e culta, teve o privilégio de bons estudos, oportunidades de viagens e relacionamentos com artistas e intelectuais da sua época. Aos dezenove anos já tinha composto uma parte importante de sua obra. No gênero concerto para solista, Mendelssohn se dedicou aos instrumentos que tocava, o piano e o violino. Quando escreveu o Concerto para dois pianos em Mi maior, em 1823, aos quatorze anos, ele já tinha composto suas primeiras óperas, um conjunto de  sinfonias para cordas, o Concerto duplo para violino e piano, um Concerto para violino e outras obras para piano. Ao conceber o seu primeiro concerto para dois pianos (o segundo seria criado no ano seguinte), Mendelssohn pensou em sua irmã Fanny, três anos mais velha e também uma talentosa musicista. A estreia foi feita em dezembro do mesmo ano, em apresentação na casa da família Mendelssohn, tendo os dois irmãos como solistas.  Mais tarde, em 1929, Mendelssohn interpretou a peça com o amigo e ex-professor Ignaz Moscheles, em Londres. 

O Quarteto para piano nº 1 é uma obra da juventude de Brahms, composta aos 28 anos, quando ele ainda tentava se firmar no cenário musical germânico. É uma peça grandiosa, reconhecida como uma obra-prima da música de câmara universal. A estreia aconteceu no mesmo ano da composição, em Hamburgo, com Clara Schumann ao piano. Em 1937, Arnold Schoenberg orquestrou o Quarteto, e a Filarmônica de Los Angeles estreou a nova versão no mesmo ano. Sua intenção era “permanecer estritamente no estilo de Brahms e não ir mais longe do que ele mesmo teria ido se ainda vivesse”. Schoenberg contribuiu para ressaltar as qualidades orquestrais do Quarteto e criou uma nova obra-prima. No entanto, por que um compositor de vanguarda do início do século XX escolheria orquestrar uma peça de câmara romântica, composta quase oitenta anos antes? Talvez porque – embora Brahms, no século XIX, fosse considerado um compositor conservador, e Schoenberg, no século XX, um revolucionário – ambos tinham muita coisa em comum. Ambos eram compositores que se percebiam totalmente inseridos na tradição musical germânica, olhavam constantemente para o passado e tentavam criar algo novo a partir dessa tradição. No fundo, ambos eram conservadores e revolucionários, ao mesmo tempo.  

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