Sinfonias

José Soares, regente

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STAMITZ
HAYDN
SCHUMANN
PROKOFIEV
Sinfonia em Sol maior, "Mannheim nº 1"
Sinfonia nº 94 em Sol maior, "Surpresa"
Sinfonia nº 4 em ré menor, op. 120
Sinfonia nº 1 em Ré maior, op. 25, "Clássica"

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou Regência Orquestral com o maestro Cláudio Cruz, em um programa regular de masterclasses em parceria com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Participou como bolsista nas edições de 2016 e 2017 do Festival Internacional de Inverno Campos do Jordão, sendo orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich. Recebeu, nesta última, o Prêmio de Regência, tendo sido convidado a atuar como regente assistente da Osesp em parte da temporada 2018, participando de um Concerto Matinal a convite de Marin Alsop. Foi aluno do Laboratório de Regência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Em julho deste mesmo ano, teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin, como parte do programa de Regência do Festival de Música de Parnü, Estônia. Atualmente cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Programa de Concerto

Sinfonia em Sol maior, "Mannheim nº 1" | STAMITZ

É incontestável associar Haydn à sinfonia. No entanto, ao falar do pioneirismo do compositor clássico austríaco, há um potencial e perigoso efeito: o de injustamente considerarmos o tcheco Johann Stamitz mero pé de página nas publicações dedicadas ao tema. São escassos os registros sobre o compositor pré-clássico, ainda que 58 sinfonias de seu catálogo tenham sobrevivido graças à organização de Eugene K. Wolf. A história de Stamitz está profundamente conectada à Escola de Mannheim. Inquestionável patrono das artes em seu tempo, o duque Carl Theodor despendeu uma fortuna em instituições artísticas, científicas, museus e bibliotecas. O duque de Mannheim empregou em sua corte pelo menos dez compositores sinfônicos, também membros da orquestra. Esse era o caso de Stamitz, que atuou nos primeiros violinos, como spalla e, posteriormente, diretor musical. Mannheim fez fama pela Europa por sua precisão e capacidade de produzir novos efeitos dinâmicos, graças a uma orquestra volumosa em número de instrumentos. Para a história da música, a importância de Stamitz não se resume à sua atuação em Mannheim, mas se deve ao fato de o compositor ter sido o primeiro a utilizar sistematicamente a estrutura sinfônica em quatro movimentos – bem antes de Haydn se debruçar sobre essa forma musical. Das 58 sinfonias de Stamitz, 30 são em quatro movimentos. As outras 28 são em três movimentos por dois possíveis motivos: muito provavelmente pela vontade dos editores parisienses de publicá-las suprimindo um deles, ou por pertencer ao grupo de sinfonias escritas nos primeiros anos, que de fato tinham três movimentos. Este é o caso da Sinfonia em Sol maior, apelidada de Mannheim nº1.

Em 1790, após a morte do Príncipe Nicholas Esterházy, seu empregador por quase três décadas, Joseph Haydn foi informado de que seu posto de diretor musical na corte do novo príncipe seria mantido. No entanto, nenhuma demanda particular ou aparição seria solicitada do compositor mais admirado da Europa, que receberia pelo posto uma pensão anual de mil florins. Sabendo das mudanças em Esterházy e da recente liberdade de Haydn, o empresário Johann Peter Salomon prontamente se dirigiu a Viena para convencer o compositor a empreender sua primeira aparição na Inglaterra. Sem avisar, apareceu à porta de seu recém-alugado apartamento e disse: “Eu sou Salomon, de Londres, e vim buscá-lo. Amanhã faremos um accord – em francês, a palavra significa tanto “acordo” quando “acorde” –, o que obviamente conquistou pontos com o artista antes mesmo das negociações começarem. Haydn seria ricamente recompensado pela encomenda de uma ópera, seis sinfonias e vinte outras composições. Sua chegada a Londres “causou grande sensação em toda a cidade”, como revelara em uma carta. As peças criadas durante esse período na cidade são conhecidas como “de Londres”. Uma delas, a Sinfonia nº 94 em Sol maior, é amada e popular desde sua primeira execução pública. O seu apelido se deve à Surpresa encontrada nos primeiros acordes do segundo movimento, feita, segundo Haydn, para acordar um senhor que frequentava todos os concertos e sentava-se sempre no mesmo lugar para… dormir.

Em suas quatro sinfonias, Schumann revela todas as contradições típicas do Romantismo que ele vivenciou de maneira radical, até o fascínio e os terrores da loucura. O compositor converteu em estímulos musicais várias aspirações do movimento – a ironia permeada de angústia metafísica e de emoções intensas; o mistério da noite; a infância; a floresta encantada; as terras distantes; a Primavera; o rio Reno... A primeira versão da Sinfonia nº 4, sob o título original de Fantasia sinfônica, foi composta logo após a primeira sinfonia, em 1841. Lentamente amadurecida, só adquiriu sua forma definitiva dez anos depois, quando já haviam sido estreadas a segunda e a terceira sinfonias. A Quarta foi ouvida pela primeira vez em 15 de maio de 1853 em Düsseldorf, cidade alemã onde atuava como diretor artístico, e está entre os últimos triunfos musicais de Schumann.

A trajetória musical de Prokofiev divide-se em três períodos bem distintos – a fase russa, a ocidental e a soviética. É ao final da primeira fase que pertence sua Primeira Sinfonia. Em seus anos de estudante, ele entrou em contato com a obra inovadora de Debussy e Schoenberg. Intuitivamente, sua música se associava à estética da época, à pintura de Kandinsky e à literatura de Maiakovski. Aos vinte e cinco anos era bastante conhecido, e algumas de suas composições (entre elas, o Concerto para piano nº 2) causavam espanto pela aspereza harmônica e rítmica. A Sinfonia Clássica, concebida segundo os processos formais de Haydn, pareceu uma resposta do compositor. Na verdade, a motivação de Prokofiev era bem mais prosaica: tratava-se de compor uma sinfonia sem o auxílio do piano.