Stravinsky e Beethoven – filho

Fabio Mechetti, regente
Marly Montoni, soprano
Ana Lucia Benedetti, mezzo-soprano
Fernando Portari, tenor
Savio Sperandio, baixo-barítono
Concentus Musicum de Belo Horizonte
Iara Fricke Matte, regente do coro

STRAVINSKY
BEETHOVEN
O pássaro de fogo: Suíte (versão 1919)
Sinfonia no 9 em ré menor, op. 125, "Coral"

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Marly Montoni estreou no Theatro Municipal de São Paulo em 2017, como Leonora em Fidelio de Beethoven. No mesmo palco, interpretou também obras de Verdi, Puccini, John Adams, Andrew Lloyd Weber e Elodie Bouny. Em Belo Horizonte, foi a protagonista em Porgy e Bess de Gershwin, no Palácio das Artes. Integrou o elenco estável do Theatro São Pedro, e neste palco foi Odaleia em Condor, de Gomes e Wally em La Wally de Catalani. Na Série Concertos Internacionais do mesmo teatro, interpretou trechos de Don Carlo, de Verdi, ao lado do baixo italiano Roberto Scandiuzzi.Cantou também com a Orquestra Sinfônica de Campinas e atuou no Festival de Ópera do Teatro da Paz em Belém. Trabalhou com os diretores musicais Roberto Minczuk, Silvio Viegas, Luiz Fernando Malheiro, André dos Santos, Ligia Amadio e Pedro Messias, e os cênicos Caetano Vilela, William Pereira, Cleber Papa e Mauro Wrona. Marly Montony é Bacharela em Canto pela Universidade Cruzeiro do Sul. Aperfeiçoou-se com Antonio Lotti; atualmente prepara seu repertório com Rafael Andrade.

Natural de São Paulo, Ana Lucia estudou piano no Conservatório de Música Ars et Scientia e é Bacharel em Canto pela Faculdade Mozarteum, na classe de Francisco Campos Neto. Estudou também com Hildalea Gaidzakian, Marcos Thadeu, Regina Elena Mesquita, Gabriel Rhein-Schirato e Eliane Coelho. Desde 2010, obtém orientação vocal de Isabel Maresca. Foi 1º lugar no IX Concurso de Canto Maria Callas (2009), Melhor Voz Feminina no IV Concurso de Canto Carlos Gomes (2011), 3º lugar no IX Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão (2011) e finalista do VI Concurso de Interpretação da Canção de Câmara Brasileira (2004). Ana Lucia cantou as Sinfonias nº 2 e nº 8 de Mahler, a Sinfonia nº 9 de Beethoven, A danação de Fausto de Berlioz, o Réquiem de Verdi, o Magnificat-Aleluia de Villa-Lobos, sob regência dos maestros Roberto Minczuk, Silvio Viegas, John Neschling e Roberto Tibiriçá, entre outros. Destacou-se como Jacinthe e Ursule em Le Domino Noir de Auber; como Dorothea Frescopane em Le convenienze ed inconvenienze teatral de Donizetti; como Juno em Orfeu no inferno de Offenbach; e como Lola em Cavalleria Rusticana de Mascagni.

Fernando Portari estreou em 2010 com grande sucesso no mítico La Scala de Milão, em Fausto, de Gounod. Apresentou-se nos teatros La Fenice, em Veneza, na Ópera de Roma, no Teatro São Carlos de Lisboa, Massimo de Palermo, na Deutsche Oper de Berlim, Tokyo, Helsinki e Varsóvia. Atuou em Anna Bolena, no teatro Massimo, de Palermo, e em La Traviata, na Ópera de Hamburgo e em Colônia. Apresentou-se em La Bohème nas cidades de Berlim e Sevilha, além de ter representado Werther no Teatro Bellini de Catania e em La Coruña. Em São Paulo, interpretou vários protagonistas, além de atuar nas estreias mundiais das óperas A Tempestade, de Ronaldo Miranda, sobre texto de Shakespeare, e Olga, de Jorge Antunes, baseada na vida de Olga Benario. Brasileiro, Fernando Portari recebeu o Prêmio APCA e, por duas vezes, o Prêmio Carlos Gomes.

A voz e a presença cênica marcantes de Savio Sperandio o fazem um dos artistas mais solicitados do Brasil, tendo se apresentado em óperas nos teatros municipais do Rio de Janeiro e São Paulo, Theatro da Paz (Belém), Teatro Amazonas (Manaus), Palácio das Artes de Belo Horizonte, entre outros. No exterior, cantou como Bartolo em O barbeiro de Sevilha no Teatro Colón (Argentina), no Festival de Ópera de Ercolano (Itália) e no Teatro Real de Madrid (Espanha). Também se apresentou no Rossini Opera Festival, no Teatro Arriaga de Bilbao e no Palau de les Arts Reina Sofia de Valência, entre outros. Trabalhou com nomes como Emilio Sagi, Alberto Zedda e Roberto Abbado. Recentemente, participou das montagens de The Rake's Progress, Nabucco, Romeo e Julieta e Aida.

O Concentus Musicum de Belo Horizonte estreou em 2016 junto à Orquestra Filarmônica de Minas Gerais na apresentação do Requiem de Mozart, o que deu início a uma frutífera parceria com participações nas temporadas 2017, 2018 e 2019. Idealizado pela regente Iara Fricke Matte, é um grupo vocal e/ou instrumental misto formado por profissionais altamente qualificados - unidos pelo objetivo de contribuir para a difusão da música erudita em uma perspectiva historicamente embasada – que se dedica à interpretação de consagradas e inéditas dos períodos Barroco, Clássico e do Renascimento, bem como as de um seleto repertório contemporâneo. O foco do seu trabalho de interpretação está na compreensão do discurso musical e sua relação com o texto poético, a sonoridade, a articulação e rítmica das palavras, e também com o contexto histórico das obras. Alguns de seus projetos incluem o Concerto Família Bach, com peças de J. S. Bach e seus familiares, e também o Concerto Lux Aeterna, este último com obras de compositores modernos e contemporâneos para coro e órgão de tubos.

Regente coral e orquestral, Iara Fricke Matte dedica-se ao estudo e apresentação de obras dos períodos Barroco, Renascimento e Contemporâneo, com ênfase na performance historicamente embasada e na sua afinidade com a música de J. S. Bach. Professora de Regência na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é pós-doutora em Regência pela University of Southern California; doutora e mestre em Regência Coral pelas universidades de Indiana e de Minnesota, Estados Unidos, com especialização em Música Antiga e História da Música. Como regente titular e diretora artística do Ars Nova – Coral da UFMG, realizou concertos no Brasil e no exterior. Dirige a Série Fermata, da UFMG. Em 2016, idealizou o Concentus Musicum de Belo Horizonte. Em 2019, assumiu a regência e direção artística da Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFMG e idealizou o Núcleo Estável do Concentus Musicum de Belo Horizonte, grupo vocal com 12 cantores selecionados.

Programa de Concerto

O pássaro de fogo: Suíte (versão 1919) | STRAVINSKY

Em 1910, aos 28 anos de idade, Igor Stravinsky escreveu a obra que o tornaria instantaneamente famoso em toda a Europa: o balé O pássaro de fogo. Os Balés Russos, liderados por Sergei Diaghilev, tinham feito seu début em Paris no ano de 1909. Para a temporada de 1910, Diaghilev propôs ao jovem Stravinsky escrever um balé baseado na fábula russa do Pássaro de Fogo. A estreia ocorreu em 25 de junho, na Opéra de Paris, sob a direção do grande Gabriel Pierné e coreografia de Mikhail Fokin. Stravinsky, no entanto, julgou que a dança não fazia justiça à música. Desejoso de mostrar ao mundo a universalidade de sua obra, criou, em 1911, uma suíte orquestral praticamente idêntica à partitura original. Mas, percebendo que, ao transformar um balé em uma obra de concerto, mais modificações deveriam ser feitas, ele recria a partitura e, em 1919, estreia aquela que seria a mais conhecida versão de concerto de O pássaro de fogo. Em 1945 ainda compôs uma terceira versão para concerto, dessa vez bastante fiel à partitura original do balé, a fim de assegurar seus direitos autorais, já que as leis americanas não reconheciam os tratados europeus. Embora fortemente influenciada pelas obras de Rimsky-Korsakov e pela tradição folclórica russa, O pássaro de fogo prima por uma originalidade sem precedentes na história. Música extremamente imaginativa, com atmosferas inusitadas, ritmos complexos, melodias sugestivas e efeitos orquestrais espetaculares.

Poucas obras de Beethoven tiveram gênese tão trabalhosa quanto a última das nove sinfonias. Ao que parece, a ideia de pôr música na Ode à Alegria de Schiller já aparece em 1792, poucos anos após o grande poeta romântico ter publicado seus versos. Em 1807, Beethoven concebe a Fantasia op. 80 para piano, coro e orquestra, concluída no ano seguinte, a qual revela aspectos que aparecem como uma espécie de ensaio para procedimentos que serão utilizados na Nona. Em 1823, Beethoven já havia composto os três primeiros movimentos da sinfonia, e, ao final desse mesmo ano, ganha corpo a ideia de concluí-la com o uso de vozes humanas e o emprego do poema de Schiller. Esse monumento da música ocidental só foi completado em 1824. A Nona foi estreada em maio do mesmo ano em Viena, no Theater am Kärntnertor, com a A Consagração da Casa, op. 124 e três partes da Missa Solemnis. Foi um evento emocionante, em que Beethoven, após doze anos sem subir ao palco, dividiu-o com o regente Michael Umlauf. Por esta, e pela obra, Beethoven foi várias vezes ovacionado!

Quero ser lembrado deste concerto.
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