Suítes

Fabio Mechetti, regente

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BACH
KHATCHATURIAN
BARTÓK
R. STRAUSS
Suíte nº 4 em Ré maior, BWV 1069
Suíte Masquerade
Suíte de danças, BB 86a
O cavaleiro da rosa, op. 59: Suíte

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Programa de Concerto

Suíte nº 4 em Ré maior, BWV 1069 | BACH

Em algum dos concertos realizados por Johann Sebastian Bach no Café Zimmermann entre 1730 e 1731, a Suíte nº 4 em Ré maior foi ouvida pela primeira vez. A história mais conhecida afirma que Bach compôs suas quatro suítes orquestrais para os ricos comerciantes de Leipzig, Alemanha. Como diretor da Collegium Musicum desde 1729, Bach teve de criar peças orquestrais independentes, e as quatro suítes que conhecemos hoje foram escritas seguindo um estilo francês, sendo a quarta a que apresenta tal característica mais enfaticamente. Para a composição da peça, foi importante seu período em Luneburgo e o contato com a corte de Celle na juventude, locais onde predominava a música francesa. Um dos aspectos relevantes que a Suíte nº 4 manifesta está logo no primeiro movimento. Intitulada Ouverture (não por acaso), a abertura se dá em uma estrutura lenta-rápida-lenta, em que a mudança de andamento da fuga central garante à obra uma grande vivacidade. Os outros movimentos, Bourrée, Gavotte e Menuett, são, ainda, a exibição de um catálogo de danças das cortes de diferentes partes daquele país. Réjouissance, ou seja, o regozijo final traz a suíte a uma conclusão carregada de brilho sonoro combinada a uma complexidade rítmica.

O armênio Aram Khatchaturian compôs a música incidental de Masquerade em 1941, baseada na peça de Mihhail Lermontov, para acompanhar a produção teatral de mesmo nome. O enredo gira em torno do assassinato de Nina, a heroína falsamente acusada de infidelidade, vítima do marido, que mistura veneno ao seu sorvete. Logo antes de receber a sobremesa, Nina exclama sobre a beleza de uma valsa que impregnou seu coração de um sentimento que transita entre tristeza e alegria. A valsa imaginada por Khatchaturian tinha, justamente, que capturar o dúbio sentimento de beleza e condenação apontado pela personagem. E o resultado final foi alcançado, mas não sem dificuldades. Khatchaturian relatou que o avanço só foi possível mediante a visualização do segundo tema, que funcionou “como uma ligação mágica, permitindo que eu retirasse dali toda a corrente. O resto da valsa veio, então, facilmente, sem nenhum tipo de problema”. A orquestração da Suíte Masquerade é sempre densa, alternando uma sonoridade escura e trágica com um encerramento aberto e alegre, mantendo sempre o fundo rítmico da valsa.

A arte de Béla Bartók associa-se diretamente às suas pesquisas sobre as manifestações musicais folclóricas da Europa Oriental. O compositor recolheu, classificou e analisou metodicamente milhares de canções, percorrendo países como Eslováquia, Romênia, Arábia (1913), Sérvia, Croácia, Anatólia e Bulgária, chegando ao Norte da África (1932) e à Turquia (1936). Bartók assimilou a surpreendente riqueza rítmica do folclore, desenvolveu apurado senso tímbrico e libertou-se (pelo uso sistemático de modos e escalas antigas) da hegemonia do sistema tonal. Bartók reconhecia-se tributário, sobretudo, da influência de três grandes compositores: Debussy (pelo sentimento dos acordes), Beethoven (pela revelação da forma progressiva) e Bach (pela ciência do contraponto). De Bach herdou também o amor pelos números e, como o grande mestre barroco, Béla Bartók conscientemente cultivou conceitos matemáticos (a seção áurea; a sequência de Fibonacci) visando o equilíbrio entre inspiração musical e realização formal. A Suíte de danças, primeira obra de Bartók oficialmente encomendada, foi escrita em 1923 para o cinquentenário da união das cidades de Buda e Peste. Apesar do caráter patriótico da celebração, as cinco danças (interligadas por um refrão de caráter húngaro) apresentam também elementos árabes e romenos. O compositor adotou um processo de improvisação melódica comum a diversas culturas camponesas: a obra começa com notas repetitivas, confinadas a um âmbito intervalar restrito; e a extensão de toda a escala é conquistada progressivamente, com a ampliação dos intervalos.

Antes de O cavaleiro da rosa, Richard Strauss havia composto outras duas óperas de grande sucesso, Salomé (1905) e Elektra (1909), ambas chocantes para o mundo da ópera, com seus temas desconcertantes e sua linguagem musical moderna e extremamente complexa para a época. Portanto, não foram poucos os que se surpreenderam quando Strauss apresentou sua nova criação, O cavaleiro da rosa, em 1911: uma ópera cômica, recheada de situações burlescas e inverossímeis, cuja música se apoia, principalmente, na valsa. A guinada no estilo talvez se explique pela vida próspera que Strauss passou a ter após o sucesso de Salomé e Elektra. Com Salomé ele havia se tornado não apenas o mais famoso compositor vivo, como o mais rico de todos. Com o que recebia de direitos autorais, pôde realizar seu sonho de viver apenas para compor, embora fosse sempre solicitado a reger orquestras por toda a Alemanha. O cavaleiro da rosa foi escrita em sua nova vila aos pés dos Alpes, na bucólica cidade de Garmisch-Partenkirchen. Na tranquilidade de sua sala de estudos, em uma grande mesa de carvalho, com vista para as montanhas, Strauss frequentemente dizia: “chegou a hora de escrever uma ópera mozartiana”. Era o fim dos anos de penúria, e o grande compositor, agora com quarenta e cinco anos, mudava radicalmente de estilo. Desde a estreia, vários trechos da ópera foram apresentados em concerto. O próprio Strauss arranjou suas sequências favoritas de valsas para serem apresentadas isoladamente. No entanto, a versão de concerto mais conhecida foi realizada nos Estados Unidos, em 1944, provavelmente pelo polonês Artur Rodziński, regente da Orquestra Filarmônica de Nova York (embora seu filho, Richard Rodziński, afirme que o arranjador da Suíte foi Leonard Bernstein, regente assistente de seu pai, à época).

14 mar 2020
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
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