Universos latinos

José Soares, regente
Sergio Tiempo, piano

|    Allegro

|    Vivace

REVUELTAS
E. BENZECRY
FERNANDEZ
GINASTERA
Sensemayá
Universos Infinitos
Imbapara
Estância: Quatro danças, op.8a

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, tendo sido seu Regente Assistente desde as duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio (Tokyo International Music Competition for Conducting 2021), recebendo também o prêmio do público. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou com o maestro Claudio Cruz e teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin. Foi orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Pelo Prêmio de Regência recebido no festival, atuou como regente assistente da Osesp na temporada 2018. José Soares foi aluno do Laboratório de Regência da Filarmônica e convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Sergio Tiempo nasceu em Caracas, Venezuela. Começou a estudar piano ainda criança com sua mãe, Lyl Tiempo. Estreou profissionalmente aos quatorze anos, no Amsterdam Concertgebouw. Durante período na Itália, foi aluno de pianistas como Dimitri Bashkirov, Fou Tsong, Murray Perahia e Dietrich Fischer-Dieskau. Colaborou com uma ampla gama de orquestras filarmônicas e sinfônicas da Europa, da Ásia e das Américas. Participou de festivais internacionais e realizou turnês na China, na Coreia, na Itália e na América do Sul. Entre suas gravações, destaca-se o disco em parceria com Mischa Maisky sobre a obra de Rachmaninov, classificado como cinco estrelas pela Classic FM e pela BBC Music Magazine. Foi também artista residente na Orquestra Sinfônica de Queensland em 2018. Reconhecido pela energia e versatilidade musical, Tiempo teve sua performance descrita pelo jornal The New York Times como “cintilante e virtuosa”. Tiempo tem como mentores musicais Martha Argerich e Nelson Freire.

Programa de Concerto

Sensemayá | REVUELTAS

Hoje considerado um dos mais importantes compositores mexicanos do século XX, Silvestre Revueltas morreu jovem e sem reconhecimento, aos quarenta anos. Nos seus últimos dez anos de vida, foi extremamente produtivo e escreveu suas obras mais importantes, mas também passou por um inferno particular. Sem emprego, afundou-se no alcoolismo e oscilava constantemente entre períodos de euforia criativa e momentos de profunda depressão. O poema sinfônico Sensemayá faz parte dessa última fase da vida de Revueltas, quando suas composições tornaram-se mais intensas e tristes. Em maio de 1937, ele compôs a primeira versão da obra, para grupo de câmara, e em 1938 finalizou a versão para orquestra. O trabalho é intimamente inspirado no poema “Sensemayá, canto para matar una culebra” (Sensemayá, canto para matar uma cobra), do poeta cubano Nicolás Guillén. Com o acúmulo progressivo de material temático e um ritmo cada vez mais obsessivo, Revueltas recria fielmente o caráter hipnótico do poema. Segundo o compositor, “há em mim uma compreensão muito peculiar da natureza: tudo é ritmo. Meus ritmos são crescentes, dinâmicos, táteis e visuais. Eu penso em imagens melódicas que se movem dinamicamente”. Sensemayá é uma obra vigorosa, forte como a evocação de um ritual primitivo, extraordinariamente seca e sem rodeios.

Em Universos Infinitos, o proeminente compositor argentino Esteban Benzecry (1970) busca uma conexão com tempos ancestrais, tomando como fonte de inspiração as culturas, os ritmos, as melodias e as mitologias dos povos indígenas da América do Sul. O primeiro movimento, “Un mundo interior”, constrói atmosferas que representam o ciclo da vida humana e a dimensão contemplativa do ser. O segundo, “Ñuke Kuyen”, faz referência à entidade que protege os sonhos do povo Mapuche, evocando uma ambientação noturna e estrelada. O terceiro e último, “Willka Kuti”, descreve o festival realizado por Aimarás e Guaranis para marcar o fim do inverno, o retorno do Sol e o início de um novo ciclo de cultivo. Neste concerto para piano, Benzecry explora possibilidades inusitadas do instrumento em conjunto com uma orquestração contemporânea e imaginativa, gerando uma obra que celebra o contato do espírito humano com a natureza ao seu redor. Composto em outubro de 2011, Universos Infinitos é dedicado ao pianista venezuelano Sergio Tiempo.

O poema sinfônico Imbapara é uma demonstração clara do caráter convictamente nacionalista da música de Lorenzo Fernandez. Inspirada no poema homônimo de Basílio de Magalhães, a obra conta a história de um guerreiro indígena que foi capturado por uma tribo inimiga e espera, na escuridão da noite, o dia de sua execução. Seu tema principal foi inspirado em melodias de povos originários gravadas por Roquette Pinto – uma delas, Nozani-ná, foi utilizada também por Villa-Lobos em seu Choros nº 3. A introdução mais sombria busca situar o ouvinte no interior da floresta, e, nos movimentos seguintes, observamos uma crescente exploração orquestral que culmina em um fechamento impactante, exemplar do vigor pelo qual a música de Fernandez ficou conhecida. Escrita em 1928 como um balé, Imbapara estreou no ano seguinte sem o corpo coreográfico, pela Sociedade de Concertos Sinfônicos do Rio de Janeiro. Apenas em 1937 foi montada como balé completo, estreando também no Rio, no Theatro Municipal, com regência do próprio Fernandez.

Ginastera, que sempre nutriu uma admiração especial pelo campo, resolveu inspirar seu balé Estância no poema de José Hernández, “El gaucho Martín Fierro”, publicado em 1872. A obra de Hernández é ainda hoje considerada por muitos “o livro nacional dos argentinos”. O balé, encomendado pelo coreógrafo Lincoln Kirstein em 1940, descreve o ciclo de um dia inteiro passado numa estância, seguindo a estrutura amanhecer – dia – tarde – noite – amanhecer. A companhia de Kirstein se dissolveu antes que o balé fosse montado, fazendo com que Ginastera optasse por reunir em uma suíte para orquestra quatro das mais expressivas seções da obra original. A suíte Estância conta com três movimentos extraídos da segunda cena do balé, “La mañana”, e com um movimento final isolado de “El amanhecer”, quinta e última cena. De estilo stravinskiano, “Los trabajadores agrícolas” sugere o esforço dos trabalhadores na colheita do trigo. A “Danza del trigo” evoca o cenário bucólico de uma estância pela manhã. “Los peones de hacienda” é inspirado na figura do vaqueiro. E a “Danza final” retrata o começo de um novo dia através da estilização do tradicional malambo, dança masculina argentina na qual o dançarino executa uma série de movimentos com os pés e que, no século XIX, era tida como a principal forma de um gaúcho demonstrar destreza e vigor.

10 ago 2023
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

11 ago 2023
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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