Violoncelo entre mestres – filho

Roberto Minczuk, regente convidado
Robson Fonseca, violoncelo
Lucas Barros, violoncelo

|    Vivace 2021

J. STRAUSS JR.
J. G. RIPPER
BRAHMS
O Morcego: Abertura
Duplum
Serenata nº 1 em Ré maior, op. 11

Roberto Minczuk, regente convidado

Roberto Minczuk já regeu mais de cem orquestras no mundo. Estreou nos Estados Unidos, ao reger a Filarmônica de Nova York (1988), e foi convidado a assumir o posto de Regente Associado, cargo antes ocupado por Leonard Bernstein. Dentre os prêmios que recebeu, destaque para Martin Segall, Grammy Latino de Melhor Álbum Clássico – com o álbum Jobim Sinfônico –, Emmy, Carlos Gomes, APCA e Prêmio Tim. O maestro começou a carreira como um prodígio da trompa e, aos 13 anos, já atuava como Primeira Trompa no Theatro Municipal de São Paulo. Sua estreia como solista foi aos 17 anos, no Carnegie Hall, em Nova York. Atualmente, é Regente Titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e da Filarmônica de Novo México (EUA) e Maestro Emérito da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Filarmônica de Calgary, no Canadá.

Mineiro de São João del-Rei, Robson já se apresentou nas principais salas de concerto do país, como recitalista e camerista. Em 2009, formou-se pela USP, instituição pela qual obteve o I Prêmio Olivier Toni. No ano seguinte, teve aulas com Matias de Oliveira Pinto na Alemanha, e, em 2011, concluiu seus estudos na Universidade de Münster e ingressou na Filarmônica. Durante seis anos, foi chefe de naipe dos violoncelos da Sinfônica de Ribeirão Preto e professor na Escola de Música de Sertãozinho. Robson também foi bolsista do Festival de Campos do Jordão e participou de vários outros festivais nacionais, além de ter se apresentado no Teatro Cólon (Buenos Aires) e em Montevidéu. Foi integrante do Quarteto Mineiro de Cordas, com o qual venceu o Concurso de Música de Câmara da UFMG. Robson é membro da Filarmônica desde 2011 e seu Violoncelo Principal Assistente. É também Primeiro Violoncelo na Orquestra Ouro Preto e professor na Academia Ouro Preto.

Lucas Barros nasceu em uma família de músicos. Começou pelo violino e oboé com seus tios e, aos nove anos de idade, decidiu seguir os estudos com o violoncelo, orientado por Antonio Viola, da Universidade Estadual de Minas Gerais. Dois anos mais tarde, passou a aperfeiçoar-se com Fabio Presgrave, na Escola de Música de São Brás do Suaçuí. Também foi regularmente orientado por seu tio Eliseu Barros, professor de violino na Universidade Federal de Minas Gerais. Concluiu o bacharelado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte em 2018, na classe do Prof. Dr. Fabio Presgrave. Participou de diversos festivais, como o Internacional de Campos do Jordão, o Música nas Montanhas e o Villa-Lobos. Atuou como solista com as orquestras Filarmônica e Sinfônica de Minas Gerais, Filarmônica de Goiás, Sinfônica da UFRN, a de Câmara Sesiminas, entre outras. Apresentou-se também na temporada de concertos do BNDES, no Rio de Janeiro.Lucas recebeu o Primeiro Prêmio no VI David Popper International Cello Competition (Hungria – 2015); o segundo lugar geral e o prêmio Nanny Devos para o brasileiro mais bem colocado no Rio International Cello Encounter (2013); o primeiro lugar no Concurso para Jovens Solistas da Sinfônica de Minas Gerais (2010 e 2011). Em 2015, venceu o concurso promovido pelo Mozarteum Brasileiro, que lhe proporcionou um ano na academia da Deutsches Symphonie-Orchester Berlin (DSO Berlin). Lá estudou com Matias de Oliveira Pinto, Mathias Donderer e Fabio Presgrave. Lucas é violoncelista na Filarmônica desde 2017.

Programa de Concerto

O Morcego: Abertura | J. STRAUSS JR.

Símbolo da tradição operística vienense, a opereta O Morcego não foi inicialmente bem acolhida pelo público em sua estreia, em 5 de abril de 1874, em Viena. O sucesso da produção, cujo libreto se inspira no vaudeville francês Le Réveillon, de Meilhac e Halévy, se deve à montagem conduzida por Gustav Mahler, na Ópera de Viena. Um baile realizado na residência do príncipe Orlofsky, um milionário russo conhecido por organizar as festas mais inusitadas de Viena, orienta o enredo. De caráter vivo, a Abertura apresenta temas de algumas árias em uma espécie de pot-pourri. Pontos altos da peça são a emblemática valsa, que finaliza o segundo ato, e um lírico solo de oboé, oriundo do primeiro ato.

Duplum é um concerto para dois violoncelos e orquestra dedicado aos gêmeos Paulo e Ricardo Santoro, integrantes do Duo Santoro. A trompa enuncia o tema inicial e dá abertura para a aparição dos dois violoncelos desacompanhados. Segue-se a uma nova seção, na qual o primeiro tema é trabalhado num diálogo entre a orquestra e os violoncelos. Ritmos contrastantes e virtuosismo nos solos marcam a seção seguinte, transposta por outra mais lenta, que desenvolve o tema inicial, encerrado com um tutti orquestral. Um novo tema é introduzido pelos violoncelos ao lado de clarinetes e trompas e, depois, desenvolvido em sucessivas variações que levam a um tutti final. A estreia de Duplum se deu em 17 de setembro de 2017 em Niterói (RJ). Sob a regência de Tobias Wolkmann, o Duo Santoro foi acompanhado pela Orquestra Sinfônica Nacional – UFF.

Brahms compôs suas duas Serenatas em Detmold, uma pequena localidade próxima de Hannover (Alemanha), no fim da década de 1850. Entre os 24 e os 26 anos, Brahms permanecia em Detmold a serviço do Príncipe Leopoldo III; cabia a ele, durante três meses, ensinar piano à Princesa e a outras damas da corte, dirigir um coro feminino, organizar e atuar como pianista em alguns concertos de câmara e, eventualmente, dirigir a orquestra. As diferentes funções permitiam o incremento de sua experiência como maestro, e ainda lhe sobrava muito tempo para compor. Escritas após o compositor tomar conhecimento das serenatas de Mozart, elas prestam homenagem aos divertimentos musicais do século XVIII. As duas peças foram compostas também após a trágica morte de Schumann, a quem Brahms devotava uma próxima amizade desde 1853. A Serenata nº 1 em Ré maior, op. 11 não foi originalmente criada para orquestra. Uma primeira versão foi feita para nove instrumentos. Após apresentar a peça ao piano para o violinista e amigo Joseph Joachim, este o aconselhou a transcrever a música para orquestra, o que foi feito quase simultaneamente à orquestração de seu Primeiro Concerto para piano.