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Allegro
Vivace
Ensaio

Allegro 10 & Vivace 10

classificação etária: 7 anos | duração: 80 min

11 Dec, Thu - 20h30
12 Dec, Fri - 20h30
Sala Minas Gerais

Foto: Eugênio Sávio

ingressos

concertos
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ensaio aberto:

Concertos Comentados com o nosso Spalla Associado, Rommel Fernandes . Às 19h30, no foyer do segundo andar.


Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde e

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OBRAS

“Até a própria Natureza é também uma grande artista para quem sabe apreciá-la com respeito, fé e vontade de querer”, afirmou Heitor Villa-Lobos. Com uma criatividade admirável, às vezes grandiloquente, tal qual a vastidão das terras brasileiras, a música desse brilhante compositor é uma verdadeira declaração de amor à pátria, com a presença de melodias indígenas e do canto dos pássaros, uma obra que se estende pelas serras e montanhas do Brasil.

 

A milimetria, ou milimetrização, é um processo criado por Villa-Lobos que propõe transformar o contorno das serras em linhas melódicas, ao relacionar frequência e duração rítmica. Essa técnica composicional, batizada por ele “Melodia das Montanhas”, surgiu em 1935, inspirada na silhueta do Pão de Açúcar. Em 1939, a ideia foi concretizada em duas obras para piano: Melodia da Montanha, utilizando as linhas da Serra da Piedade, em Caeté, e New York Skyline Melody, a partir do contorno dos arranha-céus de Manhattan. Todavia, é a sua Sinfonia nº 6, escrita em 1944, a composição que melhor representa a técnica da milimetrização.

 

A obra utiliza os contornos de três elevações localizadas no Rio de Janeiro: o Pão de Açúcar, o Corcovado e a Serra dos Órgãos. Seus traçados foram anotados por Villa-Lobos entre 1935 e 1940. Dedicada à sua esposa Mindinha, a Sexta Sinfonia foi estreada no Rio de Janeiro, em 29 de abril de 1950, pela Orquestra do Theatro Municipal, conduzida pelo compositor. O segundo movimento possui uma textura orquestral que se caracteriza por glissandi nas cordas e solos nas madeiras, citando os temas das serras anotadas. Aos poucos, a música se adensa, as brumas dessa atmosfera misteriosa são desfeitas, rompidas pela percussão e iluminadas pelos metais.

 

Texto adaptado de nota de programa de Marcelo Corrêa.

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Em certo sentido, pode-se observar em Ravel um contínuo processo de releitura, no qual ele parece tomar por desafio as formas e modelos antigos para retrabalhá-los à sua maneira, produzindo sempre recriações e estilizações muito particulares. Ravel é um construtor criterioso, que conhece a fundo o material com que trabalha e cujo preciosismo revela uma ciência precisa e exata. A despeito disso, ele nunca deixa de ser original: todo o domínio da técnica e de seus materiais lhe dá a possibilidade de transcender o previsível.

 

Nove anos antes de sua famosa La Valse, Ravel se lança sobre esse gênero com as suas Valsas Nobres e Sentimentais. Data de 1911 a versão original, para piano solo, e de 1912 a versão orquestral. O título faz referência a duas coleções de pequenas valsas compostas por Schubert entre 1823 e 1827: as Valsas Nobres, D. 969 e as Valsas Sentimentais, D. 779

 

É evidente, portanto, que Ravel tem em Schubert seu primeiro modelo para as Valsas Nobres e Sentimentais. No entanto, ele não toma as valsas de Schubert como paradigmas, mas como exemplos de um gênero que ele ironiza e desconstrói. O modelo principal desse processo, porém, não é exatamente Schubert, mas Strauss Jr. e a valsa dos elegantes salões parisienses do final do século XIX. Embora o esquema rítmico da valsa permaneça sempre vívido nas oito pequenas seções que constituem essa obra de Ravel, o que se percebe não é uma onipresença da dança, mas sua evocação.

 

Na ironia e no tratamento pessoal que Ravel confere à valsa, na harmonia francamente moderna e na orquestração sempre original e surpreendente, as Valsas Nobres e Sentimentais atestam a importância de Ravel na música do século XX e sugerem alguns dos novos caminhos que ela haveria de tomar a partir desse compositor fundamental.

 

Texto adaptado de nota de programa de Moacyr Laterza Filho.

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Quando Ravel compôs o Bolero, jamais imaginou que seu nome ficaria para sempre ligado a essa obra. Com sua ironia característica, disse certa vez: “Em toda a minha vida, eu compus apenas uma obra-prima, o Bolero. Mas, infelizmente, ele é vazio de música”.

 

A peça foi escrita por encomenda da bailarina Ida Rubinstein, que desejava um balé de caráter espanhol para sua trupe. No início, haviam acordado que Ravel orquestraria trechos da suíte Ibéria, do compositor Isaac Albéniz, mas logo desistiram da ideia ao saber que outro balé inspirado na obra já estava em produção. Inconformado, Ravel decidiu então aproveitar um tema que o perseguia há tempos: uma melodia de caráter insistente, que ele utilizaria repetidamente, sem desenvolvimento, variando gradualmente o colorido orquestral. Para completar esse primeiro tema, compôs um segundo, que funciona como uma espécie de contratema, ou seja, uma melodia que se comporta mais como um complemento da melodia principal do que como uma instância individualizada.

 

O Bolero foi estreado no dia 22 de novembro de 1928, na Ópera Nacional de Paris, pela companhia de Ida Rubinstein, com coreografia de Bronislava Nijinska e regência de Walther Straram. O frenesi que a obra causou em suas diversas apresentações fez com que ela rapidamente conquistasse espaço nas salas de concerto. Hoje uma das partituras mais executadas de todo o repertório internacional, o Bolero pode parecer o resultado de uma composição bem calculada para causar impacto e ganhar as graças do público. Visto pelos olhos dos contemporâneos de Ravel, porém, o Bolero foi uma cartada arriscada. Para os amigos do autor, era o ponto culminante de suas tendências místicas. Os inimigos diziam que se tratava de música composta por um louco.

 

Texto adaptado de nota de programa de Guilherme Nascimento.

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Nosso maior compositor escreveu várias sinfonias, muitas delas ainda pouco conhecidas. Sua Sexta é um tributo à linearidade dos horizontes montanhosos. Encerramos a Temporada 2025 com mais uma celebração dos 150 anos de Ravel, interpretando suas belíssimas valsas e o inconfundível Bolero.