Concertos Comentados, às 19h30, no foyer do segundo andar.
Regente, pianista e arranjador, Ira Levin conduziu centenas de apresentações de mais de 90 óperas, passando por alguns dos palcos mais importantes da Europa e das Américas. Foi regente assistente na Casa de Ópera de Frankfurt e regente titular da Ópera de Bre
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Um dos violinistas mais promissores da sua geração, Dmytro Udovychenko é vencedor do Primeiro Prêmio do Concurso Rainha Elisabeth em 2024. Também conquistou o prêmio principal nos Concursos Internacionais de Montreal (2023) e de Singapura (2022), o terceiro l
... LEIA MAISEm 2014, no intuito de celebrar a arte do grande compositor russo Sergei Rachmaninov, o regente e pianista norte-americano Ira Levin realizou a transposição para orquestra de cinco peças suas – quatro compostas originalmente para piano e uma para coro a capella. Todas datam do período entre 1894 e 1917, quando Rachmaninov ainda vivia na Rússia. As Quatro Peças apresentadas hoje serão:
III. Prelúdio nº 10, op. 32– Parte da coletânea de treze Prelúdios, op. 32, composta em 1910, o Prelúdio nº 10 em si menor é inspirado no quadro O Retorno para Casa, do pintor suíço Arnold Böcklin. Em tons outonais, a pintura retrata um homem de costas, sentado em uma fonte, observando uma casa escura, no que parece ser o início do anoitecer. A peça de Rachmaninov mantém essa ambientação soturna e é marcada por um clímax intenso e emotivo.
Texto por Igor Lage.
Prokofiev, que vivia fora da Rússia desde 1918, desejava ardentemente rever seu país natal. Depois de alguns anos morando em Nova York, mudou-se para Paris em 1923, e, a partir da década de 1930, começou a se reaproximar da comunidade artística soviética. Retornou à pátria por definitivo em 1936. Em casa, Prokofiev foi celebrado e recebeu inúmeras honrarias, dando início a um dos períodos mais criativos de sua carreira.
Pouco antes de seu regresso, na mesma época em que trabalhava no balé Romeu e Julieta, Prokofiev compôs o Concerto para violino nº 2. Trata-se de sua última obra escrita no Ocidente. Foi uma encomenda do violinista francês Robert Soetens, que deteve os direitos exclusivos de sua execução por um ano. A estreia se deu em Madri, em dezembro de 1935, com Soetens ao violino e regência de Enrique Fernández Arbós.
O Concerto se inicia com o violino executando o primeiro tema, prontamente retomado pela orquestra. A frequente alternância de momentos rápidos e lentos marca este primeiro movimento (“Allegro moderato”), que se encerra com uma atmosfera inesperadamente misteriosa. O segundo movimento (“Andante assai”) abre com um dos mais belos e apaixonados temas de Prokofiev, que é seguido por um segundo, de caráter mais imponente, desenhando um leve contraste. O terceiro movimento (“Allegro, ben marcato”) é uma dança moderada, no qual a percussão se faz mais presente, especialmente no brilho penetrante das castanholas.
Em todo o seu curso, o Concerto guarda um quê de intimismo, principalmente no trato da orquestra, como se Prokofiev hesitasse entre a música sinfônica e a música de câmara. Dizem que sua intenção inicial era compor uma sonata para violino e piano. Ao que parece, ao transformá-la em um concerto, Prokofiev decidiu preservar muito das atmosferas originais.
Texto adaptado de nota de programa de Guilherme Nascimento.
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Principal compositor alemão de sua geração, Paul Hindemith começou a se indispor com o regime nazista assim que o Partido Nacional-Socialista venceu as eleições parlamentares de 1932. Logo no ano seguinte, grande parte de suas obras foi taxada de “bolchevismo cultural” e proibida de ser executada na Alemanha. Os atritos escalaram e, em 1937, Hindemith decide se exilar na Suíça. Em 1940, muda-se com a família para os Estados Unidos, onde assume uma cadeira no Departamento de Música da Universidade de Yale.
No verão desse mesmo ano de 1940, Hindemith é convidado a lecionar em Tanglewood, e, entre as atividades do festival, assiste a um concerto da Orquestra Sinfônica de Boston, com regência de Serge Koussevitzky. A beleza da apresentação teria inspirado o alemão a compor uma nova sinfonia (a anterior, Matias, o Pintor, já era um de seus maiores sucessos), ideia que Koussevitzky acatou de imediato. Em dezembro de 1940, a Sinfonia em Mi bemol ficou pronta, mas o resultado surpreendeu a todos.
Conhecido por sua linguagem musical idiossincrática, formulada a partir de uma abordagem teórica muito própria, Hindemith entregou uma sinfonia de estrutura clássica, em quatro movimentos e de sólida escrita contrapontística. A obra remetia mais ao formalismo sóbrio de Bruckner do que aos ímpetos por inovação de muitos contemporâneos de Hindemith – ainda que não deixe de se enquadrar bem na estética neoclássica do período.
Talvez por não ter recebido exatamente o que esperava, Koussevitzky optou por adiar a estreia da Sinfonia em Mi bemol para a temporada seguinte. Incomodado com a decisão, Hindemith ofereceu a partitura a Dimitri Mitropoulos, à época regente titular da Orquestra Sinfônica de Minneapolis (hoje Orquestra de Minnesota), que estreou a obra em 21 de novembro de 1941.
Texto por Igor Lage.
Recebemos o último vencedor do Concurso Rainha Elisabeth da Bélgica, o ucraniano Dmytro Udovychenko, que nos brindará com o eletrizante Concerto nº 2 do também ucraniano Sergei Prokofiev. O regente convidado Ira Levin nos introduz a primorosa Sinfonia em Mi bemol de Paul Hindemith e apresenta suas próprias orquestrações de quatro peças pianísticas de Sergei Rachmaninov.