Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde e
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... LEIA MAISA estética de Beethoven não pretende como via de regra romper com a tradição, mas traz o sentimento de que o artista tem uma missão, uma necessidade de exprimir uma ideologia. Ele se quer testemunha de seu tempo e da própria humanidade. A mentalidade revolucionária do período em que Beethoven viveu faz eco em sua personalidade insubmissa e subversiva; e essa pré-disposição irrompe na sua obra, que não exprime ideias revolucionárias, mas é, ela mesma, um ato de revolução.
Exemplo maior disso é o procedimento inovador e peculiar empregado na Nona Sinfonia. O uso das vozes humanas (coro e solistas) e do poema “Ode à Alegria”, de Friedrich Schiller, são ousadias que vão para muito além da mera negação dos procedimentos clássicos de composição sinfônica. Beethoven faz uso de um e de outro como contribuição para a realização de uma ideia musical.
Ao que parece, a ideia de pôr música na “Ode à Alegria” já aparece em 1792, poucos anos após o grande poeta romântico ter publicado seus versos. Em 1807, Beethoven concebe a sua Fantasia para piano, coro e orquestra, op. 80, mais conhecida como Fantasia Coral. Elementos revelados nessa obra aparecem como uma espécie de ensaio para conceitos que serão realizados na Nona.
A última sinfonia de Beethoven é escrita entre 1822 e 1824, fase em que a sua surdez já é total e sua música apresenta maior ruptura com as formas e os procedimentos clássicos. O uso das vozes e as citações dos movimentos anteriores no movimento final, dentre outras ousadias estilísticas, ganharam especial significado e relevância na música do século XIX. Difícil atestar, mas a sua surdez, à parte a tragédia pessoal, parece ter, de fato, contribuído para uma diferenciação estética mais pronunciada de sua obra. Sem o isolamento silencioso do mundo exterior, Beethoven talvez não chegasse a atingir tal densidade de pensamento musical. Como escreverá mais tarde Victor Hugo: “Esse surdo ouvia o infinito”.
Neste concerto, celebramos o aniversário de dez anos da Sala Minas Gerais, a casa da Filarmônica. Inaugurada em fevereiro de 2015, a Sala Minas Gerais foi palco de dezenas de apresentações da nossa Orquestra e de momentos inesquecíveis, recebendo artistas e público sempre de portas abertas. Com a ajuda de um time de primeira linha de vozes brasileiras, homenageamos esse espaço tão importante para nós e para a cultura mineira com a Nona Sinfonia de Beethoven e todo o esplendor da sua “Ode à Alegria”.