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Fora de Série

Fora de Série 3 – 2026

classificação etária: 7anos

30 May, Sat - 18h00
Sala Minas Gerais

Foto: Vinícius Correia

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Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2022, tendo sido seu Regente Assistente nas duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio (2021), recebendo os prêmios do júri e do público. No Br

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OBRAS

Assim como seu amigo Pablo Picasso — outro gigante do modernismo —, Stravinsky passou por diferentes fases ao longo de sua vida criativa. A primeira etapa de sua produção é marcada pelo diálogo com tradições populares russas, perceptível nos ritmos violentos de A Sagração da Primavera. A partir dos anos 1920, o compositor adere ao neoclassicismo, aliando a disciplina formal a um jogo irônico com a música do passado. Por fim, da década de 1950 em diante, Stravinsky passa a empregar procedimentos dodecafônicos em uma série de obras austeras, muitas vezes vinculadas a temas religiosos.

Na Suíte nº 1, vemos o compositor dando os primeiros passos em direção à estética neoclássica. A obra é uma orquestração de quatro das Cinco peças fáceis, escritas no início de 1917 como duetos para piano a quatro mãos. Concebidas para serem tocadas pelo próprio compositor e por seus filhos pequenos, essas peças nasceram longe dos ouvidos do público. Nesse contexto íntimo e informal, Stravinsky voltou aos fundamentos da linguagem musical e encontrou, em sua simplicidade, um novo caminho para o modernismo. 

Texto de Paulo Sampaio

Compositor e pesquisador, doutorando em Música e Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo

Os anos conturbados da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa levaram Stravinsky a deixar sua terra natal e se estabelecer na França e, em seguida, na Suíça. Décadas mais tarde, a Segunda Guerra impeliu-o a abandonar a Europa e se fixar nos Estados Unidos, onde permaneceu até o fim da vida. Escritas sob encomenda para a Orquestra de Los Angeles, as Danças Concertantes são a primeira grande obra surgida no contexto desse segundo exílio.

As reservas da parcela conservadora da crítica norte-americana em relação à postura antirromântica de Stravinsky não abalaram suas convicções neoclássicas. Pelo contrário, sua recusa do sentimentalismo em favor da pureza construtiva se aprofundou ainda mais nesse período, como atestam as palestras apresentadas pelo compositor em Harvard entre 1939 e 1940, publicadas posteriormente sob o título Poética Musical. Com seus ritmos incisivos e sua arquitetura formal concisa, as Danças Concertantes são a encarnação perfeita do ideal estético apolíneo formulado pelo compositor nessas palestras, segundo o qual a arte mais livre é também a mais disciplinada.

 

Texto de Paulo Sampaio

Compositor e pesquisador, doutorando em Música e Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo

O nome de Stravinsky costuma ser associado sobretudo aos balés de sua fase russa — O pássaro de fogo, Petrushka e A Sagração da Primavera. No entanto, sua extensa produção guarda obras menos conhecidas, como O canto do rouxinol, pequena joia extraída dos atos II e III da ópera O Rouxinol. Concebida como poema sinfônico, a obra traduz musicalmente o conto de Hans Christian Andersen, narrando-o por meio de uma orquestração rica em cores, contrastes e jogos de luz e sombra.

Tudo começa na festa do imperador da China, evocada através de sonoridades feéricas, que fazem lembrar a música de Rimsky-Korsakov. O canto do rouxinol, executado pela flauta, logo se contrapõe ao burburinho. Mais tarde, a festa é interrompida pelo anúncio de um presente do Japão: um rouxinol mecânico, representado pelo oboé. Diante da preferência de todos pela novidade engenhosa, o verdadeiro rouxinol abandona o castelo. Mas o imperador está enfermo e somente seu canto pode afastar a morte, que é logo anunciada por uma marcha fúnebre. Eis o dilema central dessa pequena fábula sobre um tema sempre atual: a necessidade da arte.

(Texto adaptado de nota de programa de Oiliam Lanna)

 

De Cidadão Kane (1941), de Orson Welles, a Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese, dezenas de clássicos do cinema devem parte de sua força à música de Bernard Herrmann. Entre todas as suas trilhas, porém, nenhuma é tão marcante quanto a de Psicose (1960), fruto de sua longa parceria com Alfred Hitchcock.

Para acentuar a atmosfera de tensão do filme, Herrmann abre mão da sonoridade romântica das orquestras hollywoodianas convencionais, limitando-se aos instrumentos de cordas — uma orquestração em preto e branco, segundo ele, para complementar a cinematografia em preto e branco de Hitchcock. A influência de Stravinsky se faz sentir em várias passagens da trilha, tanto no uso percussivo das cordas quanto na repetição obsessiva de pequenos padrões melódicos. Ao mesmo tempo, Herrmann é altamente original na maneira de relacionar as técnicas modernistas aos acontecimentos do filme e, sobretudo, ao estado psicológico das personagens. Na cena icônica do assassinato no chuveiro, por exemplo, os agudos estridentes dos violinos condensam em uma única imagem sonora o ritmo implacável das facadas e os gritos da vítima.

Texto de Paulo Sampaio

Compositor e pesquisador, doutorando em Música e Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo

Considerado por muitos um dos maiores compositores contemporâneos, John Adams desenvolveu um estilo inconfundível, que alia a vivacidade rítmica a uma enorme sofisticação harmônica e formal. O movimento incessante que atravessa muitas de suas obras remete ao minimalismo da geração anterior de compositores norte-americanos; Adams, porém, não busca parar o tempo, como Philip Glass ou Steve Reich. Mesmo quando mantém uma pulsação constante, sua música nos leva para uma viagem dramática cuidadosamente delineada.

No caso de Short ride in a fast machine, essa viagem assume a forma de uma corrida em alta velocidade. O próprio compositor associou a peça à sensação de estar em um carro perigosamente rápido, à beira do descontrole. Esse risco é experimentado tanto pelos ouvintes como pelos músicos, que enfrentam o desafio de coordenar múltiplas camadas de ritmos conflitantes. Seu esforço, porém, é mais do que recompensado pela potência do resultado sonoro. Com sua brilhante maquinaria musical, Adams consegue trazer para o contexto contemporâneo a energia visceral das obras da fase russa de Stravinsky. 

Texto de Paulo Sampaio

Compositor e pesquisador, doutorando em Música e Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo


Stravinsky revolucionou a história da música ocidental, principalmente com sua magnífica A Sagração da Primavera. A maneira como desenvolveu os conceitos de ritmo, harmonia e orquestração marcou outras de suas obras. Nas últimas décadas, a força de sua música se revelou no minimalismo de John Adams e até em trilhas para o cinema, como no clássico filme Psicose, de Hitchcock, com música de Bernard Herrmann.