Nos dias 12 e 13 de março, às 20h30, na Sala Minas Gerais, a Filarmônica de Minas Gerais dá início à Temporada 2026 das séries Allegro e Vivace com duas obras emblemáticas do grande compositor russo Tchaikovsky. Da paixão incontida em Francesca da Rimini à exuberância contagiante do famoso Capricho Italiano, a Filarmônica de Minas Gerais dá o tom da nova temporada. O clarinetista principal da Orquestra, Marcus Julius Lander, interpreta um dos concertos mais envolventes do repertório, o Concerto para clarinete, de John Corigliano. O programa ainda apresenta Avessia, de Marisa Rezende, que integra o CD com obras da compositora brasileira, gravado pela Filarmônica de Minas Gerais em fevereiro deste ano, dentro do projeto “A Música do Brasil”, numa parceria com o Itamaraty e o selo internacional Naxos. A regência é do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais. Os ingressos estarão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir de R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).

Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura, pelo Governo de Minas Gerais e pela Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Mantenedor: Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. Apoio: Circuito Liberdade e Programa Amigos da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Governo de Minas Gerais, Funarte, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.

Maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais 

Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo o responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. 

Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville por quatorze anos (1999 – 2014), tendo recebido o título de Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das orquestras sinfônicas de Syracuse (1992 – 1999) e de Spokane (1993 – 2004), nesta última atuando como Regente Laureado. Em 2014, tornou-se o primeiro maestro brasileiro a assumir a Regência Titular de uma orquestra asiática, ao aceitar o convite da Orquestra Filarmônica da Malásia, onde permaneceu por dois anos.

Ainda nos Estados Unidos, atuou como Regente Associado de Mstislav Rostropovich, na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com a qual se apresentou no Kennedy Center e no Capitólio. Foi também Regente Residente da Orquestra Sinfônica de San Diego. Estreou no Carnegie Hall, em Nova York, conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey, e tem dirigido diversas orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É presença constante nos festivais de verão dos Estados Unidos, como os de Grant Park, em Chicago, e Chautauqua, em Nova York.

Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, Mechetti rege regularmente na Escandinávia, com destaque para a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a Orquestra de Helsingborg, na Suécia. Na Finlândia, dirigiu a Filarmônica de Tampere; na Itália, a Orquestra Sinfônica de Roma e a Orquestra do Ateneo, em Milão; na Dinamarca, a Filarmônica de Odense; na Escócia, a BBC Scottish Symphony; além de ter conduzido a Sinfônica Nacional da Colômbia e estreado no Festival Casals com a Sinfônica de Porto Rico. Na Argentina, rege regularmente a Filarmônica do Teatro Colón.

No Brasil, tem sido convidado a reger a Osesp, a Sinfônica Brasileira, as orquestras municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Sinfônica do Paraná, a Petrobras Sinfônica, entre outras. Trabalhou com artistas de renome, como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Antonio Meneses, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros. 

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School de Nova York.

Marcus Julius Lander, clarinete

Principal clarinetista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, é bacharel em Clarinete pela Unesp, onde frequentou a classe de Sérgio Burgani. Foi aluno também de Luís Afonso Montanha, na USP, e de Jonathan Cohler, no Conservatório de Boston. Integrou a Orquestra Acadêmica de São Paulo e foi chefe de naipe na Jovem Municipal de Guarulhos, na Sinfônica Heliópolis e na Jovem do Estado de São Paulo. Esteve como palestrante nos conservatórios de Shenyang e Taiyuan, na China, e no Instituto Superior de Música do Estado de Veracruz, no México. Como artista residente, participou, na China, do 8º Festival Internacional de Clarinete e Saxofone de Nanning, em 2010, do Festival Internacional de Clarinete de Pequim, em 2014, e da Dream Clarinet Academy, em Baoding, em 2017. Foi artista residente também no IV Congresso Latino-americano de Clarinetistas, no Peru, e na Academia Internacional de Clarinete da Tailândia, ambos em 2019, e nas duas primeiras edições do Festival Internacional de Clarinete Yuuban, no México, em 2023 e 2024.

Repertório

Marisa Rezende (Rio de Janeiro, Brasil, 1944) e a obra Avessia (2005)

Para Marisa Rezende, “a parte divertida” de seu processo criativo é “dar ao material muitas caras diferentes, da mesma forma como eu posso mudar de roupas tantas vezes quanto queira, sem que com isso perca a minha identidade”. A cada obra sua, testemunhamos seu contínuo “interesse por sonoridades consonantes” revestir-se de novas formas e tomar caminhos inauditos, ainda que familiares. Gestos musicais claros, mas nunca óbvios, orientam as transformações, como a sugestão de fanfarra no início “Quase solene” de Avessia. A sugestão é apta, dado que a obra de 2005, dedicada à filha caçula, Marta Rezende, e ao compositor João Guilherme Ripper, foi encomendada para festejar os 40 anos da Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, à época dirigida por Ripper. Embora celebratória, a obra ecoa a comoção da compositora face àquilo que aquele espaço simboliza e ao papel que desempenha, às suas tantas lutas e muitas vitórias, que revelam “uma tenacidade que só as grandes verdades inspiram”. Enfrentamento pela “força da música” e “fé na arte”, Avessia é, como dicionarizada, “a qualidade do que é avesso”; na linguagem de Rezende, a potência (musical) “do lado escondido das coisas”.

John Corigliano (Nova York, Estados Unidos, 1938) e a obra Concerto para clarinete (1977)

O Concerto para clarinete foi composto em 1977, ano em que John Corigliano se afastou da sonoridade americana de Barber e Copland para experimentar propostas associadas às vanguardas pós-Segunda Guerra, como o microtonalismo, que se vale da estranheza e da novidade de afinações não convencionais como matéria expressiva. É esse universo insólito que este concerto adentra. Nele, o clarinete solista é protagonista absoluto, com “Cadências” que se alastram pelo espaço musical feito “fogo-fátuo”. Indicação do compositor, esse fenômeno de regiões pantanosas em que pequenos clarões se movimentam de forma errática é associado por culturas diversas a seres mágicos, que confundem e atacam viajantes. No concerto de Corigliano, isso se manifesta nos espectrais serpenteios sonoros que cruzam a misteriosa atmosfera criada por afinações e usos instrumentais inusuais. Trinados, sequências de notas repetidas que aceleram e desaceleram, e sons extremados e penetrantes incendeiam o drama, que se arrefece na enigmática e nebulosa “Elegia” em memória de seu pai. O final desenfreado reacende a trama inicial, combinando inventivamente o virtuosismo obsessivo da tocata ao jogo de perguntas e respostas da antífona.

Piotr Ilitch Tchaikovsky (Votkinsk, Rússia, 1840 – São Petersburgo, Rússia, 1893) e a obra Francesca da Rimini, op. 32 (1876)

Francesca, filha de Guido I da Polenta, nasceu por volta de 1260. Numa aliança política, foi prometida a Giovanni, primogênito feio e rude de Malatesta da Verucchio, senhor de Rimini. Este, imaginando que Francesca pudesse recusar o casamento, enviou seu caçula, Paolo, o Belo, para realizar o enlace por procuração. Tendo visto Paolo pela janela, Francesca imaginou ser ele seu esposo, surpreendendo-se ao conhecer seu verdadeiro marido. Recontada por Dante Alighieri, em A Divina Comédia — Inferno, Canto 5 —, a história serviu de inspiração para Tchaikovsky, que, em carta de agosto de 1876, se disse “inflamado pelo desejo de escrever um poema sinfônico sobre Francesca”. Composta em cinco semanas, a obra foi estreada em 9 de março de 1877, pela Sociedade Musical Russa, sob a regência de Nikolai Rubinstein. Escrita em um único movimento, retrata a descida de Dante ao inferno; a tempestade de vento que faz as almas dos que viveram em luxúria girarem sem descanso; a história de amor de Francesca e Paolo, mortos pelas mãos do irmão traído; e o retorno do vento que os leva embora.

Piotr Ilitch Tchaikovsky (Votkinsk, Rússia, 1840 – São Petersburgo, Rússia, 1893) e a obra Capricho Italiano, op. 45 (1880)

No dia 20 de dezembro de 1879, Tchaikovsky chegou a Roma para visitar seu irmão Modest, que ali morava há alguns meses. Em carta a Nadezhda von Meck, mecenas e confidente, admitia estar sem inspiração para compor, preferindo ir a museus. Encantado com a cidade, passou a gestar uma ideia que relataria ao amigo Sergei Taneyev em janeiro seguinte: “escrever uma suíte italiana sobre temas folclóricos”. Totalmente esboçada em menos de um mês, a “fantasia italiana”, como especula em correspondência com Von Meck de fevereiro de 1880, “será eficaz graças aos temas encantadores que consegui reunir, em parte de coleções, em parte ouvindo pessoalmente nas ruas”. Nomeada Capricho Italiano, a obra foi concluída em 24 de maio de 1880 e, de fato, estreada com triunfo pela Sociedade Musical Russa, sob a regência de Nikolai Rubinstein, em 18 de dezembro de 1880. Em um só movimento, essa coleção rapsódica de temas folclóricos é enriquecida por uma orquestração exuberante. O tema solene dos trompetes que a descortina, de acordo com Modest, é o toque militar que Tchaikovsky ouvia diariamente vindo das barracas da cavalaria a poucos metros de seu hotel.

Filarmônica de Minas Gerais 

Série Allegro

12 de março – 20h30 

Sala Minas Gerais

Série Vivace

13 de março – 20h30 

Sala Minas Gerais

Fabio Mechetti, regente

Marcus Julius Lander, clarinete

M. REZENDE                    Avessia

J. CORIGLIANO               Concerto para clarinete

TCHAIKOVSKY                Francesca da Rimini, op. 32

TCHAIKOVSKY                Capricho Italiano, op. 45            

INGRESSOS:

R$ 50 (Mezanino), R$ 58 (Coro), R$ 58 (Terraço), R$ 84 (Balcão Palco), R$ 105 (Balcão Lateral), R$ 143 (Plateia Central), R$ 185 (Balcão Principal) e R$ 207 (Camarote).

Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

Bilheteria da Sala Minas Gerais

Horário de funcionamento

Dias sem concerto:

3ª a 6ª — 12h a 20h

Sábado — 12h a 18h 

Em dias de concerto, o horário da bilheteria é diferente:

— 12h a 22h — quando o concerto é durante a semana 

— 12h a 20h — quando o concerto é no sábado 

— 09h a 13h — quando o concerto é no domingo

São aceitos:

  • Cartões das bandeiras Elo, Mastercard e Visa
  • Pix

ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi fundada em 2008 e tornou-se referência no Brasil e no mundo por sua excelência artística e vigorosa programação. 

Conduzida pelo seu Diretor Artístico e Regente Titular, Fabio Mechetti, a Orquestra é composta por 90 músicos de todas as partes do Brasil, Europa, Ásia e das Américas. 

O grupo recebeu numerosos menções e prêmios, sendo o mais recente o Prêmio Concerto 2024 na categoria CD/DVD/Livros, com o álbum com obras de Lorenzo Fernandez. A Orquestra já havia recebido Prêmio Concerto 2023 na categoria Música Orquestral, por duas apresentações realizadas no Festival de Inverno de Campos do Jordão, SP, o Grande Prêmio da Revista CONCERTO em 2020 e 2015, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra Brasileira em 2012 e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) em 2010 como o Melhor Grupo de Música Clássica do Ano. 

Suas apresentações regulares acontecem na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, em cinco séries de assinatura em que são interpretadas grandes obras do repertório sinfônico, com convidados de destaque no cenário da música orquestral. Tendo a aproximação com novos ouvintes como um de seus nortes artísticos, a Orquestra também traz à cidade uma sólida programação gratuita – são os Concertos para a Juventude, Filarmônica na Praça, os Concertos de Câmara e os concertos de encerramento do Festival Tinta Fresca e do Laboratório de Regência. Para as crianças e adolescentes, a Filarmônica dedica os Concertos Didáticos, em que mostra os primeiros passos para apreciar a música de concerto. 

 A Orquestra possui 19 álbuns gravados, entre eles seis integram o projeto Brasil em Concerto, do selo internacional Naxos junto ao Itamaraty. O álbum Almeida Prado – obras para piano e orquestra, com Fabio Mechetti e Sonia Rubinsky, foi indicado ao Grammy Latino 2020.

Ainda em 2020, a Filarmônica inaugurou seu próprio estúdio de TV para a realização de transmissões ao vivo de seus concertos, totalizando hoje mais de 100 concertos transmitidos em seu canal no YouTube, onde se podem encontrar diversos outros conteúdos sobre a orquestra e a música de concerto.

A Filarmônica realiza também diversas apresentações por cidades do interior mineiro e capitais do Brasil, tendo se apresentado também na Argentina e Uruguai. Em celebração ao bicentenário da Independência do Brasil, em 2022, realizou uma turnê a Portugal, apresentando-se nas principais salas de concertos do país nas cidades do Porto, Lisboa e Coimbra, além de um concerto a céu aberto, no Jardim da Torre de Belém, como parte da programação do Festival Lisboa na Rua, promovido pela Prefeitura de Lisboa.

A sede da Filarmônica, a Sala Minas Gerais, foi inaugurada em 2015, sendo uma referência pelo seu projeto arquitetônico e acústico. Considerada uma das principais salas de concertos da América Latina, recebe anualmente um público médio de 100 mil pessoas.

A Filarmônica de Minas Gerais é uma das iniciativas culturais mais bem-sucedidas do país. Juntas, Sala Minas Gerais e Filarmônica vêm transformando a capital mineira em polo da música sinfônica nacional e internacional, com reflexos positivos em outras áreas, como, por exemplo, turismo e relações de comércio internacional.