Referência entre a nova geração de maestros latino-americanos, regeu algumas das principais orquestras da Argentina, do Brasil, do México, do Uruguai e do Chile. Com grande afinidade com o repertório lírico, colabora com as maiores casas de ópera da Argentina: o Teatro Colón e o Teatro Ar
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Principal oboísta da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, iniciou sua formação musical com seu pai, Joaquim Inácio Barros. Prosseguiu seus estudos com Afrânio Lacerda, Gustavo Napoli, Carlos Ernest Dias e Arcádio Minczuk. Ganhou o primeiro prêmio no 5º C
... LEIA MAISA Abertura para um Fausto Crioulo é livremente inspirada no poema de Estanislao del Campo (1834–1880) intitulado Fausto: Impresiones del gaucho Anastasio el Pollo en la representación de la Ópera. Em Poesía Gauchesca, Borges e Bioy Casares relatam que Del Campo, ao assistir a uma apresentação da ópera Fausto, de Charles Gounod, no Teatro Colón de Buenos Aires, teria passado toda a récita a comentar irônica e bem-humoradamente com sua mulher sobre as possíveis reações que uma obra do gênero provocaria num camponês ingênuo. Naquela mesma noite de agosto de 1866, escreveria o poema que o consagraria, no qual o gaúcho nomeado no título, ao ir à ópera e não sabendo tratar-se de uma representação, relata ao amigo Laguna como sendo verídica a história de um tal doutor que vende a alma ao diabo. Estreada em 12 de maio de 1944 pela Orquestra Sinfônica do Chile, regida por Juan José Castro, a abertura é exemplo do “nacionalismo objetivo” do compositor e combina engenhosamente elementos folclóricos estilizados com alguns dos motivos musicais da célebre ópera de Gounod.
TEXTO ADAPTADO DE NOTA DE PROGRAMA DE IGOR REYNER
Jennifer Higdon é uma das figuras mais aclamadas da música de concerto contemporânea. Suas obras, que já foram incluídas em mais de 70 álbuns, têm sido apresentadas em centenas de concertos anualmente. Sua primeira ópera, Cold Mountain, conquistou o prêmio de melhor estreia mundial no International Opera Awards de 2016, sendo indicada a dois Grammys em 2017. Em 2018, Higdon recebeu o prestigioso Prêmio Nemmers, da Universidade Northwestern, concedido a compositores clássicos contemporâneos de excepcional produção que exercem significativa influência sobre o universo da composição. Mais recentemente, em 2022, foi eleita para a Academia Americana de Artes e Letras.
Essa trajetória destacada consolidou-se em 2010, quando Higdon alcançou um feito raro: conquistou o Prêmio Pulitzer em música e o Grammy de melhor composição clássica contemporânea. Duas das maiores distinções estadunidenses, os prêmios foram ambos atribuídos a obras concertantes, espinha dorsal de uma produção que conta com concertos para orquestra (2002), saxofone soprano (2007), piano (2009), metais graves (2017), bandolim (2021), viola (2015), harpa (2018) — os dois últimos lhe valeram outros dois Grammys, em 2018 e 2020.
“Quando escrevo um concerto,” diz Higdon, “penso em duas coisas: o solista para quem estou escrevendo e a natureza do instrumento solista”. No caso do Concerto para oboé, as virtudes do instrumento de fato estruturam seu único movimento. O lirismo do oboé governa o início, a partir de uma linha ascendente e expansiva. O talento para o dueto se expressa nos diálogos e nas interações do solista com instrumentos isolados da orquestra. Finalmente, sua aptidão para passagens jocosas inflama as passagens rápidas e seções velozes. Encomendada pelo Minnesota Commissioning Club, a obra foi estreada por Kathy Greenbank com a Orquestra de Câmara Saint Paul, em 2005.
TEXTO DE IGOR REYNER
(Escritor, pesquisador e pianista. Doutor em Letras pelo King’s College London. Autor do livro Corpo Sonoro & Sound Body (Impressões de Minas, 2022).
Edward Elgar passou seus últimos 15 anos de vida num silêncio quase total, depois de um “período outonal” pós-Primeira Guerra Mundial, durante o qual se dedicou à música de câmara e compôs o célebre Concerto para violoncelo. Antes disso, contudo, já havia se tornado o primeiro compositor inglês moderno a garantir um lugar fixo no repertório sinfônico internacional. Autor de uma obra decisiva para o renascimento da música britânica a partir dos últimos anos do reinado da rainha Vitória, consagrou-se como o compositor mais agraciado da época eduardiana, muito em razão das Variações Enigma — apresentadas pelo célebre regente Hans Richter em 1899 — e por suas Marchas Militares de Pompa e Circunstância, que adquiriram o estatuto de hinos nacionais. Em 3 dezembro de 1908, estreou sua Sinfonia nº 1, também sob a regência de Hans Richter, em Manchester. A obra divide-se em quatro movimentos e seduz pelo senso formal e pela monumentalidade. O tema denso e sinuoso que introduz o primeiro movimento passeia até o final majestoso e sereno. O segundo movimento divide-se entre um scherzo e uma seção contrastante de caráter nostálgico e bucólico. Seu conclusivo retorno ao scherzo se dissolve, sem interrupção, no terceiro movimento, cuja ternura contrasta com o finale, que culmina com o retorno triunfal do tema condutor, suntuosamente orquestrado.
TEXTO ADAPTADO DE NOTA DE PROGRAMA DE PAULO SÉRGIO MALHEIROS
A regente argentina Natalia Salinas faz sua estreia com a Filarmônica, apresentando uma abertura de seu contemporâneo Alberto Ginastera e uma releitura da gloriosa Primeira Sinfonia, de Edward Elgar. Nosso oboísta principal, Alexandre Barros, interpreta, pela primeira vez em nossa história, o Concerto para Oboé, da compositora norte-americana Jennifer Higdon.