A genialidade de Mozart não foi apenas prodigiosa em seu tempo, mas atravessou os séculos. Na série “Fora de Série” do dia 25 de abril, às 18h, na Sala Minas Gerais, o público terá a oportunidade de conhecê-lo como compositor de óperas, de árias e de música sinfônica, com participação da soprano Maria Carla Pino. A influência de Mozart se percebe de forma marcante na música de Tchaikovsky, especialmente em suas Variações Rococó, que serão interpretadas pelo violoncelista Rafael Cesario. A regência é do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais. Em 2026, a série Fora de Série, realizada aos sábados, destaca os grandes nomes que moldaram a história da música e aqueles que se deixaram transformar por eles. Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir de R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). O concerto terá transmissão ao vivo pelo canal da Filarmônica no YouTube e pela Rádio MEC FM (87,1 BH e Brasília/99,3 RJ).

Em 2026, a série Fora de Série, realizada aos sábados, destaca os grandes nomes que moldaram a história da música e aqueles que se deixaram transformar por eles. Para o maestro Fabio Mechetti, “Vivemos na era dos “influenciadores”. Mas, na verdade, toda época teve os seus: figuras cujas vozes, visões e talentos deixaram marcas profundas, definindo quem somos e quem seremos. No universo da música, histórias foram escritas por mestres e discípulos, em ideias que continuam a atravessar séculos, fronteiras e estilos”. Em 2026, o número de concertos da série “Fora de Série” aumentou de seis para oito sábados.

Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura, pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Mantenedor: Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. Apoio: Circuito Liberdade e Programa Amigos da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Governo de Minas Gerais, Funarte 50 anos, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais 

Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo o responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. 

Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville por quatorze anos (1999 – 2014), tendo recebido o título de Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das orquestras sinfônicas de Syracuse (1992 – 1999) e de Spokane (1993 – 2004), nesta última atuando como Regente Laureado. Em 2014, tornou-se o primeiro maestro brasileiro a assumir a Regência Titular de uma orquestra asiática, ao aceitar o convite da Orquestra Filarmônica da Malásia, onde permaneceu por dois anos.

Ainda nos Estados Unidos, atuou como Regente Associado de Mstislav Rostropovich, na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com a qual se apresentou no Kennedy Center e no Capitólio. Foi também Regente Residente da Orquestra Sinfônica de San Diego. Estreou no Carnegie Hall, em Nova York, conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey, e tem dirigido diversas orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É presença constante nos festivais de verão dos Estados Unidos, como os de Grant Park, em Chicago, e Chautauqua, em Nova York.

Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, Mechetti rege regularmente na Escandinávia, com destaque para a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a Orquestra de Helsingborg, na Suécia. Na Finlândia, dirigiu a Filarmônica de Tampere; na Itália, a Orquestra Sinfônica de Roma e a Orquestra do Ateneo, em Milão; na Dinamarca, a Filarmônica de Odense; na Escócia, a BBC Scottish Symphony; além de ter conduzido a Sinfônica Nacional da Colômbia e estreado no Festival Casals com a Sinfônica de Porto Rico. Na Argentina, rege regularmente a Filarmônica do Teatro Colón.

No Brasil, tem sido convidado a reger a Osesp, a Sinfônica Brasileira, as orquestras municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Sinfônica do Paraná, a Petrobras Sinfônica, entre outras. Trabalhou com artistas de renome, como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Antonio Meneses, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros. 

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School de Nova York.

Maria Carla Pino, soprano

Nascida em João Pessoa, em uma família musical, Maria Carla Pino vem se destacando nos cenários brasileiro e internacional. Após iniciar sua graduação na Universidade Federal da Paraíba, foi convidada pela renomada Margreet Honig a concluir seus estudos na Escola Superior de Música da Basileia (Suíça), onde obteve os títulos de Bacharel e Mestre. Foi vencedora do Prêmio de Incentivo da Basileia (Basler Förderpreis) e finalista da Competição da Ópera de Paris.

Durante sua formação na Suíça, a soprano interpretou diversos papéis operísticos no Teatro da Basileia e apresentou as árias de concerto de Mozart ao lado da Orquestra de Câmara da Basileia. Participou ainda da estreia mundial da ópera Il Viaggio, Dante, de Pascal Dusapin, no Festival Internacional de Aix-en-Provence (França). Na América Latina, tem se apresentado com as Orquestras Sinfônicas da Paraíba, de Campinas e de Concepción (Chile).

Rafael Cesario, violoncelo

Rafael Cesário é um dos grandes nomes do violoncelo no país. Mestre pela Universidade de São Paulo, aperfeiçoou-se no Conservatório Departamental do Val de Bièvre (França), sob orientação de Romain Garioud. Sua formação inclui ainda cursos com violoncelistas renomados como Antonio Meneses, Peter Szabo e Alisa Weilerstein. 

Como solista, Cesário tem se apresentado com importantes orquestras brasileiras, como a Orquestra Sinfônica do Paraná, a Orquestra do Theatro São Pedro (São Paulo) e a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Em 2022, ocupou a cadeira de primeiro violoncelo da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, na estreia do conjunto no Carnegie Hall. Muito ativo na música de câmara, integra o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo e possui uma discografia significativa, que enfatiza a música brasileira e inclui gravações lançadas internacionalmente pelo selo Naxos.

Repertório

Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, Áustria, 1756Viena, Áustria, 1791) e a obra A Clemência de Tito, K. 621: Abertura (1791) 

Mozart viveu um período de transição entre o absolutismo e os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. A tensão entre esses dois mundos se traduziu em um drama pessoal para o compositor, que se ressentia das restrições impostas pelo patrocínio aristocrático e, ao mesmo tempo, penava para sobreviver como artista independente em um mercado musical ainda incipiente.

Seja pela sua forma, que segue a tradição da opera seria, seja pelo seu conteúdo político, A Clemência de Tito se filia ao Antigo Regime. Encomendada para festejar a coroação de Leopoldo II como rei da Boêmia, a ópera exalta as virtudes do soberano por meio de um paralelo com o imperador romano Tito, paradigma clássico da justiça. Esse contexto ideológico contribuiu para que A Clemência de Tito fosse vista como uma obra menor — sobretudo quando comparada com A Flauta Mágica, composta no mesmo período e inspirada em ideias iluministas. Hoje, porém, podemos tomá-la como testemunho da complexidade da figura histórica de Mozart, assim como de sua capacidade de criar obras igualmente perfeitas a partir de visões de mundo opostas. 

Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, Áustria, 1756Viena, Áustria, 1791) 

No, no, che non sei capace, K. 419 (1783)

A Flauta Mágica, K. 620: Ach, ich fühl’s (1791)

Vorrei spiegarvi, oh Dio, K. 418 (1783)

Vorrei spiegarvi, oh Dio e No, no, che non sei capace são árias de Mozart que não pertencem a nenhuma de suas óperas. Ambas foram originalmente inseridas em uma ópera de um compositor italiano hoje pouco lembrado, em um contexto em que era comum acrescentar novas árias a obras alheias. Essa prática, frequente até meados do século XIX, tinha como objetivo valorizar a voz de uma cantora específica e contribuir para o sucesso da montagem. Foi o que ocorreu nesse caso: Mozart escreveu essas árias sob medida para sua cunhada, Aloysia Weber. A beleza de seus agudos era bem conhecida pelo compositor, que chegou a lhe dar aulas de canto durante sua estadia em Mannheim, no final da década de 1770.

“Ach, ich fühl’s”, por sua vez, integra o segundo ato de A Flauta Mágica. A ária é cantada por Pamina quando um mal-entendido a leva a crer que Tamino, seu príncipe, deixou de amá-la. A música retrata com grande sensibilidade o desespero da princesa, expresso em versos como: “Ah, eu sinto que a felicidade do amor se foi para sempre! As horas de prazer jamais retornarão ao meu coração”.

Piotr Ilitch Tchaikovsky (Votkinsk, Rússia, 1840 – São Petersburgo, Rússia, 1893) e a obra Variações sobre um tema rococó, op. 33 (1876-1877)

“Devo a Mozart o fato de ter dedicado minha vida à música”, escreveu Tchaikovsky à sua mecenas Nadejda von Meck, em uma carta de março de 1878. À primeira vista, a afirmação pode soar inusitada, dada a distância entre a turbulência emocional de sua obra e a serenidade mozartiana. No entanto, seu amor pelo compositor vienense é reiterado em diversos outros documentos. “De todos os grandes mestres, Mozart é o que mais me fascina”, escreveu ele em sua Autobiografia (1889). “É assim desde o dia em que o ouvi pela primeira vez, e será assim até o fim”.

Poucas obras tornam esse vínculo tão claro quanto as Variações sobre um tema rococó. Dedicada ao professor de violoncelo do Conservatório de Moscou — onde Tchaikovsky também lecionava —, a peça funciona como um pequeno concerto para o instrumento. O tema apresentado pelo solista após a breve introdução orquestral é de autoria do próprio compositor, mas emula o estilo do século XVIII. À medida que passa por diferentes texturas e coloridos orquestrais, a música adquire um caráter mais romântico — sem jamais abrir mão da elegância clássica.

Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, Áustria, 1756Viena, Áustria, 1791) e a obra Sinfonia nº 36 em Dó maior, K. 425, “Linz” (1783)

Em julho de 1783, Mozart viajou de Viena a Salzburgo ao lado de sua esposa, Constanze, com o objetivo de apresentá-la a seu pai, Leopold. Depois de mais um ano buscando convencer o pai, por meio de cartas, a aceitar seu casamento, o compositor decidiu buscar a reconciliação pessoalmente. Infelizmente, Leopold se mostrou inflexível, insistindo na imprudência do filho em constituir uma família a despeito de sua situação financeira precária — ainda por cima, com uma mulher sem dote. No trajeto de volta, o casal passou alguns dias na cidade de Linz. Ao saber da chegada de Mozart, um aristocrata local lhe comunicou que um concerto em sua homenagem seria realizado dali a seis dias. Trabalhando com rapidez espantosa, o compositor escreveu uma nova obra para a ocasião. Mesmo tendo sido completada em somente quatro dias, a Sinfonia nº 36 é mais longa e complexa do que suas antecessoras. De fato, ela se equilibra perfeitamente entre a leveza galante das sinfonias de juventude e o tom mais solene que o compositor adotaria em suas últimas obras. 

Filarmônica de Minas Gerais 

Fora de Série

25 de abril – 18h

Sala Minas Gerais

Fabio Mechetti, regente

Maria Carla Pino, soprano

Rafael Cesario, violoncelo

MOZART              A Clemência de Tito, K. 621: Abertura

MOZART              No, no che non sei capace, K. 419

MOZART              A Flauta Mágica, K. 620: Ach, ich fühls

MOZART              Vorrei spiegarvi, oh Dio, K. 418

TCHAIKOVSKY    Variações sobre um tema rococó, op. 33 

MOZART              Sinfonia nº 36 em Dó maior, K. 425, “Linz”

INGRESSOS:

R$ 50 (Mezanino), R$ 58 (Coro), R$ 58 (Terraço), R$ 84 (Balcão Palco), R$ 105 (Balcão Lateral), R$ 143 (Plateia Central), R$ 185 (Balcão Principal) e R$ 207 (Camarote).

Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

Bilheteria da Sala Minas Gerais

Horário de funcionamento

Dias sem concerto:

3ª a 6ª — 12h a 20h

Sábado — 12h a 18h 

Em dias de concerto, o horário da bilheteria é diferente:

— 12h a 22h — quando o concerto é durante a semana 

— 12h a 20h — quando o concerto é no sábado 

— 09h a 13h — quando o concerto é no domingo

São aceitos:

  • Cartões das bandeiras Elo, Mastercard e Visa
  • Pix

ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi fundada em 2008 e tornou-se referência no Brasil e no mundo por sua excelência artística e vigorosa programação. 

Conduzida pelo seu Diretor Artístico e Regente Titular, Fabio Mechetti, a Orquestra é composta por 90 músicos de todas as partes do Brasil, Europa, Ásia e das Américas. 

O grupo recebeu numerosos prêmios e menções, sendo o mais recente o Prêmio Concerto 2024 na categoria CD/DVD/Livros, com o álbum com obras de Lorenzo Fernandez. A Orquestra já havia recebido Prêmio Concerto 2023 na categoria Música Orquestral, por duas apresentações realizadas no Festival de Inverno de Campos do Jordão, SP, o Grande Prêmio da Revista CONCERTO em 2020 e 2015, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra Brasileira em 2012 e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) em 2010 como o Melhor Grupo de Música Clássica do Ano. 

Suas apresentações regulares acontecem na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, em cinco séries de assinatura em que são interpretadas grandes obras do repertório sinfônico, com convidados de destaque no cenário da música orquestral. Tendo a aproximação com novos ouvintes como um de seus nortes artísticos, a Orquestra também traz à cidade uma sólida programação gratuita – são os Concertos para a Juventude, Filarmônica na Praça, os Concertos de Câmara e os concertos de encerramento do Festival Tinta Fresca e do Laboratório de Regência. Para as crianças e adolescentes, a Filarmônica dedica os Concertos Didáticos, em que mostra os primeiros passos para apreciar a música de concerto. 

 A Orquestra possui 20 álbuns gravados, entre eles sete integram o projeto Brasil em Concerto, do selo internacional Naxos junto ao Itamaraty. O álbum Almeida Prado – obras para piano e orquestra, com Fabio Mechetti e Sonia Rubinsky, foi indicado ao Grammy Latino 2020.

Ainda em 2020, a Filarmônica inaugurou seu próprio estúdio de TV para a realização de transmissões ao vivo de seus concertos, totalizando hoje mais de 100 concertos transmitidos em seu canal no YouTube, onde se podem encontrar diversos outros conteúdos sobre a orquestra e a música de concerto.

A Filarmônica realiza também diversas apresentações por cidades do interior mineiro e capitais do Brasil, tendo se apresentado também na Argentina e Uruguai. Em celebração ao bicentenário da Independência do Brasil, em 2022, realizou uma turnê a Portugal, apresentando-se nas principais salas de concertos do país nas cidades do Porto, Lisboa e Coimbra, além de um concerto a céu aberto, no Jardim da Torre de Belém, como parte da programação do Festival Lisboa na Rua, promovido pela Prefeitura de Lisboa.

A sede da Filarmônica, a Sala Minas Gerais, foi inaugurada em 2015, sendo uma referência pelo seu projeto arquitetônico e acústico. Considerada uma das principais salas de concertos da América Latina, recebe anualmente um público médio de 100 mil pessoas.

A Filarmônica de Minas Gerais é uma das iniciativas culturais mais bem-sucedidas do país. Juntas, Sala Minas Gerais e Filarmônica vêm transformando a capital mineira em polo da música sinfônica nacional e internacional, com reflexos positivos em outras áreas, como, por exemplo, turismo e relações de comércio internacional.