No dia 25 de junho, às 20h30, na Sala Minas Gerais, o público poderá conhecer as quatro obras finalistas da 14ª edição do Festival Tinta Fresca, promovido pela Filarmônica de Minas Gerais, em concerto gratuito, com regência do maestro associado José Soares. São elas: Cenas da Caatinga, de Jônatas Reis; Pau-Brasil: O Tesouro da Mata Atlântica, de Fernando Britto; Momentos do Caraça, de Rodrigo Aredes, e Suíte Refloresta, de Jonas Hocherman. Oportunidade rara no cenário nacional, a inciativa pioneira da Orquestra é destinada a identificar e fomentar novos talentos da criação musical sinfônica e tem oferecido um importante espaço a compositores brasileiros. Entre os autores escolhidos, um vencedor receberá encomenda de obra sinfônica inédita a ser estreada na Temporada 2027 da Filarmônica de Minas Gerais. O Festival conta com uma comissão julgadora composta por profissionais de renome nacional, que, em 2026, é formada pelos compositores Alexandre Guerra, André Mehmari e Oiliam Lanna. A apresentação é gratuita, com interpretação em libras e transmissão ao vivo pelo canal da Filarmônica no YouTube, pela Rede Minas e pela Rádio MEC FM (87,1 BH e Brasília/99,3 RJ).
Esta edição adota o tema Biomas do Brasil. Em consonância com os debates contemporâneos sobre meio ambiente e sustentabilidade, esta proposta busca unir a relevância do tema ecológico ao processo de criação musical. O Brasil é um dos países com maior biodiversidade do planeta, abrigando seis biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. Cada um desses biomas apresenta características únicas de flora, fauna, clima, relevo e modos de vida. Ao construir essa ponte, valorizamos o papel de uma orquestra como instrumento de reflexão ecológica e expressão cultural.
Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais e Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Mantenedor: Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.
Patrocínio Máster: Petrobras. Tem patrocínio Petrobrás, tem Governo do Brasil. Apoio: Circuito Liberdade e Programa Amigos
da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Governo de Minas
Gerais, Funarte 50 anos, Ministério da Cultura e Governo Federal.
O Festival Tinta Fresca conta com o apoio do Programa Amigos da Filarmônica e de patronos.
Compositores e suas obras
Jônatas Reis, Belo Horizonte (MG), 1976
Compositor mineiro nascido em Belo Horizonte, desenvolveu sua formação musical no Brasil, na Venezuela e na Nicarágua, concluindo o bacharelado em Composição pela UFMG. Premiado em concursos e festivais nacionais e internacionais, possui catálogo dedicado principalmente à música sinfônica, coral, camerística e sacra, marcado pelo diálogo entre a tradição de concerto e elementos do folclore brasileiro e latino-americano.
Em Cenas da Caatinga, o compositor presta homenagem às paisagens, à cultura e, sobretudo, ao povo do único bioma exclusivamente brasileiro. Estruturada em seis cenas contínuas, a obra retrata o canto do vaqueiro, a busca por melhores pastagens, a oração pela chuva, a força das tempestades repentinas, o canto das lavadeiras e a celebração do baião e do arrasta-pé. Ao longo da peça, referências à religiosidade, às canções populares e aos ritmos tradicionais se entrelaçam para retratar um universo marcado por desafios, fé, resiliência e alegria. Cada nova cena é anunciada pelo som da queixada, instrumento de percussão característico da região.
Fernando Britto, Mauá (SP), 1986
Fernando Britto é compositor, regente e bacharel em Composição pela Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM). Aperfeiçoou-se com nomes como João Guilherme Ripper, Liduíno Pitombeira, Clarice Assad e André Mehmari. Entre seus reconhecimentos recentes estão o VII Concurso de Composição do Gramado in Concert (2024) e o Prêmio Joseense de Composição (2025).
Sua obra para o Festival Tinta Fresca tem como inspiração o pau-brasil e a Mata Atlântica, bioma que sofreu intensa devastação desde o período colonial. A peça acompanha, em cinco seções, um percurso que vai da destruição à regeneração: a queda da árvore, o lamento da floresta e de seus habitantes, o surgimento das sementes, o crescimento de uma nova vida e, por fim, o retorno do pau-brasil como símbolo de resistência e renovação. Mais do que retratar uma espécie, a obra Pau-Brasil: O tesouro da Mata Atlântica evoca a capacidade de recuperação da natureza e a esperança de permanência de um dos ecossistemas mais ricos e ameaçados do planeta.
Rodrigo Aredes, Belo Horizonte (MG), 2004
Rodrigo Aredes é flautista e compositor mineiro. Iniciou sua formação musical no Centro de Musicalização Infantil da UFMG e prosseguiu seus estudos na banda do Colégio Militar de Belo Horizonte, onde atuou como aluno regente. Atualmente, estuda composição para música de concerto e trilha sonora na Berklee College of Music, nos Estados Unidos, instituição para a qual recebeu bolsa integral de transferência em 2023.
Inspirada no Santuário do Caraça, a obra Momentos do Caraça constrói uma paisagem sinfônica em três momentos desse importante patrimônio natural e cultural de Minas Gerais.
O primeiro movimento evoca a Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, cercada pelas montanhas e pela vegetação, unindo referências da música sacra e de tradições musicais mineiras. Em seguida, a peça retrata a silenciosa expectativa pela aparição noturna do lobo-guará, símbolo do Cerrado e visitante frequente do santuário. Por fim, conduz o ouvinte ao Mirante do Cruzeiro, onde natureza e arquitetura se revelam em harmonia, celebrando a convivência entre o ser humano e o meio ambiente.
Jonas Hocherman, Rio de Janeiro (RJ), 1985
Jonas Hocherman é compositor, arranjador, trombonista e tubista. Mestre em Poéticas da Criação Musical pela UFRJ e atualmente doutorando na mesma instituição, atuou por mais de duas décadas ao lado de artistas como Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Arthur Verocai. Sua produção reúne obras de concerto, trilhas sonoras e projetos premiados no Brasil e no exterior.
Em Suíte Refloresta, o compositor reflete sobre a regeneração da Mata Atlântica por meio da reintrodução de espécies desaparecidas em consequência da ação humana. Inspirada em iniciativas de restauração ecológica, como os projetos Refauna e Reflora, a obra explora o retorno de animais e plantas nativos e as transformações que sua presença provoca no ecossistema. Estruturada em quatro movimentos, a peça evoca paisagens, ciclos naturais e interações entre espécies, traduzindo em som os processos de renovação e diversidade que caracterizam uma floresta em reconstrução.
Jurados
Alexandre Guerra
Alexandre Guerra divide sua produção entre trilhas sonoras para cinema e televisão e obras autorais para a música de concerto. Formado em Composição para Cinema pela Berklee College of Music, estudou harmonia e composição com Hans-Joachim Koellreutter e é membro da Sacem, na França.
No audiovisual, assinou mais de 130 trilhas para filmes e séries, entre elas O Tempo e o Vento, The American Guest (HBO), O Som e a Sílaba (Disney+) e Maysa (TV Globo). Como compositor de concerto, possui mais de 40 obras executadas por orquestras no Brasil e no exterior, incluindo a Filarmônica de Minas Gerais, a Sinfônica de Bucareste, a Filarmônica de Montevidéu e a Sinfônica de Budapeste.
Entre seus destaques recentes estão o ciclo de canções estreado no Theatro Municipal de São Paulo, em 2021, e o Concerto para piano e orquestra, apresentado em 2025. Em 2023, a Orquestra de Câmara do Amazonas dedicou um concerto inteiramente à sua obra.
André Mehmari
André Mehmari é pianista, multi-instrumentista, compositor, arranjador e produtor. Considerado pela crítica um dos mais originais e completos músicos brasileiros de sua geração, iniciou sua formação musical com a mãe, em Ribeirão Preto, e mudou-se para São Paulo em 1995 para ingressar no curso de Piano da ECA-USP.
Compositor prolífico, tem obras interpretadas por importantes conjuntos e orquestras, como a Osesp, a Filarmônica de Minas Gerais, a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Miami Symphony e a Orchestre de Normandie. Sua produção abrange música de concerto, canção, trilhas sonoras e arranjos, reunidos em mais de 50 álbuns.
Mantém intensa atividade internacional como solista e camerista, tendo se apresentado em importantes salas da Europa, das Américas e da Ásia. Entre seus trabalhos recentes destacam-se a ópera O Machete e o Concerto para violoncelo e orquestra, estreado por Antonio Meneses e pela Filarmônica de Minas Gerais. Em 2023, recebeu importantes premiações, incluindo o Grande Prêmio Concerto de Artista do Ano.
Oiliam Lanna
Oiliam Lanna é compositor, regente e professor, com destacada atuação na cena musical brasileira. Graduou-se em Composição pela Escola de Música da UFMG, sob orientação de Arthur Bosmans, e concluiu o mestrado na Universidade de Montreal, onde estudou com André Prévost. Também realizou estudos com H. J. Koellreutter e Dante Grela na Fundação de Educação Artística. É Doutor em Linguística (Análise do Discurso) pela UFMG.
Radicado em Belo Horizonte, desenvolve intensa atividade artística e acadêmica. Como regente, dedica-se a um amplo repertório, do Barroco à música contemporânea, com especial atenção à produção brasileira e latino-americana. Sua obra reúne composições para diversas formações instrumentais e vocais, apresentadas por intérpretes e grupos no Brasil e no exterior. Entre suas criações orquestrais, destacam-se Rituais do Tempo e Minas: Mistério, Vertentes, Celebração, ambas estreadas pela Filarmônica de Minas Gerais sob a regência de Fabio Mechetti.
Filarmônica de Minas Gerais
14º Festival Tinta Fresca
25 de junho – 20h30
Sala Minas Gerais
Gratuito
José Soares, regente
J. REIS Cenas da Caatinga
F. BRITTO Pau-Brasil: O Tesouro da Mata Atlântica
R. AREDES Momentos do Caraça
J. HOCHERMAN Suíte Refloresta
CONCERTO GRATUITO, COM PRESENÇA DE PÚBLICO E TRANSMISSÃO AO VIVO PELO CANAL DA FILARMÔNICA NO YOUTUBE, PELA REDE MINAS E PELA RÁDIO MEC (87,1 BH e Brasília / 99,3 RJ).
A distribuição de ingressos será feita na quarta-feira, dia 17 de junho, a partir do meio-dia, pela internet, no site da Filarmônica (www.filarmonica.art.br), limitada a 2 ingressos por pessoa.
Sobre o Festival Tinta Fresca
A Filarmônica de Minas Gerais criou, em 2008, o Festival Tinta Fresca. Oportunidade rara no cenário nacional, o concurso para compositores está em sua 14ª edição e tem oferecido um importante espaço aos talentos brasileiros. O Festival conta com uma comissão julgadora composta por profissionais de renome nacional, para a leitura das obras dos compositores inscritos. As quatro obras finalistas serão apresentadas pela Orquestra no dia 25 de junho de 2026, em concerto gratuito na Sala Minas Gerais, com transmissão ao vivo. Entre os autores escolhidos, um vencedor receberá encomenda de obra sinfônica inédita a ser estreada na Temporada 2027 da Filarmônica de Minas Gerais.
Além de participarem ativamente dos ensaios, interagindo com orquestra e regente, os candidatos têm a oportunidade de se reunir com os membros do júri para conhecer com mais profundidade as percepções sobre seu trabalho.
ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
A Filarmônica de Minas Gerais reafirma, a cada concerto e com uma vigorosa programação, sua vocação pela excelência artística. Referência no Brasil e no mundo desde sua fundação, em 2008, é resultado de uma política pública do Estado de Minas Gerais, seu principal mantenedor. Conduzida por seu Diretor Artístico e Regente Titular, Fabio Mechetti, a Filarmônica é composta por 90 músicos de todas as partes do Brasil, da Europa, da Ásia e das Américas.
A orquestra recebeu numerosas menções e prêmios, possui 20 álbuns gravados e obteve uma indicação ao Grammy Latino em 2020. As temporadas de concertos são realizadas na Sala Minas Gerais, sua sede em Belo Horizonte, em seis séries, sinfônicas e de música de câmara, em que são interpretadas obras do repertório clássico ao contemporâneo, com convidados de destaque nos cenários nacional e internacional.
Cumprindo com sua missão de difundir e promover o acesso à música de concerto, a Filarmônica mantém relevante programação gratuita e de cunho educacional em Belo Horizonte e outras cidades do estado. Possui, ainda, ações de formação profissional, e realiza transmissões ao vivo de suas apresentações.
Referência internacional por seu projeto arquitetônico e acústico, a Sala Minas Gerais é considerada uma das principais salas de concerto da América Latina. Juntas, Filarmônica e Sala Minas Gerais vêm transformando a capital mineira num importante polo da música de concerto.
SOBRE A PETROBRAS
A Petrobras é uma das principais empresas do país. Atua de forma integrada e especializada na indústria de óleo, gás natural e energia, tendo como compromisso o desenvolvimento sustentável para uma transição energética justa.
A Cultura é também uma energia na qual a companhia investe, patrocinando há mais de 40 anos projetos que contribuem para a cultura brasileira e se fazem presentes em todos os Estados brasileiros.