Um dos nomes mais influentes da história da música foi o de Richard Wagner. Seu pensamento e sua estética não apenas transformaram a ópera, mas também influenciaram profundamente a filosofia e a arte de seu tempo. No dia 22 de agosto, às 18h, na Sala Minas Gerais, a Filarmônica de Minas Gerais, sob a batuta de seu Diretor Artístico e Regente Titular, maestro Fabio Mechetti, apresenta trechos de sua obra maior, a tetralogia O Anel dos Nibelungos. Ainda no programa, veremos como sua música continua a exercer fascínio sobre compositores de hoje, como John Williams, na música para cinema. Em 2026, a série Fora de Série, realizada aos sábados, destaca os grandes nomes que moldaram a história da música e aqueles que se deixaram transformar por eles. Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir de R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).
Em 2026, a série Fora de Série, realizada aos sábados, destaca os grandes nomes que moldaram a história da música e aqueles que se deixaram transformar por eles. Para o maestro Fabio Mechetti, “Vivemos na era dos “influenciadores”. Mas, na verdade, toda época teve os seus: figuras cujas vozes, visões e talentos deixaram marcas profundas, definindo quem somos e quem seremos. No universo da música, histórias foram escritas por mestres e discípulos, em ideias que continuam a atravessar séculos, fronteiras e estilos”. Em 2026, o número de concertos da série “Fora de Série” aumentou de seis para oito sábados.
Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Apoio: Programa Amigos da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Funarte 50 anos e Ministério da Cultura.
Maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais
Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo o responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro.
Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville por quatorze anos (1999 – 2014), tendo recebido o título de Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das orquestras sinfônicas de Syracuse (1992 – 1999) e de Spokane (1993 – 2004), nesta última atuando como Regente Laureado. Em 2014, tornou-se o primeiro maestro brasileiro a assumir a Regência Titular de uma orquestra asiática, ao aceitar o convite da Orquestra Filarmônica da Malásia, onde permaneceu por dois anos.
Ainda nos Estados Unidos, atuou como Regente Associado de Mstislav Rostropovich, na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com a qual se apresentou no Kennedy Center e no Capitólio. Foi também Regente Residente da Orquestra Sinfônica de San Diego. Estreou no Carnegie Hall, em Nova York, conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey, e tem dirigido diversas orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É presença constante nos festivais de verão dos Estados Unidos, como os de Grant Park, em Chicago, e Chautauqua, em Nova York.
Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, Mechetti rege regularmente na Escandinávia, com destaque para a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a Orquestra de Helsingborg, na Suécia. Na Finlândia, dirigiu a Filarmônica de Tampere; na Itália, a Orquestra Sinfônica de Roma e a Orquestra do Ateneo, em Milão; na Dinamarca, a Filarmônica de Odense; na Escócia, a BBC Scottish Symphony; além de ter conduzido a Sinfônica Nacional da Colômbia e estreado no Festival Casals com a Sinfônica de Porto Rico. Na Argentina, rege regularmente a Filarmônica do Teatro Colón.
No Brasil, tem sido convidado a reger a Osesp, a Sinfônica Brasileira, as orquestras municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Sinfônica do Paraná, a Petrobras Sinfônica, entre outras. Trabalhou com artistas de renome, como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Antonio Meneses, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros.
Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School de Nova York.
Repertório
Richard Wagner (Leipzig, Alemanha, 1813 – Veneza, Itália, 1883)
O ouro do Reno: Entrada dos deuses no Valhalla (1854)
As Valquírias: Adeus de Wotan e Música do fogo mágico (1856)
Siegfried: Murmúrios da floresta (1871)
O crepúsculo dos deuses: Viagem de Siegfried pelo Reno (1874)
A estreia de O anel do Nibelungo, realizada em Bayreuth em 1876, é um dos acontecimentos mais monumentais da história da música. Ao longo de quatro noites, o público assistiu maravilhado ao ciclo de quatro óperas — O ouro do Reno, A Valquíria, Siegfried e O crepúsculo dos deuses — que, juntas, duram mais de quinze horas.
O ouro do Reno narra a construção da fortaleza de Valhalla pelos gigantes Fasolt e Fafner a pedido de Wotan, o chefe dos deuses. Como pagamento, Wotan acaba lhes entregando o anel forjado pelo anão Alberich com o ouro mágico — e amaldiçoado — do Rio Reno. A “Entrada dos deuses no Valhalla” se dá no final da ópera, quando Wotan e sua corte caminham triunfalmente por uma ponte de arco-íris. Em A Valquíria, Wotan tenta recuperar o anel a qualquer custo. O “Adeus de Wotan” assinala o momento em que ele se vê forçado a renunciar à sua autoridade, após ter desrespeitado pactos fundamentais. Já a “Música do fogo mágico” descreve o círculo de chamas em que Wotan envolve sua filha, Brünhilde, em um esforço de protegê-la até a chegada de Siegfried — o herói da próxima ópera do ciclo.
Na mitologia wagneriana, Siegfried personifica a liberdade, em contraposição ao sistema de pactos que governa o mundo dos deuses. A terceira ópera de O anel do Nibelungo gira em torno desse herói, encarregado de recuperar o anel guardado por Fafner, que se transformou em um dragão devido ao ouro amaldiçoado. Os “Murmúrios da floresta” surgem logo após sua vitória sobre o monstro, cujo sangue lhe confere o dom de entender a linguagem dos pássaros. Guiado por seus cantos, o herói resgata Brünhilde do círculo de fogo mágico.
Por ser fruto da paixão e não da necessidade de preservar as tradições, a união entre Siegfried e Brünhilde prenuncia uma nova ordem. Em O crepúsculo dos deuses, porém, vemos que ela só pode ser alcançada mediante o sacrifício do casal. A “Viagem de Siegfried pelo Reno” ocorre no início da ópera, quando o herói se afasta da amada e se encaminha para a perdição. Manipulado pelo anão Hagen, que apaga sua memória com uma poção, Siegfried morre como um traidor. Quando Brünhilde compreende que ele havia sido vítima do anel, põe fim à maldição, lançando-se às chamas e deixando Valhalla ser destruído.
John Williams (Long Island, Estados Unidos, 1932) e a obra Guerra nas Estrelas (1977)
A técnica wagneriana do leitmotiv — isto é, a associação de fragmentos melódicos a personagens e conceitos — foi utilizada desde cedo na música para cinema. Ninguém, porém, a explorou tão a fundo quanto John Williams. Os filmes da saga Guerra nas estrelas são atravessados por um mesmo conjunto de melodias, que reaparecem em diferentes versões conforme os eventos em cena. Por meio delas, Williams cria um diálogo entre sons e imagens que vai além da mera ilustração. A trilha chega inclusive a antecipar o enredo — no início de “Uma Nova Esperança”, por exemplo, Luke Skywalker medita sobre o seu futuro ao som de um tema associado à Força, cujos poderes ele ainda está por conhecer.
A influência de Wagner está presente também na sonoridade opulenta, típica do romantismo tardio. Ao optar por esse colorido orquestral, Williams atualiza uma tradição que remete à era de ouro de Hollywood. Afinal, a identidade musical do cinema americano clássico foi forjada por compositores europeus fugidos do fascismo, como Erich Wolfgang Korngold e Max Steiner — dois profundos conhecedores da obra de Wagner.
Richard Wagner (Leipzig, Alemanha, 1813 – Veneza, Itália, 1883) e a obra As Valquírias: A cavalgada das Valquírias (1856)
“A cavalgada das Valquírias” é um dos excertos orquestrais mais conhecidos de Wagner. A peça abre o terceiro ato de A Valquíria, segunda ópera de O anel do Nibelungo, tetralogia composta entre 1848 e 1874. Nesse conjunto decisivo de obras, Wagner realiza a síntese de música, poesia e artes visuais em uma obra de arte total, concretizando aquilo que havia teorizado em seu ensaio “Ópera e Drama” (1851).
O libreto de A Valquíria, escrito pelo próprio Wagner a partir de elementos da mitologia nórdica e germânica, gira em torno do desentendimento entre o chefe dos deuses, Wotan, e sua filha Brünhilde. Brünhilde é uma das valquírias, guerreiras montadas em cavalos mágicos que levam as almas dos heróis mortos ao Valhalla. Através de ritmos obstinados e de uma orquestração que enfatiza os metais, “A cavalgada das Valquírias” procura descrever musicalmente o galope dessas criaturas fantásticas.
Filarmônica de Minas Gerais
Fora de Série
22 de agosto – 18h
Sala Minas Gerais
Fabio Mechetti, regente
WAGNER O ouro do Reno: Entrada dos deuses no Valhalla
WAGNER As Valquírias: Adeus de Wotan e Música do fogo mágico WAGNER Siegfried: Murmúrios da floresta
WAGNER O crepúsculo dos deuses: Viagem de Siegfried pelo Reno
J. WILLIAMS Guerra nas Estrelas: Suíte
WAGNER As Valquírias: A cavalgada das Valquírias
INGRESSOS:
R$ 50 (Mezanino), R$ 58 (Coro), R$ 58 (Terraço), R$ 84 (Balcão Palco), R$ 105 (Balcão Lateral), R$ 143 (Plateia Central) e R$ 185 (Balcão Principal).
Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores.
Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.
Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br
Bilheteria da Sala Minas Gerais
Horário de funcionamento
Dias sem concerto:
3ª a 6ª — 12h a 20h
Sábado — 12h a 18h
Em dias de concerto, o horário da bilheteria é diferente:
— 12h a 22h — quando o concerto é durante a semana
— 12h a 20h — quando o concerto é no sábado
— 09h a 13h — quando o concerto é no domingo
São aceitos:
- Cartões das bandeiras Elo, Mastercard e Visa
- Pix
ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi fundada em 2008 e tornou-se referência no Brasil e no mundo por sua excelência artística e vigorosa programação.
Conduzida pelo seu Diretor Artístico e Regente Titular, Fabio Mechetti, a Orquestra é composta por 90 músicos de todas as partes do Brasil, Europa, Ásia e das Américas.
O grupo recebeu numerosos prêmios e menções, sendo o mais recente o Prêmio Concerto 2024 na categoria CD/DVD/Livros, com o álbum com obras de Lorenzo Fernandez. A Orquestra já havia recebido Prêmio Concerto 2023 na categoria Música Orquestral, por duas apresentações realizadas no Festival de Inverno de Campos do Jordão, SP, o Grande Prêmio da Revista CONCERTO em 2020 e 2015, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra Brasileira em 2012 e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) em 2010 como o Melhor Grupo de Música Clássica do Ano.
Suas apresentações regulares acontecem na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, em cinco séries de assinatura em que são interpretadas grandes obras do repertório sinfônico, com convidados de destaque no cenário da música orquestral. Tendo a aproximação com novos ouvintes como um de seus nortes artísticos, a Orquestra também traz à cidade uma sólida programação gratuita – são os Concertos para a Juventude, Filarmônica na Praça, os Concertos de Câmara e os concertos de encerramento do Festival Tinta Fresca e do Laboratório de Regência. Para as crianças e adolescentes, a Filarmônica dedica os Concertos Didáticos, em que mostra os primeiros passos para apreciar a música de concerto.
A Orquestra possui 20 álbuns gravados, entre eles sete integram o projeto Brasil em Concerto, do selo internacional Naxos junto ao Itamaraty. O álbum Almeida Prado – obras para piano e orquestra, com Fabio Mechetti e Sonia Rubinsky, foi indicado ao Grammy Latino 2020.
Ainda em 2020, a Filarmônica inaugurou seu próprio estúdio de TV para a realização de transmissões ao vivo de seus concertos, totalizando hoje mais de 100 concertos transmitidos em seu canal no YouTube, onde se podem encontrar diversos outros conteúdos sobre a orquestra e a música de concerto.
A Filarmônica realiza também diversas apresentações por cidades do interior mineiro e capitais do Brasil, tendo se apresentado também na Argentina e Uruguai. Em celebração ao bicentenário da Independência do Brasil, em 2022, realizou uma turnê a Portugal, apresentando-se nas principais salas de concertos do país nas cidades do Porto, Lisboa e Coimbra, além de um concerto a céu aberto, no Jardim da Torre de Belém, como parte da programação do Festival Lisboa na Rua, promovido pela Prefeitura de Lisboa.
A sede da Filarmônica, a Sala Minas Gerais, foi inaugurada em 2015, sendo uma referência pelo seu projeto arquitetônico e acústico. Considerada uma das principais salas de concertos da América Latina, recebe anualmente um público médio de 100 mil pessoas.
A Filarmônica de Minas Gerais é uma das iniciativas culturais mais bem-sucedidas do país. Juntas, Sala Minas Gerais e Filarmônica vêm transformando a capital mineira em polo da música sinfônica nacional e internacional, com reflexos positivos em outras áreas, como, por exemplo, turismo e relações de comércio internacional.