O período romântico foi um dos mais ricos e variados da história da música. Uma de suas grandes contribuições foi a conexão estabelecida entre a música e outras formas de arte, por meio da chamada “música programática”. Um dos pioneiros desse movimento foi Hector Berlioz, que inspirou toda uma geração de compositores, como Liszt e Richard Strauss. O grande pianista brasileiro Cristian Budu retorna ao palco da Filarmônica de Minas Gerais, no dia 4 de julho, às 18h, na Sala Minas Gerais, trazendo um forte contraste com a interpretação de um dos concertos mais famosos do repertório, o Concerto para piano em lá menor, op. 54, de Schumann. Outro destaque da série “Fora de Série” deste sábado é a Abertura 1812 de Tchaikovsky. A regência é do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais. Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir de R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).

Em 2026, a série Fora de Série, realizada aos sábados, destaca os grandes nomes que moldaram a história da música e aqueles que se deixaram transformar por eles. Para o maestro Fabio Mechetti, “Vivemos na era dos “influenciadores”. Mas, na verdade, toda época teve os seus: figuras cujas vozes, visões e talentos deixaram marcas profundas, definindo quem somos e quem seremos. No universo da música, histórias foram escritas por mestres e discípulos, em ideias que continuam a atravessar séculos, fronteiras e estilos”. Em 2026, o número de concertos da série “Fora de Série” aumentou de seis para oito sábados.

Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Apoio: Programa Amigos da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Funarte 50 anos e Ministério da Cultura.

Maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais 

Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo o responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. 

Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville por quatorze anos (1999 – 2014), tendo recebido o título de Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das orquestras sinfônicas de Syracuse (1992 – 1999) e de Spokane (1993 – 2004), nesta última atuando como Regente Laureado. Em 2014, tornou-se o primeiro maestro brasileiro a assumir a Regência Titular de uma orquestra asiática, ao aceitar o convite da Orquestra Filarmônica da Malásia, onde permaneceu por dois anos.

Ainda nos Estados Unidos, atuou como Regente Associado de Mstislav Rostropovich, na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com a qual se apresentou no Kennedy Center e no Capitólio. Foi também Regente Residente da Orquestra Sinfônica de San Diego. Estreou no Carnegie Hall, em Nova York, conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey, e tem dirigido diversas orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É presença constante nos festivais de verão dos Estados Unidos, como os de Grant Park, em Chicago, e Chautauqua, em Nova York.

Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, Mechetti rege regularmente na Escandinávia, com destaque para a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a Orquestra de Helsingborg, na Suécia. Na Finlândia, dirigiu a Filarmônica de Tampere; na Itália, a Orquestra Sinfônica de Roma e a Orquestra do Ateneo, em Milão; na Dinamarca, a Filarmônica de Odense; na Escócia, a BBC Scottish Symphony; além de ter conduzido a Sinfônica Nacional da Colômbia e estreado no Festival Casals com a Sinfônica de Porto Rico. Na Argentina, rege regularmente a Filarmônica do Teatro Colón.

No Brasil, tem sido convidado a reger a Osesp, a Sinfônica Brasileira, as orquestras municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Sinfônica do Paraná, a Petrobras Sinfônica, entre outras. Trabalhou com artistas de renome, como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Antonio Meneses, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros. 

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School de Nova York.

Cristian Budu

Um dos principais nomes do piano brasileiro, Cristian Budu é vencedor do Primeiro Prêmio e do Prêmio do Público no Concurso Internacional de Piano Clara Haskil (Suíça). Em 2017, a revista britânica Gramophone incluiu uma gravação sua na lista dos “10 Melhores Registros Recentes de Beethoven” e, em 2019, sua interpretação dos Prelúdios entrou na lista dos “50 Melhores Registros de Chopin de Todos os Tempos”, ao lado de artistas como Martha Argerich, Arthur Rubinstein e Nelson Freire. 

Como solista, apresentou-se com a Orquestra Sinfônica de Lucerna, a Orquestra Sinfônica da Rádio de Stuttgart e a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Desde 2014, é parceiro frequente da Filarmônica de Minas Gerais. Tocou em importantes palcos internacionais, como o Jordan Hall, em Boston (EUA), o Liederhalle, de Stuttgart (Alemanha), e o Ateneu Romeno, em Bucareste (Romênia), e lecionou em festivais como o Grandes Intérpretes (Suíça) e o Festival de Inverno de Campos do Jordão. Na música de câmara, destacam-se suas colaborações com músicos da Filarmônica de Berlim e seus duos com Renaud Capuçon e Antonio Meneses.

Repertório

Robert Schumann (Zwickau, Alemanha, 1810 – Bonn, Alemanha, 1856) e a obra Concerto para piano em lá menor, op. 54 (1841)

“O que impressiona na leitura dos escritos de Schumann é a sua prodigiosa riqueza em traços contraditórios”, observa André Boucourechliev, seu principal biógrafo. A contradição é a marca da personalidade multifacetada do compositor. Não por acaso, suas obras de juventude são associadas a diferentes pseudônimos — criando, ainda segundo Boucourechliev, “um jogo de espelhos em que o homem busca desesperadamente a si mesmo por meio de miragens inumeráveis”.

Na obra de maturidade de Schumann, essas oposições passam a determinar sua linguagem musical de modo ainda mais profundo. É isso que se escuta logo no início do Concerto para piano: a contraposição direta entre uma introdução brilhante e um tema de caráter intimista. Associado à sua esposa, a pianista e compositora Clara Schumann, esse tema retorna ao longo de toda a obra. Sua onipresença confere ao Concerto um aspecto cíclico, aproximando-o do fluxo musical contínuo de uma Fantasia. Nesse que talvez seja o mais romântico de todos os concertos românticos, Schumann extrapola os esquemas formais clássicos em busca de uma expressividade mais pessoal.

Hector Berlioz (La Côte-Saint-André, França, 1803 – Paris, França, 1869) e a obra de O Corsário, op. 21 (1844)

No verão de 1844, Berlioz partiu para uma longa temporada em Nice, no sul da França. Seguindo conselhos médicos, o compositor deixou para trás momentaneamente os problemas pessoais e profissionais que vinham agravando suas crises depressivas. Do alto da torre em que ficou hospedado, ele se pôs a contemplar o Mar Mediterrâneo e sonhar com aventuras que o afastavam ainda mais de seu casamento em colapso e das intrigas da vida musical parisiense. 

Dessa experiência nasceu a abertura A torre de Nice, estreada em 1845. Anos mais tarde, Berlioz revisitou a partitura e alterou seu título para O corsário, em homenagem ao poema homônimo de Lord Byron. A obra não possui uma estrutura narrativa, como a Sinfonia Fantástica, mas procura evocar uma paisagem marítima por meio da música. É nesse mar ora revolto, ora sereno, que navega o corsário — figura emblemática do imaginário romântico devido ao seu espírito livre e rebelde, que desafia as normas sociais. Com efeito, sua vida fora da lei é o avesso do cotidiano burguês, tão opressivo para um artista idealista como Berlioz.

Franz Liszt (Doborján, hoje Raiding, Hungria, 1811 – Bayreuth, Alemanha, 1886) e a obra São Francisco de Paula sobre as ondas (1863)

Em meados do século XV, São Francisco de Paula partiu em missão pelo sul da Itália. Ao chegar ao Estreito de Messina, que liga a Calábria à Sicília, pediu a um barqueiro que o conduzisse até a outra margem, de onde seguiria sua pregação. Ao perceber que o santo não tinha dinheiro, o barqueiro se recusou a ajudá-lo, zombando de sua pobreza. Sem se exaltar, Francisco estendeu o seu manto sobre as águas e subiu nele como se fosse uma jangada. Milagrosamente, parte do tecido permaneceu rija e sustentou seu peso, enquanto o restante serviu como vela, possibilitando a travessia. 

Liszt interpretou essa história como uma celebração do triunfo do espírito sobre a matéria e procurou retratá-la musicalmente na segunda de suas Duas Lendas — a primeira trata de São Francisco de Assis, outro símbolo do ascetismo católico. A obra pertence à fase final de sua produção, na qual o compositor modera seu virtuosismo demoníaco e se volta a temas religiosos. Quando a escreveu, Liszt vivia em Roma e era recebido com frequência pelo Papa Pio IX, a quem deliciava com improvisações ao piano. 

Piotr Ilich Tchaikovsky (Votkinsk, Rússia, 1840 – São Petersburgo, Rússia, 1893) e a obra Abertura 1812, op. 49 (1880)

Em 1880, Tchaikovsky foi convidado a compor uma obra sinfônica para celebrar a Exposição Industrial e Artística de Moscou. A encomenda deu origem a uma de suas composições mais conhecidas, a despeito de sua relutância inicial — “Nada me é mais antipático que compor em função de festividades e afins”, escreveu ele em carta à sua mecenas e confidente, Nadejda von Meck.

A estreia da Abertura 1812, ocorrida em agosto de 1882, não foi tão grandiosa quanto Tchaikovsky gostaria: em vez de ser executada na Praça Vermelha, com tiros de canhões e sinos do Kremlin reforçando a orquestra e o coro, a obra foi apresentada dentro de um pavilhão da Exposição. O título remete ao ano em que teve início a derrocada de Napoleão, com o fracasso da invasão da Rússia. A Abertura evoca musicalmente a batalha, representando os russos por meio do coral ortodoxo “Deus, salva teu povo” e do tema folclórico No meu portão, no meu portão, ao passo que os franceses são representados pela Marselhesa. O duelo das melodias culmina na vitória apoteótica do hino do império russo sobre o hino francês. 

Filarmônica de Minas Gerais 

Fora de Série

4 de julho – 18h

Sala Minas Gerais

Fabio Mechetti, regente

Cristian Budu, piano

SCHUMANN          Concerto para piano em lá menor, op. 54  

BERLIOZ              O Corsário, op. 21

LISZT                   São Francisco de Paula sobre as ondas

TCHAIKOVSKY     Abertura 1812, op. 49      

INGRESSOS:

R$ 50 (Mezanino), R$ 58 (Coro), R$ 58 (Terraço), R$ 84 (Balcão Palco), R$ 105 (Balcão Lateral), R$ 143 (Plateia Central) e R$ 185 (Balcão Principal).

Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

Bilheteria da Sala Minas Gerais

Horário de funcionamento

Dias sem concerto:

3ª a 6ª — 12h a 20h

Sábado — 12h a 18h 

Em dias de concerto, o horário da bilheteria é diferente:

— 12h a 22h — quando o concerto é durante a semana 

— 12h a 20h — quando o concerto é no sábado 

— 09h a 13h — quando o concerto é no domingo

São aceitos:

  • Cartões das bandeiras Elo, Mastercard e Visa
  • Pix

ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi fundada em 2008 e tornou-se referência no Brasil e no mundo por sua excelência artística e vigorosa programação. 

Conduzida pelo seu Diretor Artístico e Regente Titular, Fabio Mechetti, a Orquestra é composta por 90 músicos de todas as partes do Brasil, Europa, Ásia e das Américas. 

O grupo recebeu numerosos prêmios e menções, sendo o mais recente o Prêmio Concerto 2024 na categoria CD/DVD/Livros, com o álbum com obras de Lorenzo Fernandez. A Orquestra já havia recebido Prêmio Concerto 2023 na categoria Música Orquestral, por duas apresentações realizadas no Festival de Inverno de Campos do Jordão, SP, o Grande Prêmio da Revista CONCERTO em 2020 e 2015, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra Brasileira em 2012 e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) em 2010 como o Melhor Grupo de Música Clássica do Ano. 

Suas apresentações regulares acontecem na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, em cinco séries de assinatura em que são interpretadas grandes obras do repertório sinfônico, com convidados de destaque no cenário da música orquestral. Tendo a aproximação com novos ouvintes como um de seus nortes artísticos, a Orquestra também traz à cidade uma sólida programação gratuita – são os Concertos para a Juventude, Filarmônica na Praça, os Concertos de Câmara e os concertos de encerramento do Festival Tinta Fresca e do Laboratório de Regência. Para as crianças e adolescentes, a Filarmônica dedica os Concertos Didáticos, em que mostra os primeiros passos para apreciar a música de concerto. 

 A Orquestra possui 20 álbuns gravados, entre eles sete integram o projeto Brasil em Concerto, do selo internacional Naxos junto ao Itamaraty. O álbum Almeida Prado – obras para piano e orquestra, com Fabio Mechetti e Sonia Rubinsky, foi indicado ao Grammy Latino 2020.

Ainda em 2020, a Filarmônica inaugurou seu próprio estúdio de TV para a realização de transmissões ao vivo de seus concertos, totalizando hoje mais de 100 concertos transmitidos em seu canal no YouTube, onde se podem encontrar diversos outros conteúdos sobre a orquestra e a música de concerto.

A Filarmônica realiza também diversas apresentações por cidades do interior mineiro e capitais do Brasil, tendo se apresentado também na Argentina e Uruguai. Em celebração ao bicentenário da Independência do Brasil, em 2022, realizou uma turnê a Portugal, apresentando-se nas principais salas de concertos do país nas cidades do Porto, Lisboa e Coimbra, além de um concerto a céu aberto, no Jardim da Torre de Belém, como parte da programação do Festival Lisboa na Rua, promovido pela Prefeitura de Lisboa.

A sede da Filarmônica, a Sala Minas Gerais, foi inaugurada em 2015, sendo uma referência pelo seu projeto arquitetônico e acústico. Considerada uma das principais salas de concertos da América Latina, recebe anualmente um público médio de 100 mil pessoas.

A Filarmônica de Minas Gerais é uma das iniciativas culturais mais bem-sucedidas do país. Juntas, Sala Minas Gerais e Filarmônica vêm transformando a capital mineira em polo da música sinfônica nacional e internacional, com reflexos positivos em outras áreas, como, por exemplo, turismo e relações de comércio internacional.