Celebrando os 150 anos de nascimento do compositor espanhol Manuel de Falla, a Filarmônica de Minas Gerais interpreta duas de suas obras mais importantes, com a participação da mezzo-soprano Bárbara Brasil em uma delas, o Amor Bruxo. Outra efeméride significativa são os 30 anos de carreira de um dos maiores violonistas brasileiros e frequente colaborador da Orquestra, Fabio Zanon, solista convidado das duas noites, interpretando Fantasia para um fidalgo, de Joaquín Rodrigo. Este programa latino inclui ainda a pitoresca Alvorada na floresta tropical, de nosso maior compositor, Villa-Lobos. As apresentações serão nos dias 10 e 11 de setembro, às 20h30, na Sala Minas Gerais, com regência do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais. Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir de R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).
Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Patrocínio: Itaú Unibanco. Mantenedor: Cultura e Turismo. Apoio: Amigos da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Funarte e Ministério da Cultura.
Maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais
Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo o responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro.
Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville por quatorze anos (1999 – 2014), tendo recebido o título de Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das orquestras sinfônicas de Syracuse (1992 – 1999) e de Spokane (1993 – 2004), nesta última atuando como Regente Laureado. Em 2014, tornou-se o primeiro maestro brasileiro a assumir a Regência Titular de uma orquestra asiática, ao aceitar o convite da Orquestra Filarmônica da Malásia, onde permaneceu por dois anos.
Ainda nos Estados Unidos, atuou como Regente Associado de Mstislav Rostropovich, na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com a qual se apresentou no Kennedy Center e no Capitólio. Foi também Regente Residente da Orquestra Sinfônica de San Diego. Estreou no Carnegie Hall, em Nova York, conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey, e tem dirigido diversas orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É presença constante nos festivais de verão dos Estados Unidos, como os de Grant Park, em Chicago, e Chautauqua, em Nova York.
Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, Mechetti rege regularmente na Escandinávia, com destaque para a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a Orquestra de Helsingborg, na Suécia. Na Finlândia, dirigiu a Filarmônica de Tampere; na Itália, a Orquestra Sinfônica de Roma e a Orquestra do Ateneo, em Milão; na Dinamarca, a Filarmônica de Odense; na Escócia, a BBC Scottish Symphony; além de ter conduzido a Sinfônica Nacional da Colômbia e estreado no Festival Casals com a Sinfônica de Porto Rico. Na Argentina, rege regularmente a Filarmônica do Teatro Colón.
No Brasil, tem sido convidado a reger a Osesp, a Sinfônica Brasileira, as orquestras municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Sinfônica do Paraná, a Petrobras Sinfônica, entre outras. Trabalhou com artistas de renome, como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Antonio Meneses, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros.
Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School de Nova York.
Fabio Zanon, violão
Vencedor dos maiores concursos internacionais de violão, como o GFA, nos Estados Unidos, o Francisco Tárrega, na Espanha, e o Cittá di Alessandria, na Itália, já se apresentou em mais de 50 países, em salas como o Royal Festival Hall, em Londres, a Philharmonie, em Berlim, a Sala Tchaikovsky, em Moscou, e na Concertgebouw de Amsterdã, com orquestras como a Filarmônica de Londres, a Estatal Russa, a Berliner Camerata e a Sinfônica da Rádio de Dublin. Seu repertório inclui mais de 40 concertos para violão e orquestra, muitos apresentados em estreias mundiais, e dedica-se com afinco à música de câmara, em uma enorme variedade de combinações e gêneros. É autor do livro Villa-Lobos (Publifolha, 2009) e concebeu e apresentou os programas A Arte do Violão e O Violão Brasileiro, na Rádio Cultura, em São Paulo, e o podcast Lira. Membro e professor da Royal Academy of Music, em Londres, foi coordenador artístico e pedagógico do Festival de Inverno de Campos do Jordão.
Bárbara Brasil, mezzo-soprano
A mezzo-soprano venceu o Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, em 2019, e foi finalista dos concursos Brasileiro de Canto Maria Callas, em 2020, e do Jovens Solistas da Osesp, em 2018. Em destaque no cenário operístico de Belo Horizonte, interpretou papéis como Orlofsky, em O Morcego, de Johann Strauss II, Nicklausse, em Os contos de Hoffmann, de Jacques Offenbach, Flora, em La Traviata, de Giuseppe Verdi, Carmen, da ópera homônima de Georges Bizet, e Beata, na estreia da ópera Devoção, de João Guilherme Ripper, em 2024. Atuou também como solista em obras como o Magnificat, de Martín Palmeri, e participou de masterclasses com artistas como Eiko Senda, Denise Freitas e Michel de Souza. Atualmente, integra o Coral Lírico de Minas Gerais.
Repertório
Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, Brasil, 1887-1959) e a obra Alvorada na floresta tropical (1953)
A partir de meados da década de 1940, Villa-Lobos passou a divulgar sua música e a atuar como maestro na Europa e nos Estados Unidos, recebendo encomendas de músicos, regentes e orquestras de todo o mundo. Em 1953, por encomenda da Orquestra de Louisville, compôs Alvorada na floresta tropical, estreada pelo maestro fundador da orquestra, Robert Whitney. À época, encontrava-se particularmente atraído por temas indígenas, como revelam as obras Erosão (1950), sobre a lenda da criação do rio Amazonas, Rudá (1951), sobre a história da América pré-colombiana, e a Sinfonia nº 10 (1952), descrita como “sinfonia ameríndia com coros”. Alvorada na floresta tropical também se inspira em lendas indígenas, que diz ter recolhido na Amazônia: “as florestas, os rios, as cascatas, os pássaros, os peixes e os bichos ferozes, os silvícolas, os caboclos e as lendas marajoaras, tudo influi psicologicamente na confecção dessa obra. Seus principais motivos melódicos representam o tema da invocação, o da surpresa da miragem, o rastejar e o galope dos monstros lendários do Amazonas, o da sedução, da volúpia, da sensualidade da índia sacerdotisa, o canto heroico dos guerreiros indígenas e o do precipício”.
Joaquín Rodrigo (Sagunto, Espanha, 1901 – Madri, Espanha, 1999) e a obra Fantasia para um fidalgo (1954)
Depois do Concerto de Aranjuez, de 1939, a segunda obra concertante para o violão que Joaquín Rodrigo compôs foi a Fantasia para um fidalgo, de 1954. O “fidalgo” em questão era o lendário violonista Andrés Segovia (1893–1987), a quem a obra é dedicada e que a estreou em março de 1958, em São Francisco, nos Estados Unidos, com uma orquestra local dirigida por Enrique Jordá. Sobre a Fantasia para um fidalgo, Rodrigo diz que “todo o material temático, exceto certos breves episódios do último movimento, deriva — como grande parte da harmonia — da obra” intitulada Instrucción de música sobre la guitarra española, publicada em 1674 pelo guitarrista espanhol Gaspar Sánz (1640–1710). Além de discorrer sobre encordoamento, ornamentação e tablatura — sistema de leitura do instrumento —, o método de Sánz reúne canções e danças ligeiras, que refletem o gosto musical e as práticas da época. Composta para a guitarra espanhola, instrumento radicalmente diferente do violão atual, a música de Sánz foi adaptada, na linguagem neoclássica de Rodrigo, ao violão moderno e a uma orquestra reduzida — com apenas um instrumento de sopro de cada naipe das madeiras, além de um trompete e cordas.
Manuel de Falla (Cádiz, Espanha, 1876 – Alta Gracia, Argentina, 1946) e a obra O Amor Bruxo (1914-1915)
Manuel de Falla cresceu sob os cuidados de uma ama de leite apelidada de A Mourisca, figura responsável por incutir nele a paixão pelas canções, superstições e tradições andaluzas, das quais o flamenco é conhecido exemplo. Firme defensor dessa cultura, é ela que Falla exalta em O Amor Bruxo, parceria com a cantora de flamenco Pastora Imperio e a escritora María de la O Lejárraga estreada no Teatro Lara, em Madrid, em 15 de abril de 1915. Uma gitanería, um balé para cantores e dançarinos ciganos com libreto em dialeto andaluz, a versão original encontrou resistência do público, levando Falla a revisar a obra substancialmente em 1916 e 1924. Estreada no Trianon-Lyrique de Paris, sob a regência do compositor, em maio de 1925, a versão final, que se consagrou, é um balé-pantomima em 13 movimentos. Celebrando o triunfo da vida e do amor sobre a morte e o passado, ele conta dos amores e das maldições de Candelas, uma jovem viúva que se apaixona por Carmelo, mas é impedida de viver seu amor, pois o fantasma do marido mulherengo e ciumento a visita todas as noites. O amor, porém, triunfa ao final, quando Lucia, a bela amiga de Candelas, a ajuda seduzindo o fantasma, permitindo, assim, que Carmelo e Candelas deem, ao amanhecer, o beijo apaixonado capaz de quebrar o feitiço.
Manuel de Falla (Cádiz, Espanha, 1876 – Alta Gracia, Argentina, 1946) e a obra A Vida Breve: Interlúdio e Dança (1905)
A Vida Breve é marcada pela exuberância e pelos “espanholismos” da primeira fase de Manuel de Falla. Pequena ópera em dois atos, o tirou do anonimato, garantindo-lhe o prêmio da Real Academia de Belas Artes de Madri. Porém, embora composta entre 1904 e 1905, foi estreada apenas em 1913, em Nice. Durante esse período, Falla fez diversas revisões na partitura, aconselhado pelo amigo Paul Dukas. Embora uma ópera, o tratamento sinfônico em A Vida Breve é de tal forma valorizado que adquire evidência até então pouco comum. A obra antecipa ainda aspectos fundamentais da linguagem de Falla, como a escrita austera e precisa e a depuração das tradições espanholas, como o uso, nas linhas melódicas, das inflexões do canto tradicional espanhol. Obra-chave do compositor, é uma espécie de resultante (no sentido matemático do termo) das “fontes primárias” de sua poética, advindas do Romantismo italiano e de Liszt, de contemporâneos franceses (sobretudo Debussy) e espanhóis (em especial Albéniz), e das tradições andaluzas. Devido ao vigor e à coesão, dois de seus trechos, o “Interlúdio” e a “Dança”, acabaram por se incorporar ao repertório sinfônico como peças isoladas.
Filarmônica de Minas Gerais
Série Presto
10 de setembro – 20h30
Sala Minas Gerais
Série Veloce
11 de setembro – 20h30
Sala Minas Gerais
Fabio Mechetti, regente
Fabio Zanon, violão
Bárbara Brasil, mezzo-soprano
VILLA-LOBOS Alvorada na floresta tropical
RODRIGO Fantasia para um fidalgo
DE FALLA O Amor Bruxo
DE FALLA A Vida Breve: Interlúdio e Dança
INGRESSOS:
R$ 50 (Mezanino), R$ 58 (Coro), R$ 58 (Terraço), R$ 84 (Balcão Palco), R$ 105 (Balcão Lateral), R$ 143 (Plateia Central) e R$ 185 (Balcão Principal).
Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores.
Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.
Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br
Bilheteria da Sala Minas Gerais
Horário de funcionamento
Dias sem concerto:
3ª a 6ª — 12h a 20h
Sábado — 12h a 18h
Em dias de concerto, o horário da bilheteria é diferente:
— 12h a 22h — quando o concerto é durante a semana
— 12h a 20h — quando o concerto é no sábado
— 09h a 13h — quando o concerto é no domingo
São aceitos:
- Cartões das bandeiras Elo, Mastercard e Visa
- Pix
ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi fundada em 2008 e tornou-se referência no Brasil e no mundo por sua excelência artística e vigorosa programação.
Conduzida pelo seu Diretor Artístico e Regente Titular, Fabio Mechetti, a Orquestra é composta por 90 músicos de todas as partes do Brasil, Europa, Ásia e das Américas.
O grupo recebeu numerosos prêmios e menções, sendo o mais recente o Prêmio Concerto 2024 na categoria CD/DVD/Livros, com o álbum com obras de Lorenzo Fernandez. A Orquestra já havia recebido Prêmio Concerto 2023 na categoria Música Orquestral, por duas apresentações realizadas no Festival de Inverno de Campos do Jordão, SP, o Grande Prêmio da Revista CONCERTO em 2020 e 2015, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra Brasileira em 2012 e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) em 2010 como o Melhor Grupo de Música Clássica do Ano.
Suas apresentações regulares acontecem na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, em cinco séries de assinatura em que são interpretadas grandes obras do repertório sinfônico, com convidados de destaque no cenário da música orquestral. Tendo a aproximação com novos ouvintes como um de seus nortes artísticos, a Orquestra também traz à cidade uma sólida programação gratuita – são os Concertos para a Juventude, Filarmônica na Praça, os Concertos de Câmara e os concertos de encerramento do Festival Tinta Fresca e do Laboratório de Regência. Para as crianças e adolescentes, a Filarmônica dedica os Concertos Didáticos, em que mostra os primeiros passos para apreciar a música de concerto.
A Orquestra possui 20 álbuns gravados, entre eles sete integram o projeto Brasil em Concerto, do selo internacional Naxos junto ao Itamaraty. O álbum Almeida Prado – obras para piano e orquestra, com Fabio Mechetti e Sonia Rubinsky, foi indicado ao Grammy Latino 2020.
Ainda em 2020, a Filarmônica inaugurou seu próprio estúdio de TV para a realização de transmissões ao vivo de seus concertos, totalizando hoje mais de 100 concertos transmitidos em seu canal no YouTube, onde se podem encontrar diversos outros conteúdos sobre a orquestra e a música de concerto.
A Filarmônica realiza também diversas apresentações por cidades do interior mineiro e capitais do Brasil, tendo se apresentado também na Argentina e Uruguai. Em celebração ao bicentenário da Independência do Brasil, em 2022, realizou uma turnê a Portugal, apresentando-se nas principais salas de concertos do país nas cidades do Porto, Lisboa e Coimbra, além de um concerto a céu aberto, no Jardim da Torre de Belém, como parte da programação do Festival Lisboa na Rua, promovido pela Prefeitura de Lisboa.
A sede da Filarmônica, a Sala Minas Gerais, foi inaugurada em 2015, sendo uma referência pelo seu projeto arquitetônico e acústico. Considerada uma das principais salas de concertos da América Latina, recebe anualmente um público médio de 100 mil pessoas.
A Filarmônica de Minas Gerais é uma das iniciativas culturais mais bem-sucedidas do país. Juntas, Sala Minas Gerais e Filarmônica vêm transformando a capital mineira em polo da música sinfônica nacional e internacional, com reflexos positivos em outras áreas, como, por exemplo, turismo e relações de comércio internacional.
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