
Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde e
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Vencedor dos maiores concursos internacionais de violão, como o GFA, nos Estados Unidos, o Francisco Tárrega, na Espanha, e o Cittá di Alessandria, na Itália, já se apresentou em mais de 50 países, em salas como o Royal Festival Hall, em Londres, a Philharmon
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A mezzo-soprano venceu o Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, em 2019, e foi finalista dos concursos Brasileiro de Canto Maria Callas, em 2020, e do Jovens Solistas da Osesp, em 2018. Em destaque no cenário operístico de Belo Horizont
... LEIA MAISA partir de meados da década de 1940, Villa-Lobos passou a divulgar sua música e a atuar como maestro na Europa e nos Estados Unidos, recebendo encomendas de músicos, regentes e orquestras de todo o mundo. Em 1953, por encomenda da Orquestra de Louisville, compôs Alvorada na floresta tropical, estreada pelo maestro fundador da orquestra, Robert Whitney. À época, encontrava-se particularmente atraído por temas indígenas, como revelam as obras Erosão (1950), sobre a lenda da criação do rio Amazonas, Rudá (1951), sobre a história da América pré-colombiana, e a Sinfonia nº 10 (1952), descrita como “sinfonia ameríndia com coros”. Alvorada na floresta tropical também se inspira em lendas indígenas, que diz ter recolhido na Amazônia: “as florestas, os rios, as cascatas, os pássaros, os peixes e os bichos ferozes, os silvícolas, os caboclos e as lendas marajoaras, tudo influi psicologicamente na confecção dessa obra. Seus principais motivos melódicos representam o tema da invocação, o da surpresa da miragem, o rastejar e o galope dos monstros lendários do Amazonas, o da sedução, da volúpia, da sensualidade da índia sacerdotisa, o canto heroico dos guerreiros indígenas e o do precipício”.
TEXTO ADAPTADO DE NOTA DE PROGRAMA DE MARCELO CORRÊA
Depois do Concerto de Aranjuez, de 1939, a segunda obra concertante para o violão que Joaquín Rodrigo compôs foi a Fantasia para um fidalgo, de 1954. O “fidalgo” em questão era o lendário violonista Andrés Segovia (1893–1987), a quem a obra é dedicada e que a estreou em março de 1958, em São Francisco, nos Estados Unidos, com uma orquestra local dirigida por Enrique Jordá. Sobre a Fantasia para um fidalgo, Rodrigo diz que “todo o material temático, exceto certos breves episódios do último movimento, deriva — como grande parte da harmonia — da obra” intitulada Instrucción de música sobre la guitarra española, publicada em 1674 pelo guitarrista espanhol Gaspar Sánz (1640–1710). Além de discorrer sobre encordoamento, ornamentação e tablatura — sistema de leitura do instrumento —, o método de Sánz reúne canções e danças ligeiras, que refletem o gosto musical e as práticas da época. Composta para a guitarra espanhola, instrumento radicalmente diferente do violão atual, a música de Sánz foi adaptada, na linguagem neoclássica de Rodrigo, ao violão moderno e a uma orquestra reduzida — com apenas um instrumento de sopro de cada naipe das madeiras, além de um trompete e cordas.
TEXTO ADAPTADO DE NOTA DE PROGRAMA DE CELSO FARIA
Manuel de Falla cresceu sob os cuidados de uma ama de leite apelidada de A Mourisca, figura responsável por incutir nele a paixão pelas canções, superstições e tradições andaluzas, das quais o flamenco é conhecido exemplo. Firme defensor dessa cultura, é ela que Falla exalta em O Amor Bruxo, parceria com a cantora de flamenco Pastora Imperio e a escritora María de la O Lejárraga, estreada no Teatro Lara, em Madrid, em 15 de abril de 1915. Uma gitanería, um balé para cantores e dançarinos ciganos com libreto em dialeto andaluz, a versão original encontrou resistência do público, levando Falla a revisar a obra substancialmente em 1916 e 1924. Estreada no Trianon-Lyrique de Paris, sob a regência do compositor, em maio de 1925, a versão final, que se consagrou, é um balé-pantomima em 13 movimentos. Celebrando o triunfo da vida e do amor sobre a morte e o passado, ele conta dos amores e das maldições de Candelas, uma jovem viúva que se apaixona por Carmelo, mas é impedida de viver seu amor, pois o fantasma do marido mulherengo e ciumento a visita todas as noites. O amor, porém, triunfa ao final, quando Lucia, a bela amiga de Candelas, a ajuda seduzindo o fantasma, permitindo, assim, que Carmelo e Candelas deem, ao amanhecer, o beijo apaixonado capaz de quebrar o feitiço.
TEXTO DE IGOR REYNER
Escritor, pesquisador e pianista. Doutor em Letras pelo King’s College London. Autor do livro Corpo Sonoro & Sound Body (Impressões de Minas, 2022).
A Vida Breve é marcada pela exuberância e pelos “espanholismos” da primeira fase de Manuel de Falla. Pequena ópera em dois atos, o tirou do anonimato, garantindo-lhe o prêmio da Real Academia de Belas Artes de Madri. Porém, embora composta entre 1904 e 1905, foi estreada apenas em 1913, em Nice. Durante esse período, Falla fez diversas revisões na partitura, aconselhado pelo amigo Paul Dukas. Embora uma ópera, o tratamento sinfônico em A Vida Breve é de tal forma valorizado que adquire evidência até então pouco comum. A obra antecipa ainda aspectos fundamentais da linguagem de Falla, como a escrita austera e precisa e a depuração das tradições espanholas, como o uso, nas linhas melódicas, das inflexões do canto tradicional espanhol. Obra-chave do compositor, é uma espécie de resultante (no sentido matemático do termo) das “fontes primárias” de sua poética, advindas do romantismo italiano e de Liszt, de contemporâneos franceses (sobretudo Debussy) e espanhóis (em especial Albéniz), e das tradições andaluzas. Devido ao vigor e à coesão, dois de seus trechos, o “Interlúdio” e a “Dança”, acabaram por se incorporar ao repertório sinfônico como peças isoladas.
TEXTO ADAPTADO DE NOTA DE PROGRAMA DE MOACYR LATERZA FILHO
Celebrando os 150 anos de nascimento do compositor espanhol Manuel de Falla, a Filarmônica interpreta duas de suas obras mais importantes. Outra efeméride significativa são os 30 anos de carreira de um dos maiores violonistas brasileiros e frequente colaborador da Filarmônica, Fabio Zanon. Este programa latino inclui ainda a pitoresca Alvorada na floresta tropical, de nosso maior compositor.