|    17 fev 2016

Música para ser comentada

Em 2016, nossas apresentações de quinta e sexta-feira terão uma novidade para que a sua experiência seja ainda mais transformadora. Descubra como serão os Concertos Comentados e confira a agenda de fevereiro.

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A música que fazemos é, antes de tudo, feita para ser experimentada na vida real, sentindo cada nota bater junto ao peito. No entanto, descobri-la também pode ser um processo (maravilhoso) que tem início antes mesmo que você se sente em seu lugar. É isso que propomos para as suas quintas ou sextas-feiras de 2016 em nossos Concertos Comentados. Antes de cada apresentação das séries Allegro, Vivace, Presto e Veloce, um músico ou convidado de outra área irá compartilhar algumas ideias sobre uma obra ou todo o programa que será interpretado naquela noite.

 

Os Concertos Comentados acontecem na Sala de Recepções da Sala Minas Gerais, das 19h30 às 20h, e são abertos às primeiras 65 pessoas que chegarem com o ingresso para a apresentação do dia. A curadoria foi feita pelo nosso percussionista Werner Silveira, que compartilha aqui um pouco do que você pode esperar para esses encontros (a programação do mês de fevereiro está logo abaixo):

 

Quando estou diante de uma obra de arte, o que mais me importa é me silenciar internamente. Só assim consigo me entregar de corpo e alma à vivência artística. Vivência, sim, porque apreciar uma obra de arte é se conectar profundamente consigo próprio, com a sua essência e seus valores.

 

Agora, para que a experiência seja ainda mais transformadora, acredito que ouvir Beethoven, Shostakovich ou Villa-Lobos sabendo um pouco da sua história e da época em que viveram pode fazer toda a diferença. A arte nos toca, nos atinge independente dessas informações, mas, é como beber um ótimo café sabendo e conhecendo a sua origem, quem produziu, como foi feita a colheita, ou até mesmo se informando, aliás, se deliciando dos “causos” que giram em torno dessa ou daquela cultura. É como se estivéssemos mais próximos da obra, dos compositores, podendo relacionar sensações e sentimentos com o que sabemos de cada um deles e, mais importante, com o que sabemos de nós mesmos.

 

Em seu livro “O ponto de mutação”, o físico Fritjof Capra diz que “A concepção do Universo como uma rede interligada de relações é um dos temas mais recorrentes na física moderna”. E eu digo que a música é uma poderosa ferramenta para invadirmos com profundidade outras áreas e domínios do conhecimento, a fim de resgatarmos não só o encantamento com a vida, mas a percepção transformadora de se sentir presente e atuante no mundo.

 

PROGRAMAÇÃO | FEVEREIRO E MARÇO

 

Allegro/Vivace 1
18 e 19 de fevereiro, das 19h30 às 20h
Palestrante: Werner Silveira
Na abertura dos Concertos comentados 2016, Werner Silveira irá desvendar um pouco dos mistérios dos Choros, relacionando a obra de Villa Lobos com outros grandes artistas brasileiros, mostrando a importância deste compositor e do movimento nacionalista do início do século XX na compreensão e na afirmação da identidade cultural brasileira.

 

Presto/Veloce 1
25 e 26 de fevereiro, das 19h30 às 20h
Palestrante: Marcos Arakaki
Nosso maestro associado, Marcos Arakaki, irá realizar uma contextualização geral sobre a conturbada música que germinava no início do século XX, através de quatro grandes compositores de nacionalidades distintas, como poderemos apreciar neste concerto inteiramente dedicado à música moderna.

 

Presto/Veloce 1
1o e 11 de março, das 19h30 às 20h
Palestrante: Werner Silveira
Conhecer o mito de Medeia certamente irá enriquecer e aguçar a nossa audição da obra Meditação de Medeia e Dança da Vingança, de Samuel Barber. Como poucos, Barber traduziu para a música sentimentos intensos e contraditórios, os mesmos que fizeram de Medeia uma das personagens mais terríveis e fascinantes da mitologia grega.

 

Allegro/Vivace 2
17 e 18 de março, das 19h30 às 20h
Palestrante: Fabio Mechetti
Existe loucura maior em ver o mundo como ele é e não como deveria ser? Talvez seja esta a grande pergunta que Miguel de Cervantes fez há mais de 400 anos, por meio das fantasias e aventuras de Dom Quixote, e que, de maneira única e genial, Richard Strauss explorou através de sua fértil imaginação sonora.

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