|    6 Maio 2020

Maestro indica: “Um réquiem alemão” de Brahms

BRAHMS | Um réquiem alemão

A mensagem de paz transmitida pelo Réquiem de Brahms

por Fabio Mechetti

Quando penso em qual seria o melhor remédio para se contrapor à angústia, tristeza e incerteza que nos afligem neste momento, e que na sua essência artística e humana represente aquilo que nos dê consolo e esperança, só me vem à cabeça Um réquiem alemão de Johannes Brahms.

Dentre os vários réquiens disponíveis, quase todos eles obras-primas dentro dos opus de grandes compositores, Um réquiem alemão se isola, talvez ao lado do Réquiem de Fauré, como um réquiem não para os que se vão, mas para os que ficam. Contrariamente à tristeza, inconformidade, muitas vezes raiva, mostradas nos réquiens que celebram os mortos, este de Brahms fala diretamente aos vivos, refletindo sobre a importância da vida terrena, mas nos imbuindo de um sentimento de paz e resignação. Dentro de sua simplicidade de escrita e do talento excepcional que Brahms tinha em se utilizar de recursos econômicos para expressar um máximo de emoções, o Réquiem Alemão é uma demonstração da música enquanto a mais poderosa das manifestações humanas.

Nesta apresentação ao vivo da Orquestra Filarmônica de Berlim, conduzida por Claudio Abbado no Musikverein de Vienna, com o barítono Bryn Terfel, a soprano Barbara Bonney e o Coro de Câmara Eric Ericsson, essa pureza e simplicidade é capturada de maneira absoluta, fazendo com que a convicção dos que tocam e cantam se traduza na mensagem de paz aos que escutam.

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